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França anuncia morte do líder de Al-Qaida-África do Norte 07 Junho 2020

O argelino Abdelmalek Droukdel, o emir (líder) do Al-Qaida na África do Norte, AQMI-Al Qaida Islâmico Magrebino, não foi abatido na Argélia ou Líbia nem na Tunísia, países onde desenvolveu a sua ação desde 2000. Morreu no Mali, numa operação que a ministra da defesa de França, Florence Parly, ontem à noite elogiou como "um sucesso imenso" do exército francês.

França anuncia morte do líder de Al-Qaida-África do Norte

O líder do AQMI desde 2000, com o nome de guerra Abu Musab Abdel Wadoud, morreu "na quarta-feira, 3, numa operação realizada no nordeste do Mali que contou com contributos franceses e americanos". Segundo uma fonte do exército francês ao Le Monde, "Washington dispõe de importantes meios de vigilância aérea no Sahel".

Abdelmalek Droukdel acompanhado de "um pequeno grupo" estava no norte do Adrar dos Ifoghas (a zona montanhosa a norte do Sahel, perto da fronteira com a Argélia) quando "foi neutralizado pelas forças especiais francesas", segundo o coronel Frédéric Barbry, porta-voz do Estado-Maior citado pelo Le Monde.

"O corpo foi formalmente identificado"

"O corpo foi formalmente identificado", disse na sexta-feira o porta-voz do Ministério da Defesa francês. Uma confirmação indispensável dado que a morte do argelino líder djihadista é noticiada desde 2004.

Nascido numa aldeia, Zayan, a meia centena de quilómetros da capital argelina, Abdelmalek Droukdel começa o curso de engenharia em 1989 na universidade de Blida-Argel. Em 1992, a guerra civil divide a Argélia e Abdelmalek abandona os estudos para integrar o partido FIS- Frente Islâmica de Salvação e em especial os GIA-Grupos Islâmicos Armados.

A subir na hierarquia do partido islâmico, o ex-estudante de engenharia de 23 anos chefia as oficinas de fabrico de explosivos, dirige a produção militar. Em 1998, acompanha a fundação do GSPC-Grupo Salafista para a Pregação e Combate.

Em 2004, Abdelmalek Droukdel dirige o GSPC após o exército da Argélia abater Abou Ibrahim "Nabil Sahraoui".

Em 2006, assume o nome de guerra Abu Musab Abdel Wadoud, em homenagem ao sanguinário líder djihadista Zarqaoui nascido na Jordânia como Ahmad Fadil e que morreu nesse ano em Bakouba, perto de Bagdad num bombardeamento F-16 americano. O líder do Al-Qaida no Iraque, Abou Moussab Abd Al-Zarqaoui, "inimigo nº1 dos Estados Unidos", destacou-se pelas execuções de civis americanos, diplomatas (egípcios, argelinos, russos) e figuras do governo iraquiano. Algumas das execuções foram difundidas em vídeos que entre 2004 e 2006 horrorizaram o mundo.

França no Sahel, missão Barkhane

O sucesso da operação realizada na quarta-feira pelo exército francês surge depois de insucessos vários que a missão Barkhane, contra os djihadistas no Sahel e em particular no Mali, sofreu.

Um deles foi há seis meses e é a mais importante baixa do exército francês dos últimos 37 anos. Foi a 25-11, que seis oficiais, seis sub-oficiais e um cabo-chefe perderam a vida na colisão de dois helicópteros franceses (França: 13 militares morrem em colisão de 2 helicópteros no Mali, 27.nov.019).

As forças francesas da missão Barkhane, que mobiliza 4500 militares no Sahel, estão há mais de seis anos no Mali. A sua presença é mal recebida e, dizem analistas ouvidos pelos media de referência, são considerados os culpados por tudo quanto corre mal no país saheliano.

Será que o acontecimento do dia 2 vai mudar algo na luta antidjihadista na região? O tempo o dirá.
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Fontes: Referidas/L’Express. Fotos (Getty/AFP): Soldados franceses no Mali. Ministra Florence Parly (1963-) deu luz-verde à operação que matou Abdelmalek Droukdel (1970-2020). Helicópteros e drones utilizados na operação na zona saheliana de Adrar habitada pelos tuaregues Ifoghas.

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