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Chineses em Madrid protestam contra bloqueio de 35 mil contas no BBVA que alega aplicar lei contra lavagem de capitais 17 Fevereiro 2019

Mais de mil imigrantes chineses em Espanha – uma comunidade que se aproxima das duzentas mil pessoas nascidas na República Popular da China — manifestaram-se na quinta-feira, 14, no centro de Madrid em protesto contra o BBVA-Banco Bilbao Vizcaya Argentaria que, alegando estar a proceder ao controlo antibranqueamento de capitais requerido por lei, bloqueou as contas de 35.000 clientes da crescente comunidade chinesa imigrada no Reino de Espanha.

Chineses em Madrid protestam contra bloqueio de  35 mil contas no BBVA que alega aplicar lei contra lavagem de capitais

A comunidade chinesa – que regista mais de 195 mil imigrantes (nascidos no país asiático) — organizou-se em Madrid para o protesto diante da sede da Fundação BBVA, numa das mais famosas avenidas madrilenas, o Paseo de Recoletos.

Os cartazes (foto) tinham inscritas reivindicações como “Mães querem comida para os filhos”, “Pensionistas não têm o que comer”, “Trabalhadores estão sem receber”, …

A pressão funcionou, com o apoio de Pequim, refere o El País, e sete representantes da comunidade chinesa local foram de imediato recebidos pela direção da entidade bancária.

Os organizadores da manifestação disseram no dia seguinte ao El País que tinham receado incidentes durante o protesto, mas que tudo decorrera em boa ordem e que atingiram os seus objetivos.

Os representantes dizem ter conseguido até mais do que esperavam. A direção do BBVA “pediu desculpas” além de prometer que na próxima semana espera desbloquear as contas e dar acesso aos depósitos destes trinta e cinco mil clientes.

O elevado número de contas bloqueadas surpreendeu os próprios representantes da comunidade chinesa que se reuniram com a direção do BBVA acompanhados do cônsul Zhu Jiang, relata o diário madrileno referido.

Como expressaram ao diário referido, os organizadores do protesto tinham vindo a receber "mais de mil queixas", mas desconheciam a amplitude do problema. Contactado o BBVA, o El País diz não ter podido confirmar nem desmentir tais números.

Bloqueio na véspera do Ano Novo chinês

O bloqueio, em massa, de trinta e cinco mil contas deu-se entre os dias 1 e 4 do corrente, segundo as fontes do El País. Na véspera, pois, do Ano Novo chinês, o dia mais importante para a comunidade de 195.345 nascidos na China que emigraram para a Espanha.

“O Ano Novo mais triste da minha vida”, contou Huang Dufang, de 33 anos, que trabalha num café e que ficou sem acesso a 1.000 euros de poupança. “Queria fazer uma comida especial com marisco mas bloquearam-me a conta”, disse entre lágrimas. Outros manifestantes como ela foram ao microfone contar, a quem quis ouvir na movimentada avenida, ponto turístico habitual, a sua história triste de Ano Novo sem dinheiro, relatam os media espanhois.

A mobilização de um milhar de imigrantes, segundo números da polícia (que desmente assim os de órgãos como o MSN.com, que refere cinco mil), constituiu um recorde para a comunidade que tem vindo a crescer desde os anos de 1990 –na mesma altura, aliás, que se começou a formar a comunidade chinesa em Cabo Verde.

“É raro vermos a comunidade chinesa na rua, porque é uma comunidade tranquila. Mas a natureza do problema desta vez fez a diferença”, expressou Dawei Ding, o fundador de China FM, rádio em chinês com sede em Madrid.

A cobertura mediática do protesto ficou garantida, com a presença dos meios de comunicação social espanhois, chineses, como a agência noticiosa Xinhua, o Diário do Povo. Entretanto, em Pequim, o ministro dos Negócios Estrangeiros tinha convocado o embaixador espanhol, segundo a imprensa chinesa.

Lei de combate à lavagem

Acusado de discriminar a comunidade chinesa em Espanha, o BBVA defendeu-se citando a lei que o obriga a apurar a origem do dinheiro sob pena de sanções. Por isso, esclarece que o elevado número de bloqueios de contas de chineses não reflete nenhuma discriminação, racial ou de origem dos clientes.

A lei para combater a lavagem de capitais obriga os bancos a policiar os seus clientes, escrevem os media espanhois. Se não o fazem, terão de enfrentar sanções da agência estatal, Sepblac sob tutela do Ministério da Economia, que fiscaliza o cumprimento da lei.

Esta delegação de funções aos bancos, dizem peritos na luta antibranqueamento, propicia “certos abusos nas sucursais, que até chegam a recusar abrir contas a certas comunidades imigrantes”.

O El País refere que as fontes do Ministério da Economia, contactadas para esclarecer o imbróglio que levou o BBVA a bloquear as 35 mil contas da comunidade chinesa, declararam que a Sepblac “não deu quaisquer diretrizes específicas”.

Fontes referidas.

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