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Dia da Língua Materna: Linguista Dominika Swolkien defende oficialização de crioulo ao lado do português 21 Fevereiro 2021

Assinala-se hoje,21 de Fevereiro, o dia Internacional da Língua Maderna. A linguista, docente e investigadora da Universidade de Cabo Verde, Dominika Swolkien, defende que a data deve servir para se refletir na extraordinária diversidade linguística existente no mundo e também para « pensarmos, de forma crítica, na situação da língua materna em Cabo Verde», com destaque «para a sua oficialização» e« introdução no sistema de ensino, ao lado do português».

Dia da Língua Materna: Linguista Dominika Swolkien defende oficialização de crioulo ao lado do português

Celebra—se hoje,21 de Fevereiro, o dia Internacional da Língua Maderna. O Dia em que se pretende proteger e honrar todas as línguas faladas no mundo, as tradições, as culturas e as diversidades linguísticas de cada país. Proclamada pela UNESCO em 1999 e reconhecida formalmente pela Assembleia Geral das Nações Unidas, esta efeméride é comemorada anualmente a 21 de fevereiro.

Em Cabo Verde, a língua materna é o crioulo cabo-verdiano que ainda não foi oficializado. Entretanto, esta data, segundo a linguista, docente e investigadora da Universidade de Cabo Verde, Dominika Swolkien, deveria ser aproveitada não só para celebrar, como também para refletir sobre algumas questões. “Hoje é um dia para celebrar e pensar na extraordinária diversidade linguística existentes no mundo. Também, para pensarmos, de forma crítica, na situação da língua materna em Cabo Verde. É sempre uma excelente oportunidade para insistirmos na sua plena oficialização e na sua introdução no sistema de ensino, ao lado do português, e na necessidade de produção de textos literários e de trabalhos científicos”, expressou.

Em Cabo Verde há nove ilhas habitadas e cada uma delas tem a sua variedade linguística do crioulo cabo-verdiano. Todas têm as suas especialidades e contribuem, de forma importante, na cultura cabo-verdiana. Por isso a preservação e estudo dessas variedades da língua materna são extremamente importantes. Quem fala sobre essa riqueza é o empresário Patone Lobo, dono do emblematico Hotel Odjo D’água, na ilha do Sal. “As variantes do crioulo cabo-verdiano enriquecem a cultura cabo-verdiana, porque o que abunda não prejudica. Acredito que, com o tempo, essa questão de variedades estará organizada”, avançou.

Já Alicia Delgado, uma jovem salense, considera que este é um dia para se refletir acerca da oficialização do crioulo cabo-verdiano e sobre a questão da problemática das variedades linguísticas em Cabo Verde, pois, segundo ela, cada variedade do crioulo cabo-verdiano guarda uma memória, uma parte da nossa cultura e uma maneira diferente de se viver no mundo. “Todos os idiomas do mundo são importantes, inclusive o crioulo cabo-verdiano, e todas as suas variedades, mesmo quando falado somente por um grupo reduzido”, reiterou.

Em entrevista ao Jornal Asemana, Dominika Swolkien, acredita que ainda é preciso fazer muito mais para a valorização da língua materna de Cabo Verde.

Revisão constitucional e promoção do crioulo

Segundo esta investigadora e docente da UNI-CV, há pelo menos três pontos que deveriam ser levados em consideração, quando se fala da valorização do crioulo cabo-verdiano. “Em primeiro lugar, acredito que se deve fazer uma revisão constitucional para oficializar a língua cabo-verdiana a par da língua portuguesa. Quanto ao aspeto educacional, é necessário introduzir a língua materna no ensino, ao lado da língua portuguesa. Deveria ser criada uma disciplina da língua materna para que os cabo-verdianos possam ter os conhecimentos básicos da gramática do crioulo cabo-verdiano. Os alunos deveriam conhecer as diferenças existentes entre as variedades linguísticas em Cabo Verde, tanto na pronúncia como na estrutura, saber um pouco da história da língua. Existem várias gramáticas e estudos publicados do cabo-verdiano, porém muitos cabo-verdianos não os conhecem”, reiterou.

Dominika Swolkien aproveita ainda para deixar duas sugestões: “Penso que o
Instituto do Património Cultural poderia criar um programa de documentação e estudo das diversas variedades do crioulo cabo-verdiano. Especialmente para gravar e filmar pessoas que falam as variedades rurais, porque estas variedades estão a desaparecer e é urgente registá-las para as gerações futuras”, concluiu.

«A investigadora defende ainda que a imprensa nacional deveria ter uma linha editorial destinada à publicação da literatura em crioulo cabo-verdiano, assim como aos estudos científicos”, expressou.

Cláudio Andrade, um jovem trabalhador e músico, sugere, por seu turno, que o Governo deveria investir mais em projetos culturais e introduzir a língua cabo Verdiana nas escolas.

Segundo os dados da Organização das Nações Unidas para Educação, o mundo tem mais de 7000 línguas e 43% estão em risco de desaparecer, pois 40% da população do mundo não têm acesso à educação na língua que falam ou entendem.

Luciana da Cruz/Redação

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