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Donald Trump “ditou toda a carta. Não escrevi essa carta” sobre estado de saúde do candidato à Casa Branca, assegurou médico Harold Bornstein 03 Maio 2018

A "Atualidade" vira "Mundo Insólito" quando a notícia é sobre o quadragésimo-quinto presidente dos EUA. Desta vez é o médico pessoal de Donald Trump ao longo de quatro décadas que confessa à cadeia de televisão ’NBC News’, esta terça-feira, 01, que a carta por ele assinada em 4 de dezembro de 2015 foi ditada pelo próprio candidato à Casa Branca.

Donald Trump “ditou toda a carta. Não escrevi essa carta” sobre estado de saúde do candidato à Casa Branca, assegurou médico Harold Bornstein

Entrevistado neste primeiro de maio, Bornstein, o médico pessoal de Donald Trump desde 1980 até à sua entrada na Casa Branca, fez revelações espantosas sobre a carta hiperbolicamente laudatória sobre a resistência física e saúde do então candidato presidencial.

"Foi o próprio que ditou a carta", pelo telefone e depois mandou ir buscá-la ao consultório do seu segundo médico da "dinastia" Bornstein. Harold, formado em 1975, herdou o consultório e a clientela do pai, Jacob, em 1980.

O atestado sobre a saúde do candidato à Casa Branca abunda em adjetivos superlativos: "os resultados das análises clínicas são surpreendentemente excelentes" e DT "será o presidente mais saudável de entre todos os que foram eleitos para a presidência", lê-se no relatório publicado em fins de dezembro de 2015.

O médico confessou que "o sr Trump ditou a carta e eu tinha de lhe dizer o que é que não podia constar". O candidato, ao ser questionado sobre o facto de aos 70 anos ser o mais velho candidato de sempre à presidência, disse que ia mostrar o seu "relatório médico completo" e predizia que este ia atestar que ele estava "em perfeita saúde". Assim foi, como tuìtou na madrugada de 3.12.2015, salvo pelo prazo de duas semanas que previa então, afinal reduzido a pouco mais de 24 horas já que o atestado em apreço é datado do dia seguinte.

A questão da autenticidade da carta fora suscitada desde a sua publicação, dois dias depois de Trump ter sido desafiado. Muitos estranharam o "tom nada científico", "narcisista, cheio de hipérboles".

Motivo para Bornstein falar? Medo?

O que terá levado o médico a fazer estas novas revelações, ainda não é claro, considera a BBC na sua edição desta quarta-feira, 2.

A explicação poderá, todavia, ser extraída da entrevista de 1/5 à NBC. A dado momento da conversa televisiva, um Bornstein emotivo revela um episódio ocorrido em fevereiro de 2017 que o fez sentir-seu “violentado, aterrorizado e triste”.

O médico contou que "elementos próximos do Sr. Trump", entre os quais um guarda-costas do chefe de Estado e um advogado da ’Organização Trump’, entraram no seu gabinete em fevereiro de 2017 e "foi o caos". Levaram todos os registos médicos relacionados com o seu até aí paciente.

“Eles estiveram cá uns 25, 30 minutos”, disse Bornstein. “Como é que se sentia se cuidasse de uma pessoa durante mais de 35 anos e depois” ele envia os seus para “roubar o consultório”?, questionou o médico na entrevista à NBC News.

No mesmo dia, a Casa Branca rejeitou estas alegações do médico: a porta-voz Sarah Huckabee-Sanders afirmou que se tratou de um "procedimento normal". Uma simples "transferência de ficheiros para a unidade de Saúde da Casa Branca".

De super médico residente a ’ministro dos Veteranos’ e... (simples) médico de novo

O médico Bornstein, que "cuidou de Trump durante mais de 35 anos" e até foi convidado com a esposa Melissa para a cerimónia de empossamento, foi pois substituído no mês seguinte, aliás de acordo com a tradição de serem militares os médicos residentes da Casa Branca. Mais questionável é a transferência dos ficheiros do paciente sem aviso prévio.

Um "procedimento normal" insistiu todavia a Casa Branca, na quarta-feira, 2. O último médico residente titular ao serviço do presidente, Ronny L. Jackson, entrou em 2013. Esteve ao serviço de Obama quatro anos, sem qualquer relevo. Com o presidenteTrump, a relação chegou à estratosfera.

o coronel-médico Ronny Jackson declarava, em janeiro do corrente, que Donald Trump, de 71 anos, tem uma "excelente saúde”. Comprovava-o "a visita médica de hoje do Presidente ao hospital militar nacional de Walter Reed" que " decorreu extremamente bem. O Presidente goza de excelente saúde".

Trump nomeou-o para a importante Secretaria dos Assuntos dos Veteranos, menos de três meses após a declaração. Em 28 de março, foi nomeado como médico residente por substituição o tenente-médico Sean Conley.

Na semana passada, Ronny Jackson foi alvo de tal escrutínio mediático – com os ’media’ a exporem comportamentos profissionais pouco éticos do médico, como a prescrição abusiva de fármacos e alcoolismo — que foi forçado a desistir da nomeação para o cargo de secretário dos Assuntos dos Veteranos.

Voltou a integrar a unidade de Saúde da Casa Branca, mas foi afastado do importante cargo de médico do presidente — por enquanto sem titular.

Fontes: BBC/NBC News/CNN. Foto (NYMag) do médico no consultório com o seu paciente, "herdados" do pai. Bornstein é, devido aos longos cabelos, alcunhado "nostálgico do movimento hippie".

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