DESPORTO

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Era um santo até o vil metal... — Biografia de 2 grandes do desporto, em Penafiel e na Praia 19 Setembro 2021

O noticiário português desta semana regista a queda dum benemérito, o dono da Olivedesportos, cognominado "São Martinho de Penafiel" — que à semelhança do santo celebrado a 11 de novembro dava metade do seu para agasalhar o desvalido.
Há 25 anos, como as páginas do ’ASemana’ de 1996 registam, no banco de réu do tribunal da capital sentava-se uma figura admirada do futebol nacional.

Era um santo até o vil metal... — Biografia de 2 grandes do desporto, em Penafiel e na Praia

Segundo a imprensa portuguesa relembra esta segunda-feira, o empresário Joaquim Francisco Alves Ferreira de Oliveira teve o mundo do futebol na mão. Era dono da empresa de equipamento desportivo Olivedesportos — até com representante em Cabo Verde na Praia e Mindelo — mas era exaltado pela benemerência, como patrocinador do desporto.

O mundo do futebol abre portas em Portugal e, através dele, o empresário aventurou-se no negócio dos media. Os bancos (entre outros, o Millennium BCP e o Novo Banco) colocaram-lhe dinheiro nas mãos. O empresário milionário benemérito do futebol atingia em 2005 o pico da montanha dos negócios, segundo noticiava o Semanário Económico.

Até há dois anos. Depois de anos a saltar de financiamento em financiamento, Joaquim Oliveira cidadão de Penafiel, no distrito de Braga, avançou para a insolvência da Controlinveste SGPS. Em julho de 2019 o Jornal de Negócios destacava a falência, com uma dívida a rondar os 750 milhões de euros (mais de 80 milhões de contos).

Agora, aos 74 anos, o milionário benemérito tem o DCIAP-Departamento Central de Investigação e Ação Penal de Portugal a investigar os contornos da insolvência da Controlinveste. O benemérito do desporto está a braços com a justiça, quiçá na iminência de ir preso — como Armando Vara, o primeiro dos grandes poderosos a ir parar à cadeia, antes dos presidentes do Benfica, por exemplo.


Estádio teve o seu nome, foi-lhe retirado e está aí de novo

As páginas do ’ASemana’ de 1996 registam a crónica do julgamento do astro da década de 1960 e figura admirada ainda dos rapazes e meninas do seu tempo, que tinha alegadamente por amor duma jovem caído em desgraça. Além dos presentes por dever, os demais eram curiosos que enchiam o tribunal da capital.

No banco, de réu por mau uso do dinheiro público, estava esse astro do futebol, cujo nome orna o estádio municipal. Colocado, retirado e recolocado num regresso três décadas depois, silencioso, discreto (a emular a discrição da sua retirada). A placa há meia década que está de volta, repondo o nome que ostentou até à entrada do terceiro milénio.

A crónica jornalística do sexagenário de 1996 terminou no dia em que foi lida a sentença e o réu condenado seguiu para São Martinho. Acompanhado da compaixão de muitos, talvez numericamente igual aos que aplaudiram a sentença. Anos depois, paga a dívida à sociedade voltou livre — mas por pouco tempo que a vida tem prazo.

— -
Fontes: DN.pt/Sport TV/AS. Fotos: 1ª e 2ª: O São Martinho da cidade de Penafiel, real e também em caricatura. 750 milhões de dívidas tanto pode ser mau tino no negócio equivalente a uma queda moral (Calisto, o anjo caído de Camilo) ou por gosto (como a cônjuge de Calisto rendida às modistas de Penafiel). 3ª e 4: O Estádio Municipal da Praia de longe; de perto em 2011 retirada a placa e ainda sem a sua reposição atual.

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade


  • Mediateca
    Cap-vert

    Uhau

    Uhau

    blogs

    publicidade

    Newsletter

    Abonnement

    Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project