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Caso de suposta mega-burla na venda de terrenos na Praia: Advogado de defesa de Arnaldo Silva diz que Ministério Público “está a fazer política” 08 Setembro 2019

O suposto caso de mega-burla (ver este jornal) no Município da Praia conhece novos desenvolvimentos com o advogado José Manuel Pinto Monteiro a afirmar, em defesa do arguido Arnaldo Silva, que o Ministério Público «está a fazer política» no caso em que Silva foi detido por indícios de práticas ilícitas na compra e venda de terrenos na Praia.

Caso de suposta mega-burla na venda de terrenos na Praia: Advogado de defesa de Arnaldo Silva diz que Ministério Público “está a fazer política”

“O Objectivo do Ministério Público está claro”, afirmou, segundo a Inforpress, o advogado de defesa, ou seja, o MP “está a fazer política”, prosseguindo que o procurador-geral da República, Óscar Tavares, “está numa actividade puramente política”, quando pega num processo que foi arquivado por um “dos mais rigorosos” procuradores da praça, Vital Moeda, e o abre “do nada, sem constituir Arnaldo Silva arguido e sem alguma vez ter tido cuidado de ouví-lo, começa logo com a medida de detenção”.

Segundo a mesma fonte, o jurista defendeu ainda que o objectivo do MP é “atingir o presidente de Câmara Municipal da Praia de 2014”, uma vez que estriba a sua argumentação num memorando de entendimento que foi celebrado naquele ano pelo vereador Rafael Fernandes e proprietários de alguns prédios grandes na cidade da Praia.

“No memorando de entendimento que foi celebrado permitiu-se que a câmara municipal vendesse os terrenos para depois pagar aos proprietários”, explicou Pinto Monteiro, sem citar nomes, arrematando ainda que todos sabem quem era presidente da câmara na altura (o atual Primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva) e que é “essa pessoa que o Ministério Público, numa manobra puramente política, pretende atingir”.

Conforme este causídico, depois de quase 20 anos de investigação deste caso, não se sabe que funcionário da câmara foi corrompido para alterar a matriz e para arrancar as folhas do livro, nem que funcionário do Notariado foi corrompido para celebrar os actos e muito menos que funcionário da Conservatória foi corrompido para fazer os tais registos.

“Não entendemos quando se fala em falsificação e de se ter arrancado folhas do livro, quando esses livros estão devidamente guardados no Arquivo Histórico Nacional”, argumentou Pinto Monteiro, completando que a primeira vez que Arnaldo Silva é confrontado sobre este processo cai sobre ele “uma bomba atómica”, que é a detenção, “sem que o Ministério Público tenha quaisquer dados palpáveis sobre o envolvimento de Arnaldo Silva, seja no que for”.

Ainda nas suas declarações, José Manuel Pinto Monteiro afirmou que este caso tem apenas “uma única personagem”, o advogado Vieira Lopes que, segundo disse, tem em curso “essa armação” contra Arnaldo Silva, acusando-o de falsificação, burla e outras coisas.

Tudo isto, explicou, depois de se ter entrado com uma acção de despejo contra Vieira Lopes de uma moradia pertencente a Fernando Sousa na cidade da Praia.

“Foi-lhe metido uma acção de despejo e ele defende que não pagou a renda porque foi advogado de Fernando Sousa que, por sua vez, não o pagou os honorários e por isso não paga a renda da casa onde mora na Praia”, completou.

Mais à diante, José Manuel Pinto Monteiro afirmou que o MP ainda não esclareceu quem são os outros seis suspeitos no caso.

“Uma das medidas tomadas em relação ao Arnaldo Silva é a proibição de contactar com outras pessoas visadas no processo, mas até este momento ainda não nos foi dito quem são essas pessoas”, queixou-se.

Neste sentido, o advogado disse que entregou, na sexta-feira, 06, com um requerimento, pedindo ao juiz para que diga quem são esses outros envolvidos, uma vez que “milhares de pessoas” têm ligado, enviado e-mail, mensagens e visitando o Arnaldo Silva e, por isso, este deve saber quem são estes visados, conclui a Inforpress.

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