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Crise na Venezuela: Papa admite mediar conflito entre Maduro e oposição 06 Fevereiro 2019

Está a ser destaque do dia que o Papa Francisco não excluiu a possibilidade de o Vaticano fazer a ponte na Venezuela. Mas impõe uma condição: é necessário que as duas partes o peçam.

Crise na Venezuela: Papa admite mediar conflito entre Maduro e oposição

Segundo um despacho da Lusa citado pela TSF, na viagem de regresso dos Emirados Árabes Unidos, o papa confirmou, aos jornalistas, que foi o próprio Nicolás Maduro que lhe pediu para facilitar o diálogo com a oposição venezuelana.

Um pedido, de resto, que foi tornado público.

Revela a mesma fonte que o papa Francisco adiantou que recebeu uma carta de Nicolas Maduro e que ainda não a leu. Mas sublinhou que uma mediação formal deveria ser encarada como um último passo diplomático, acrescentando que outros passos preliminares têm que ser dados pela comunidade internacional.

Sabe-se, no entanto, de acordo com o próprio presidente venezuelano, em entrevista ao canal de televisão italiano SkyTG24, realizada em Caracas, que Maduro escreveu ao Chefe da Igreja Católica a pedir ajuda: "disse-lhe que estou a serviço da causa de Cristo (...) e, nesse espírito, pedi a sua ajuda no processo de facilitação e de reforço do diálogo", acrescentando que espera "receber uma resposta positiva".

Conforme a imprensa, ao longo dos últimos dias, Juan Guaidó têm vindo a reunir importantes apoios internacionais, destacando-se o seu reconhecimento pelos Estados Unidos e por 20 países da União Europeia (UE), incluindo Portugal.

Guaidó promete formar um governo de transição e organizar eleições livres.

"Conciliar, iniciar oportunidades de diálogo, fazemos isso em diplomacia", afirmou o papa Francisco, recordando que tal postura permitiu no passado "evitar que uma guerra pudesse ocorrer" entre o Chile e a Argentina.

Em 1978, o papa João Paulo II conseguiu impor a mediação do Vaticano entre estes dois países que estavam próximo de um conflito por causa de uma disputa territorial (os dois países disputavam então o controlo de ilhas situadas na região do Canal Beagle).

Ainda em declarações aos jornalistas, Jorge Bergoglio recordou que o Vaticano esteve presente na altura em que existiu uma tentativa de estabelecer um diálogo entre o poder e a oposição na Venezuela, processo que decorreu então sob os auspícios do ex-primeiro-ministro espanhol Jose Luis Rodriguez Zapatero, entre finais de 2017 e o início de 2018.

Mas, segundo reconheceu o pontífice, o processo não teve o desfecho desejado.

Crise e Grupo de Contacto

Na quinta-feira passada, a Alta Representante da UE para a Política Externa, Federica Mogherini, anunciou a constituição de um grupo de contacto internacional para alcançar, em 90 dias, uma saída pacífica e democrática para a crise na Venezuela com a realização de eleições presidenciais.

A primeira reunião deste grupo realiza-se na quinta-feira (07 de fevereiro) em Montevideu (Uruguai).

A crise política na Venezuela, onde residem cerca de 300.000 portugueses ou lusodescendentes, soma-se a uma grave crise económica e social que levou 2,3 milhões de pessoas a fugirem do país desde 2015, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), refere a fonte referida.

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