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EUA: Exército em Cabul matou 10 inocentes por erro: "Pensaram ser explosivos, mas era só água", apurou o NY Times 15 Setembro 2021

Oito horas antes de morrer, no dia 29, e com ele sete crianças e dois adultos, todos da mesma família, o engenheiro Ahmadi, de 43 anos, tinha começado o que seria mais um dia típico na capital afegã onde metade da população passa fome. Nunca soube que estava sob intensa vigilância do Exército dos Estados Unidos, como terrorista suspeito, que os bidões de água seriam tomados por explosivos e que isso foi a terrível sentença de morte — que o Pentágono anunciou horas depois como uma "operação de sucesso" sobre "uma ameaça iminente" aos soldados no aeroporto de Cabul.

EUA: Exército em Cabul matou 10 inocentes por erro:

Sete crianças e três adultos foram as vítimas do ataque de míssil dos EUA, após o Exército interpretar mal que lhes mostrava a vigilância por satélite, na sua operação que tinha como alvo destruir a ameaça ao aeroporto de Cabul, após o ataque djihadista (do IS-K) que duas semanas antes fez mais de 180 mortos e centenas de feridos.

Oito horas antes de morrer, Ahmadi saiu de casa. Deu boleia a colegas, trabalhou no escritório (1ª foto) antes de dirigir-se à esquadra e obter a autorização para ir fazer a distribuição de ajuda alimentar (2ª foto, em baixo)por Kabul e arredores.

Ahmadi trazia os habituais vasilhames vazios que no final do dia voltam à casa cheios da água que falta nos domicílios da capital afegã cheia de carências.

Nunca soube que os recipientes de água tinham-se tornado o foco da atenção do Exército americano que ia desencadear a tragédia que ia ocorrer daí a horas.

Eram de água, mas para os vigilantes do Pentágono tornaram-se contentores de explosivos.

Um erro brutal

"Isto é um erro brutal, um ataque brutal baseado em informação errada", disse entre lágrimas um dos sobreviventes, Ramin Yousufi, primo dos adultos e tio das crianças. "Porque é que mataram a nossa família, as nossas crianças? Elas estão tão carbonizadas que não podemos identificar os corpos as faces".

Outro sobrevivente Emal Ahmadi, pai da mais pequenina (foto mais à direita) contou à BBC que toda a família estava à espera duma chamada para se dirigirem ao aeroporto, garantido que estava o seu pedido de asilo nos Estados Unidos, graças à colaboração de quatro das vítimas adultas.

Ahmad Naser (1ª foto em baixo) trabalhou como tradutor para o exército americano, outros membros trabalharam em organizações internacionais e por isso tinham vistos para os Estados Unidos.

O Exército dos Estados Unidos alegou que o seu alvo foi identificado com base num veículo utilizado por um terrorista do Estado Islâmico associado ao ataque de quinta-feira no aeroporto de Cabul/Kabul que causou mais de 170 mortes e inúmeros feridos.

Perante esta denúncia de que alvos civis foram atingidos, as autoridades americanas garantem que vão "realizar uma investigação para apurar os factos que resultaram nesta tragédia".

Pentágono promete investigar

"Acreditem-nos: não há um exército no mundo que se esforce tanto para evitar atingir a população civil", disse o porta-voz do Pentágono, John Kirby, em conferência de imprensa esta segunda-feira quando confrontado com os relatos de que há vítimas civis devido à "operação de sucesso contra um alvo que ia atacar o aeroporto de Cabul".

"Nenhum de nós quer perder vidas inocentes. Fazemos tudo para não atingir civis, tomamos todas as precauções. E se a investigação mostrar que causamos a morte de inocentes durante as nossas operações temos de ser transparentes sobre isso."
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Fontes: NY Times/BBC/Reuters. Fotos (captadas de ecrã BBC): Dez vítimas com visto para os Estados Unidos. (NY Times). Mapa do itinerário: 1. Nasser Ahmadi sai de casa às 9 H. 2 e 3. Apanha colegas de trabalho. 4. Dirige-se à esquadra e obtém a autorização para ir fazer a distribuição de ajuda alimentar. —

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