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Davos 2020: "Canalizadores" russos com passaporte diplomático eram ... espiões 22 Janeiro 2020

O título requer uma explicação: houve uma tentativa de espionagem em Davos — resort de esqui e desde 1971 sede do Fórum que reúne líderes empresariais e políticos de todo o mundo — que a polícia local pôde travar, segundo o jornal suíço Tages-Anzeiner.

Davos 2020:

A Polícia revelou que os dois homens ao serem abordados para efeitos de identificação, numa operação de rotina, apresentaram o seu passaporte diplomático da Rússia, que lhes concedeu proteção impedindo a polícia de os prender sob a suspeita de que eram falsos canalizadores.

Posteriormente, confirmou-se que os dois homens não tinham sido registados como diplomatas oficiais na capital suíca, Berna. Reforçou-se então a suspeita de que os falsos canalizadores estariam a instalar equipamentos de vigilância em espaços importantes da cidade para espiar a vida privada e as conversas das elites mundiais durante o evento Davos 2020.

Mas contactada pela Reuters, a Embaixada da Rússia em Berna desmentiu a reportagem do diário Tages-Anzeiner. O porta-voz da missão diplomática afirmou que dois diplomatas russos com acreditação fora da Suíca tinham sido identificados pela polícia sem qualquer incidente.

"Os passaportes diplomáticos só são concedidos a funcionários de alto escalão, não a trabalhadores manuais", disse o porta-voz que acrescentou: "Acredito que isso começou como uma piada de mau gosto".

A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, a já internacionalmente conhecida Maria Zakharova, respondeu à Reuters que em Moscovo não têm conhecimento do incidente.


"Os russos estão em todos os países e espiam os seus inimigos"

O investidor anglo-americano William Browder, de 55 anos, que desde 2009 busca justiça para o seu advogado Sergei Magnitsky, que morreu numa prisão russa, não tem dúvida de que a reportagem é fundamentada e que a Rússia está em todo o lado, como disse na terça-feira, 21, à Reuters.

"Os russos estão ativamente a procurar todos os seus inimigos em todos os países". Podem fazê-lo "porque têm vastos recursos", garante o investidor Browder que, segundo o New York times, desde 2004 está na lista dos arqui-inimigos de Putin por ter desafiado os interesses do Estado russo através do Hermitage Fund e desde então não pode entrar na Rússia.

"Não tenho dúvida nenhuma de que estão em Davos também para espiar os seus inimigos". Browder acrescentou que a sua presença no Fórum tem a finalidade de confrontar as autoridades russas responsáveis pela morte de Sergei Magnitsky, detido quando investigava casos de corrupção no aparelho do Estado russo.

A resposta das autoridades judiciais russas é que Browder é suspeito de ter mandado matar várias pessoas, entre elas o seu advogado Sergei Magnitsky, morto aos 37 anos numa prisão russa.

Browder, financeiro nascido nos Estados Unidos e que se naturalizou inglês, replica que o argumento russo é tão absurdo que se torna ridículo.
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Fontes: Referidas. Fotos (Getty): Atiradores posicionados nos telhados, desde a véspera do arranque do Fórum de Davos. LS

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