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Clube Mindelense: Presidente anuncia ansiedade dos clubes para a retoma da época futebolística 10 Agosto 2020

O presidente do Mindelense diz estar ansioso por um plano de retoma das atividades desportivas em Cabo Verde, a fim de o seu clube poder preparar convenientemente às adaptações que as restrições à pandemia da covid-19 vão obrigar. Daniel de Jesus sublinha que cabem às autoridades sanitárias e desportivas estabelecer as prioridades, mas adverte que os clubes vão precisar de tempo para as adaptações. Por outro lado, o dirigente desportivo dos campeões nacionais em título lembra, nesta entrevista ao Asemanaonline, que “há um número razoável de pessoas que já buscam o seu sustento no futebol” e que, com certeza, poderão ressentir com esta situação.

Entrevista conduzida por: Adão Monteiro Fonseca*

Clube Mindelense: Presidente anuncia ansiedade dos clubes para a retoma da época futebolística

A Semana - A época futebolística 2019-2020 foi atípica por causa da pandemia da cóvid-19, tendo sido interrompida em março e já vão praticamente cinco meses sem competição. Agora há que se preparar para a temporada seguinte, sendo neste âmbito, além da questão da pandemia, a situação do estádio Adérito Sena que se encontra em obras, provavelmente até novembro. Como é que as equipas podem planificar a próxima época neste contexto?

Daniel Jesus Delgado – Obrigado por esta oportunidade que me é dado com esta entrevista para falar do futebol no Mindelo. Devo dizer que a época, que deveria ter terminado agora, foi verdadeiramente atípica, pelos factos já sobejamente conhecidos e referidos e que nos apanhou desprevenidos. A partir daí teremos todos de fazer adaptações, primeiro foram feitas relativamente à questão do término da época transata e prepararmos agora para o futuro.

Respondendo como clube, cabe-nos, portanto, preparar o melhor possível para quando as autoridades sanitárias e desportivas acharem por bem dar ao início da próxima época desportiva, mas não fazemos ideia para quando será. O Clube Mindelense está, no entanto, a preparar para, no dia 1 de outubro, conforme os anos anteriores, dar ao início da época desportiva 2020-2021.

É verdade que essa decisão de quando pode começar a nova época de futebol não depende apenas de nós, mas estamos preparados para quando as autoridades darem o seu aval neste sentido. Estamos aqui ansiosos à sua espera, porque, como sabemos, o dia 15 de agosto era uma dada que foi fixada para a retoma das atividades relativamente a época transata, mas que por decisão da maioria das associações, e que foi aceite pela federação, a época foi dada por finda, com diversos desfechos em cada uma das regiões desportivas. Mas cabe-nos agora a preparar o início da nova época desportiva, sendo certo que não há certeza nenhuma quando ao seu arranque, isto devido à pandemia de covid- 19 no país.

Nós estamos atentas às reações das autoridades sanitárias e desportivas. Temos calendarizado, em princípio, o início dos nossos trabalhos para 20 de setembro ou início de Outubro. Ou seja, conforme as diretrizes das autoridades, iniciaremos a próxima época desportiva no Mindelo.

Será que o trabalho em curso no Estádio Adérito Sena, cujas obras de remodelação prosseguem até Novembro, pode condicionar também o arranque da próxima época futebolística?

- Há realmente a questão do Adérito Sena, cuja obra é bem-vinda e todos ansiamos por isso, mas pensamos que relativamente a esta questão não será um grande problema. O importante é arranjarmos as alternativas que estão à vista de todos e prepararmos para elas. Pensamos que não será um mal maior o trabalho em curso, desde que depois de concluídas as obras venhamos a ter melhores condições para a prática do futebol cá em São Vicente. Achamos que, mais uma vez, os clubes estão em condições de fazer mais este sacrifício. Pensamos que os cinco meses que deram são suficientes para terminarem as obras e se realmente os prazos forem cumpridos em novembro estaremos no Adérito Sena. Até lá, vamos dar ao início do torneio de abertura, que mais não é do que um torneio de preparação. Podemos começar, como disse com as alternativas que temos, e, em nome da melhoria das condições no campo, penso que os clubes, particularmente o Sport Clube Mindelense e a maioria dos clubes de São Vicente, estarão na disposição de fazer mais este sacrifício, na certeza de que futuramente teremos melhores condições para a prática desportiva na Região.

Tendo em conta a presente pandemia da covid-19, há que preparar um plano de retoma das atividades desportivas, tal como foi feito para outros sectores, nomeadamente a nível da economia e dos transportes. Não acha que já não seria a altura para se começar a dar passos para a elaboração de um plano de retoma das atividades desportivas?

- Sim! Como tudo na vida, no desporto e no futebol a pandemia veio deixar também a sua marca, mas sabemos também que o desporto e o futebol são o parente pobre das atividades sociais. De modo que esperando que sejam feitas as prioridades, depois pensamos que no desporto e no futebol serão tomadas medidas porque vão requerer a uma adaptação de toda a gente. É uma situação a qual não estávamos habituados e vamos ter de nos adaptarmos à essa nova realidade, sendo certo que serão as autoridades sanitárias e depois as desportivas que devem fazer um plano de retoma, com todas as diretrizes emanadas e com os planos de contingência. Isto é, com tudo o que teremos de cumprir para retomarmos as atividades desportivas, salvaguardando sempre a saúde pública. Mas convém, e estamos ansiosos por isso, prepararmos convenientemente, porque sabemos que é um setor em que não abundam os recursos financeiros, mas dentro do possível teremos, com certeza, de fazer adaptações. E vamos ver no que isto vai dar, sendo certo que somos, portanto, um futebol amador e que as marcas serão mais profundas. De modo que a vida continua e não é o desporto que vai ficar parado.

Já prevê como é que, no nosso meio, vão ser as provas com as restrições impostas pela pandemia provocada pelo novo coronavírus e as despesas que esta doença pode acrescentar ao nosso futebol?

- Relativamente às questões das contingências e do distanciamento, bem como de outras medidas, pensamos que não vamos ter muitas novidades relativamente a isso porque, como todos sabem, cá em São Vicente a afluência de pessoas ao campo já não era tanta, de modo que no Adérito Sena, havendo lugar para 3600 pessoas, dava para distribuirmos-nos as pessoas sem problema. Já com as obras que vão fazer, como dizem o campo vai ficar com 8000 lugares, teremos ainda melhores condições para nos mantermos o distanciamento social no local.

Quanto às outras questões, como os testes à covid, serão novidades que terão de vir das autoridades sanitárias e desportivas, sendo certo que os clubes não têm condições para suportar os custos dos testes. Pensamos que é aí que entrarão as autoridades, no sentido de apoiarem a retoma das atividades desportivas, porque nesta questão serão as autoridades (governo central e o local) a dizerem da sua justiça, porque é uma atividade da qual já vivem algumas pessoas. Por isso, convém ressalvar esta questão, porque essas pessoas que vivem à volta do futebol, vão, com certeza, ressentir dos impatos negativos das restrições impostas pelo governo, e é conveniente que as autoridades criem condições para que os clubes possam retomar as actividades.
...
* Estagiário no Mindelo

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