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Covid-19: Retoma de testes com hidroxicloroquina — Estudos contraditórios, cientistas dizem-se ’envergonhados’ 05 Junho 2020

A prestigiada revista médica "The Lancet" anunciou ontem (5ªfª, 4) a retractação de dois dos quatro cientistas que co-autoraram o estudo decisivo para a OMS ter, em maio, suspendido os testes clínicos com hidroxicloroquina para tratar a Covid-19.

Covid-19: Retoma de testes com hidroxicloroquina — Estudos contraditórios, cientistas dizem-se ’envergonhados’

Os co-autores dizem-se "envergonhados" e justificam que o seu trabalho assentou sobre a confiança depositada na "coleta de dados médicos de 96 000 pacientes em 671 hospitais de seis continentes", fornecidos pela empresa Surgisphere sediada em Chicago.

Mas, ao aprofundarem o seu estudo, dizem ter descoberto falhas que procuraram preencher e foi aí que a Surgisphere — empresa de biotecnologia de que um dos co-autores do estudo, o médico-cirurgião Sapan Desai, é o fundador — recusou facultar-lhes todos os dados.

O estudo Hydroxychloroquine or chloroquine with or whitout a macrolide for treatment of Covid-19: a multinational registry analysis/(Hidroxicloroquina ou cloroquina com ou sem macrolídeo para o tratamento da Covid-19: uma análise de registos multinacionais) publicado em 22 último é da autoria dos doutores Mandeep R. Mehra, Sapan S. Desai, Frank Ruschitzka e Amit N. Patel.

Segundo se lê no respetivo website, o estudo — que é baseado em dados clínicos de "internados entre 20 de dezembro e 14 de abril com um resultado laboratorial positivo de SARS-CoV-2" — aponta os efeitos secundários da (hidroxi)cloroquina, que vão das doenças cardíacas até à letalidade.

A conclusão do estudo é que o fármaco antimalárico usado para tratar a Covid-19 "apresenta perigos que ultrapassam os benefícios". Seja administrado só ou com um macrolídeo — grupo de antibióticos que começou por ter a eritromicina como único representante de uso clínico geral por 40 anos. O termo "macrolídeo" (macro, grande e lídeo, círculo) está relacionado com a estrutura, um anel de lactona, de vários membros, ao qual se ligam um ou mais desoxiglicóis" (substâncias desagregadoras).

Esses resultados foram recebido num ambiente sui generis: o da atual atitude divisiva acerca do tratamento da doença do coronavírus com o fármaco cloroquina (e variante hidroxicloroquina), sozinho ou associado ao antibiótico azitromicina (um macrolídeo). O mundo, dir-se-á, divide-se entre promotores e oponentes do antimalárico.

Os promotores mais notórios são, além do controverso epidemiologista francês Didier Raoult, os presidentes dos Estados Unidos e do Brasil.

Trump e Bolsonaro têm feito a atualidade mediática com as suas ações pró-cloroquina, que incluem o confronto senão a irradiação dos cientistas oponentes: Covid-19: Trump anuncia ter 29 milhões de comprimidos de cloroquina, que Fauci "não defende", 07.abr.020); Covid-19 e cloroquina: Sem base científica Bolsonaro decreta uso ampliado com autorização do paciente — Trump que tem ações na Sanofi revela: "Tomo hidroxicloroquina", 22.maio.020; Covid-19: Índia revela que Bolsonaro invocou deus hindu em carta a Modi a pedir cloroquina, 09.abr.020.

Carta-aberta de mais de 100

De imediato à sua publicação, começaram a surgir reações ao artigo. Em carta-aberta ao editor de The Lancet e aos autores, um grande número de peritos pediam a verificação dos dados e metodologias utilizados.

Dois dos quatro co-autores acabaram por renegar o seu trabalho. As duas exceções são os acima referidos Mandeep R. Mehra e Sapan Desai.

O professor da Harvard fez — através da sua porta-voz — um comunicado a defender o trabalho que "foi submetido a uma auditoria científica" e "revisão inter-pares" (peer-review) conduzida "por académicos independentes".

Duvidosa, na aparência?

Segundo o respetivo website, a empresa Surgisphere foi fundada em 2008 na capital do Illinois. Pela apresentação, assemelha-se muito à empresa de biotecnologia, fundada pela "Steve Jobs no feminino", com entrada no ’Board Members’ da Faculdade de Medicina da Harvard, só com a frequência do primeiro ano dum curso universitário que nunca concluiu (Covid-19 é sirene que suspendeu julgamento da "Steve Jobs" Elizabeth Holmes, ré por fraude maciça online, 05.mai.020 ).

A única certeza por ora são as dúvidas — que se espera venham a ser esclarecidas em breve.

Fontes: Referidas/Le Monde. Foto: Em fins de maio, o fármaco antimalárico que alguns defendem no tratamento da doença do coronavírus foi banido em França e outros países, com a notável exceção da Espanha.

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