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Cuba: Fim da ’Libreta’ — "Única fonte de alimentos para muitos" 24 Outubro 2020

Completou meio século há oito anos e está prestes a desaparecer com a reforma monetária em curso na República de Cuba. O presidente Miguel Díaz anunciou na sexta-feira, 16, que a caderneta de abastecimento, que permite adquirir produtos básicos a preços baixos e para muitos foi a "única fonte de alimentos", vai ser eliminada.

Cuba: Fim da ’Libreta’ —

O anúncio do fim da libreta chega ao fim de mais de meio século em que essa caderneta de abastecimento evitou a especulação de preços, permitiu a milhões de cubanos adquirir produtos básicos, desde o arroz e outros cereais, açúcar, feijão, massas, ovos, pão, sal, leite e iogurte para as crianças, e até mesmo tabaco, nas bodegas (as lojas de bairro).

A libreta criada em 1962 por Fidel para racionalizar e "garantir os alimentos necessários a todos os cubanos, independentemente da raça, sexo ou idade" começou a ser posta em causa no governo liderado pelo seu irmão Raúl Castro desde 2008 devido à doença de Fidel.

Raúl, que foi presidente até 2018, tinha já em 2011 apontado o alto custo dessa iniciativa de preços subsidiados que custavam ao Estado mil milhões de dólares por ano.

Além disso, o segundo presidente Castro denunciou a libreta por "desestimular o desenvolvimento", "levar ao comodismo e afastar do trabalho".

Agora o terceiro presidente cubano, cinquenta e oito anos depois, confirma que a libreta tem os dias contados, mas primeiro vem a unificação monetária. Mais uma etapa na evolução da economia de Cuba, propiciada pela eleição de Miguel Díaz-Canel, em 19 de abril de 2018 que marcou o fim do castrismo.

O chefe de Estado cubano não definiu a data, mas disse que os cubanos devem ficar atentos aos próximos anúncios do governo. Esclareceu que a supressão parcial de subsídios irá alterar os preços, mas será acompanhada de elevação de salários e pensões. O salário médio em Cuba é de 879 pesos (CUP), menos de 30 euros

Tranquilizou ainda os que podem vir a estar numa "situação de vulnerabilidade": em tais casos "o governo irá dar apoios".

Unificação monetária

Esta irá eliminar o peso convertível (CUC, criado em 1994 e paritário com o dólar) e a única moeda passa a ser o peso cubano (CUP, equivalente a 3,3 mil CVE).

Covid-19

A República de Cuba, com os melhores indicadores mundiais na Saúde e Educação, demonstrou isso mesmo na atual pandemia de Covid. O país apenas regista 6.258, infeções e 125 óbitos.

Neste momento em que Cuba atravessa uma grave crise económica, por um lado devido ao agravamento das sanções comerciais e financeiras impostas pelos EUA nos últimos anos, por outro devido à perda do apoio venezuelano.

Fontes: Gramma/ DW. Fotos: Libreta cubana existe desde 1962. Presidente Miguel Díaz-Canel anuncia o fim da caderneta.

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