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Fogo: Transportes, desinvestimentos no meio rural e votos de equilíbrio no centro das atenções 08 Abril 2021

No Fogo prossegue o corpo-a-corpo no terreno entre os três partidos concorrentes às legislativas de 18 de Abril. A candidatura do MpD propõe, depois do falhanço no cumprimento das promessas feitas para o sector dos transportes na legislatura que já terminou, dotar a ilha de uma ligação marítima “previsível e frequente”. Já o PAICV considera que o governo do MpD “desinvestiu” no mundo rural que quer relançar com mais água e projectos de desenvolvimento local. A UCID estabelece, por sua vez, como meta atingir os dois mil votos para que possa eleger um dos cinco deputados pelo círculo eleitoral do Fogo.

Fogo: Transportes, desinvestimentos no meio rural e votos de equilíbrio no centro das atenções

O Movimento para a Democracia (MpD), governo nos últimos cinco anos, quer dotar a ilha de uma ligação marítima “previsível, frequente, regular, confortável, segura e convidativa”. Mas pretende também continuar a melhorar os transportes aéreos e marítimos, por considerar que a funcionalidade do porto de Vale dos Cavaleiros é “limitada e imprevisível”.

Para a lista ventoinha às legislativas de 18 de Abril, as apostas passam pela realização de um estudo sobre a possibilidade de a ilha ter um porto alternativo. Mas faz questão de salientar que enquanto tal não acontecer tem que se dar à continuidade de investimentos a serem realizados no Porto de Vale dos Cavaleiros, visando criar melhores condições para o seu funcionamento e sua modernização.

Mas os desafios da equipa liderada por Filipe Santos não ficam por aí. Conforme defende, a iluminação da pista do aeródromo de São Filipe, prometido em 2016, não foi concretizada, mas a candidatura do MpD quer que o Fogo seja uma ilha com a elevada conectividade aérea. Por isso, além da iluminação, propõe que esta infra-estrutura seja transformada num aeroporto de médio porte para receber voos nocturnos e garantir melhor acessibilidade.

Ainda no domínio de transporte, o cabeça de lista, Filipe Santos, propõe criar uma rede de teleféricos para atravessar a ilha como meio de transporte e actrativo turístico.

Esta quarta-feira,7, com a presença do presidente do partido, Ulisses Correia e Silva, a caravana ventoinha realizou uma passeata pelas ruas de São Filipe e deslocou-se aos Mosteiros, via Santa Catarina, com pequena paragem na cidade de Cova Figueira. Nos Mosteiros teve uma reunião com a população da localidade de Cutelo Alto e em São Filipe encontrou-se com residentes do Bairro III Congresso.

Já o PAICV considera que o governo do MpD falhou para com a ilha do Fogo e Cabo Verde em todos os sectores de atividade, mas sobretudo no mundo rural ao “desinvestir” neste setor, reduzindo o programa de investimento que era de 3.5 milhões de contos/ano para menos de um milhão de contos.

Os argumentos e as estratégias que a candidatura do MpD quer passar de que não cumpriu as promessas por causa das secas e da pandemia, Eva Ortet contrapõe, desmontando que a seca é um fenómeno que ocorre com frequência em Cabo Verde, sublinhando que um governo que se preze deve, nas situações de seca, trabalhar para demonstrar que conseguiu dar volta à situação.

Para a mesma fonte, também a desculpa de que a pandemia de Covid-19 dificultou o cumprimento das promessas feitas não é aceitável, porquanto a doença chegou a 19 de Março de 2020 e o MpD governou de 2016 a 2019 sem pandemia, com um suposto crescimento de cinco por cento (%) e o dinheiro “que nunca mais acaba”, segundo afirmou o Vice-Primeiro-ministro Olavo Correia.

Eva Ortet critica que, na ilha do Fogo, nem o projecto de abastecimento de água de Inhuco/Campanas de Cima, que beneficia mais de cinco mil pessoas - que o governo do MpD encontrou com todos os materiais necessários nos armazéns na ilha e com financiamento garantido- foi concretizado, lembrando que para a sua implementação bastava “só um pouco de vontade política” do autal executivo de Ulisses Correia e Silva.

Esta quarta-feira, a candidatura do PAICV esteve em contacto porta-a-porta nas localidades de Galinheiro, Salto, Curral Grande e Lém de Baixo. Teve ainda encontros com os eleitores de Galinheiro e Às-Hortas.

A equipa concorrente da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) fixou, por seu lado, como meta para estas eleições a obtenção de dois mil votos de modo a poder eleger, ao menos, um dos cinco deputados da ilha do vulcão.

Nos contatos porta-a-porta o partido, através do seu cabeça-de-lista, Pedro Ribeiro, e de restantes integrantes da equipa, tem transmitido a mensagem e apelado aos eleitores para “voto consciente e equilibrado “ na UCID.

A aposta é sensibilizar e fazer os eleitores entenderem que não devem votar de forma fanática e que o voto é a principal “arma” que o povo possui para fazer valer os seus direitos.

Nos seus contatos, a UCID não se cansa de pedir mais equilíbrio estratégico na divisão dos cinco deputados que a ilha elege para o Parlamento Nacional. Para que possa conseguir tal objectivo, a sua lista precisa de obter pelo menos dois mil votos.

Pedro Ribeiro admite ser uma meta possível de atingir, somando os votos de todos os três concelhos do Fogo. Ribeiro garante que vai trabalhar para defender sobretudo os interesses da ilha e da sua gente e não da UCID.

A candidatura da UCID não programou, nesta quarta-feira, quaisquer ações de campanha no terreno.

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