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Em deriva predatória, pitbulls matam dona 10 Janeiro 2018

O cão, fiel amigo proverbial, dá a vida pelo dono. Tipicamente é pois inimaginável um cenário em que o cão pudesse matar o próprio dono (ao contrário do proverbial "gato mata até dono"). Daí a grande perplexidade com que foi recebida a notícia, difundida esta quadra festiva, da morte da americana Bethany Stephens, após ser atacada pelos seus dois pitbulls, fieis amigos durante a maior parte dos seus 22 anos. O caso saltou fronteiras e está a suscitar análises de veterinários e caninólogos um pouco por todo o mundo. De modo especial, nos países onde os direitos dos animais são já um dado adquirido e até fazem ganhar eleições — como se viu nas últimas legislativas em Portugal.

Em deriva predatória, pitbulls matam dona

No dia 14 de dezembro, Bethany saiu para passear os cães numa mata. Não regressou a casa e o pai deu o alerta junto do departamento do condado de Goochland, uma área rural do estado da Virgínia, que integra a região metropolitana da capital dos Estados Unidos.

As buscas do xerife e equipa conduziram-nos a um cenário macabro no coração da mata: a jovem jazia morta, após ser atacada pelos próprios cães. E para cúmulo, como descreveu o xerife, "vi, como viram os meus quatro colaboradores, que os cães estavam a devorar a caixa torácica da vítima".

Em deriva predatória

Especialistas em comportamento animal e em especial dos caninos têm, desde o trágico acontecimento, procurado explicar o que se passou.

A deriva predatória (“predatory drift”), que explica o facto de muitas vezes se presenciar uma brincadeira entre cães que de súbito deriva para a agressão, tem sido uma das hipóteses explicativas avançadas.

Embora ainda não esteja suficientemente estudado o fenómeno que desvia a brincadeira para a agressão, acredita-se que o comportamento seria uma sobrevivência da etapa selvagem dos animais da espécie canina, que a humanidade terá começado a domesticar há 1200 anos — como explica a literatura especializada.

Outras hipóteses avançadas podem não excluir a deriva predatória, mas reforçá-la. "Deve ter havido um estímulo que despoletou a resposta agressiva". A hipótese mais consistente é a de "uma súbita mudança na vida doméstica dos cães", refere a veterinária Liz Slatow, da Universidade da Califórnia-Davis.

"Só uma tempestade de acontecimentos na vida doméstica dos cães poderia ter conduzido a tal desfecho", segundo a International Association of Animal Behavior.
Fontes: Washington Post, sites e literatura referidos.

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