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EUA: Doente de cancro terminal leva Monsanto a tribunal por causa de glifosato em herbicida Roundup/Mata-Mato 10 Agosto 2018

Dewayne Johnson, de 46 anos, foi ao tribunal, em San Francisco, Califórnia, esta terça-feira, 7, para depor que está a morrer devido a um linfoma provocado por glifosato em herbicida produzido pela multinacional Monsanto.

EUA: Doente de cancro terminal leva Monsanto a tribunal por causa de glifosato em herbicida Roundup/Mata-Mato

A multinacional bioquímica Monsanto está desde 9 de julho sentada no banco dos réus, acusada de ocultar deliberadamente o efeito cancerígeno do glifosato utilizado nos herbicidas e outros produtos agrícolas.

Dewayne Johnson é o primeiro, dentre milhares de utilizadores doentes, que vê o seu caso contra a multinacional a ser julgado em tribunal. Isto graças à lei da Califórnia que obriga a iniciar o processo judicial antes da morte do queixoso. “Já sei que não vou melhorar”, diz o quadragenário a quem os médicos prognosticaram que não viverá mais de dois anos.

É lento o tom de voz deste jardineiro, que a doença envelheceu, segundo depôs a esposa Aracelli. Mas Johnson expressa convicção quando diz: “«Tenho de lutar contra a doença», foi o meu primeiro pensamento quando fui diagnosticado em 2014, com um cancro incurável do linfoma”.

“Como responsável da luta contra os daninhos", ervas, ratos e esquilos, "desde 2012, vaporizava por vezes várias centenas de litros de Roundup e Ranger Pro”. Ambos os herbicidas fabricados pela bioquímica Monsanto contêm glifosato, substância suspeita de ser cancerígena. Mas esse perigo tem sido sempre negado pela marca.

Há dois anos deixou de poder trabalhar e é a mulher que agora sustenta sozinha a família de quatro, com dois filhos de 13 e 10 anos. A Aracelli a teve de arranjar mais um emprego à noite para poder pagar as contas, cada vez mais altas devido aos medicamentos para Dewayne, contaram ambos em tribunal.

“Gostava muito do meu trabalho, levava-o muito a sério”, depôs Johnson sobre o seu trabalho de exterminador de roedores e ervas daninhas nos hortos escolares da cidade de Benicia, a noroeste de San Francisco.

A Monsanto até agora conseguiu ganhar os milhares de processos contra si, e tem conseguido defender o glifosato contido no herbicida vendido sob o nome comercial Roundup nos Estados Unidos, e Mata-Mato no Brasil (ambos estarão eventualmente ao alcance dos utentes em Cabo Verde, mas desconhece-se a extensão do seu uso entre nós, já que aparentemente não surge nos circuitos comerciais formais).

Estudos e posições contraditórios

Os grupos ativistas pela interdição do uso do glifosato têm mostrado estudos sobre os efeitos nocivos sobre a saúde, como o aumento da incidência de certos tipos de cancro e alterações do feto por via placentária (entre elas, a microcefalia). Também pode causar danos aos sistemas cardiovascular, gastrointestinal, renal, nervoso e respiratório, além de que tem efeitos bacteriogénicos afetando a reprodução da flora intestinal.

A OMS-Organização Mundial de Saúde com base em estudos dos últimos anos classificou o glifosato como “cancerígeno provável” desde 2015. Mas a EFSA (segurança alimentar) e a ECHA (segurança de produtos químicos) discordam e apoiam o uso da substância.

Fontes: Le Monde/NYTimes/DW

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