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Covid-19: Índia revela que Bolsonaro invocou deus hindu em carta a Modi a pedir cloroquina 09 Abril 2020

A Índia como uma das duas maiores fabricantes mundiais do fármaco antipalúdico, está a ter grande demanda mundial, a começar pelos Estados Unidos, onde o presidente Trump tem feito a promoção da ‘hidroxicloroquina’ (variante da cloroquina) como a solução terapêutica para eliminar a infecção por coronavírus. Bolsonaro convidado de honra no ’Dia da República da Índia’ em 26 de janeiro, é o presidente que se segue.

Covid-19: Índia revela que Bolsonaro invocou deus hindu em carta a Modi a pedir cloroquina

A imprensa indiana traz hoje (5ªfª) a público os termos da carta que o presidente do Brasil dirigiu ao chefe do governo da Índia, a pedir o derivado de quinino apontado como solução terapêutica para a doença do coronavírus. Em 25 de março, para atender ao pedido de Trump — que esteve em visita oficial à Índia — Modi levantou a proibição de exportar o fármaco derivado do quinino.

Bolsonaro na carta a Modi “invoca a antiga epopeia de Ramaiana em que o príncipe Rama, Senhor de Hanuman, faz vir dos Himalaias o remédio que salva a vida do irmão Lakshmana”, cita-se no Times of India, The Hindu.

Os media indianos referem que Bolsonaro invoca também Jesus Cristo ao expressar a sua confiança em como “Brasil e Índia vão ultrapassar a crise pandémica dando-se as mãos”, “tal como o Senhor de Hanuman trouxe a cura sagrada dos Himalaias e Jesus curou os que estavam doentes e devolveu a vista a Bartimeu”.

BRICS

Segundo as fontes oficiais (OMS, via website e Worldometers), o Brasil conta hoje (5ªfª, 9) 16.170 casos e 819 óbitos enquanto a Índia conta 5.916 e 189.

No mesmo grupo BRICS, o país mais flagelado foi a China, com um total de 81.802 casos, 3.333 óbitos. Mas o país onde se iniciou o surto viral teve 77.279 recuperados e hoje conta apenas 1.190 casos ativos.

A Rússia conta 10.191 casos e 698 óbitos. A África do Sul regista 1.845 e 18 óbitos.

Cloroquina divide presidente e ministro da Saúde

A demanda mundial do fármaco baseado no quinino explodiu decerto impulsionada pelos tweets laudatórios e pronúncias clamorosas do presidente americano desde há três semanas.

Entretanto a OMS acautela que o uso de cloroquina (e variante hidroxicloroquina) no tratamento da doença do novo coronavírus só deve fazer-se em contexto hospitalar e com as reservas necessárias.

Por diversas razões: o seu uso como antipalúdico ou na terapia de artrites reumatoides e lúpus não é isento de perigos.

Como tratamento de coronavírus, as reservas são ainda maiores: não foi comprovada a sua eficácia, neste momento em que quase tudo está por definir, desde a dosagem correta e o tempo do duração do tratamento, os efeitos secundários, entre outros critérios pertinentes.

Por exemplo, no Brasil o estudo em que se baseia Bolsonaro tem sido objeto de avaliações cautelosas — a começar pelo próprio autor, Marcus V. Lacerda, da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas.

O infectologista Lacerda tratou com cloroquina 81 pacientes em Manaus — capital do Amazonas, Estado que regista à volta de 500 pacientes e 15 óbitos por Covid-19 —avaliou que os mesmos "se beneficiaram discretamente do uso da cloroquina. Note-se a cautela expressa nesse ’discretamente’ e que pode ter passado despercebido ao decisor político.

O uso da cloroquina aparece também como ’pomo de discórdia’ entre o presidente e o seu ministro da Saúde.

Luiz Mandetta foi, no início desta semana, ameaçado de demissão por não alinhar com a visão do presidente a respeito do uso da cloroquina e do distanciamento social na pandemia de coronavírus, reporta a imprensa brasileira de referência (Agência Brasil, Globo, Folha, Estado de São Paulo).

O dissenso entre a visão do presidente está ainda plasmado no artigo científico que Mandeta, médico também, co-assina com variados cientistas de prestigiadas instituições brasileiras, como o Instituto Osvaldo Cruz, a Fundação de Medicina Tropical.

Bolsonaro só recuou, na demissão do seu ministro da Saúde, por pressão dos militares, segundo a Globo.

Fontes: Referidas. Relacionado: Índia celebra 71º Dia da República, Bolsonaro é convidado de honra, 27.jan.020; Foto: A pompa na receção de Modi a Bolsonaro em janeiro. LS

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