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EUA-México: Massacre de 6 crianças e 3 mães mórmones — Alegadas vítimas de guerra de narcotraficantes 08 Novembro 2019

Um ataque, na segunda-feira, 4, alegadamente por operacionais do cartel ’La Linea’ filiado no cartel de La Moncloa, contra uma caravana de três veículos com 17 pessoas — membros de uma família extensa, que viajavam dos Estados Unidos da América para o México —, matou nove e deixou cinco crianças feridas, três delas com gravidade.

EUA-México: Massacre de 6 crianças e 3 mães mórmones — Alegadas vítimas de guerra de narcotraficantes

As vítimas mortais são as mães Rhonita, de 30 anos, Christina, de 29 anos, e Dawna, de 43 anos — estas duas, ao alto na foto — e seis crianças com idades entre os catorze anos e sete meses. Foram alvejadas antes de queimarem os três veículos, apanhados numa emboscada no estado mexicano de Sonora, a sul da cidade texana de Tucson.

A caravana de três veículos eram conduzidos por Rhonita, mãe de sete filhos, quatro dos quais morreram, por Dawna, mãe de nove filhos (segundo outros relatos de sete filhos), dois dos quais morreram, e por Christina, que viajava só com a única filha bebé, que sobreviveu.

Os oito sobreviventes têm idades entre os catorze anos e os seis meses. Cinco deles estão hospitalizados nos Estados Unidos, entre os quais três com ferimentos graves. Os cinco, todos filhos da falecida Dawna, foram na companhia do pai levados de helicóptero até à fronteira onde os esperava um outro helicóptero para um hospital no Arizona.

As autoridades, cinco dias depois, afirmam que são um ou mais grupos armados ligados aos cartéis da droga mexicanos os perpetradores do massacre.

O motivo, esse continua obscuro. Tanto pode ser pelo alegado ativismo anti-crime da comunidade Le Barón, como por "guerras da água" que por vezes ressurgem entre as famílias que vivem da agricultura. Famílias apoiadas pelos cartéis?

Rapaz, 13 anos, andou seis horas a pé para encontrar socorro

O filho de Dawna, Devin, de 13 anos, escondeu os seis irmãos sobreviventes num matagal e cobriu-os com ramos.

Devin fê-los prometer que não se mexeriam até ele voltar. Mas a irmã Kylie, de 14 anos, ferida num pé com uma bala, ao fim de horas sem vê-lo regressar, mandou a irmã de nove ir buscar ajuda.

Entretanto Devin percorridos 16 km chegou à Colónia Le Barón, às 17H30, seis horas depois da emboscada. Pelo caminho, encontrou o carro incendiado onde estavam os quatro primos e a tia Rhonita.

Os homens da Colónia Le Barón armaram-se para se dirigir ao local do massacre onde ainda havia sete crianças vivas, mas ao ouvir tiros na montanha ficaram à espera de reforços policiais e militares.

Assim, segundo justificou Julián LeBarón — o líder da comunidade religiosa e unidade agrícola (foto à esqª, em baixo —, foi só duas horas depois, às 19H30, que encontraram cinco das seis crianças que Devlin deixara escondidas.

Havia mais uma sobrevivente: a bebé Faith estava viva no carro conduzido por Christina. O veículo estava carbonizado e cravejado de balas, o corpo da condutora estava irreconhecível, mas a filha, de seis meses, sentada no porta-bebés nada tinha sofrido.

Mckenzie, de 9 anos, andou quatro horas perdida no escuro até ser encontrada às 21H30, após uma batida que juntou soldados e habitantes dos povoados próximos.


Colónia LeBarón

Esta não é a primeira vez que a família extensa — os LeBarón que em 1924 emigraram dos Estados Unidos para o México, em dissidência com a Igreja de Jesus Cristo dos Últimos Dias, e hoje são cerca de três mil membros, muitos deles binacionais — é alvo dos cartéis da droga.

Em 2009 Benjamin LeBarón, de 32 anos, e o cunhado Luis Widmar, cada um pai de cinco filhos pequenos, foram assassinados, alegadamente pelo cartel, que entrou na "Colónia Le Baron", uma unidade agrícola (foto à esqª, em baixo), em Chihuahua.

Motivo? Dois meses antes, o rapto do irmão mais novo, Eric LeBaron, de 16 anos, levara Benjamin a tornar-se um ativista anti-crime. O seu alvo eram os cartéis da droga locais, contra os quais incentivava a comunidade local a levantar-se.


Trump oferece assistência, López Obrador agradece mas recusa

O presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador respondeu, na quarta-feira, 6, ao tweet em que Trump oferece apoio na investigação ao massacre.

"Agradecemos e vou entrar em contacto com o presidente. Mas acredito que esta é responsabilidade do México e que conseguimos fazer a investigação".

A recusa de López Obrador está a ser recebida de maneiras opostas. Para uns é a atitude correta no momento em que Trump, sob ameaça de destituição, quererá tirar proveito político da situação. Para outros, é a prova da corrupção do poder político que manterá relações com os cartéis.

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Fontes: CNN/Telemundo.com/AP Foto central: Morreram a mãe, Rhonita Maria Miller, e quatro dos sete filhos — os gémeos Titus e Tiana, de 7 meses, o primogénito Howard Jackob, de 12 anos, e Krystal, de 10 anos. Não viajavam com ela os filhos de 11 anos, 9 anos e de 30 meses e o marido, Howard Miller, na foto, que tinha ficado no Dakota do Norte, EUA.

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