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Carta de protesto às autoridades remetida à AJOC: Jornalista Jorge Guimarães manifesta-se desconforto pelo esquecimento a que foi votado 12 Dezembro 2018

Jorge Guimarães foi um dos primeiros jornalistas com formação superior que, antes e imediatamente depois da independência nacional em 1975, deu um grande contributo para a implantação dos órgãos da comunicação social pública em Cabo Verde e o desenvolvimento do jornalismo no país. Foi, entre outras funções relevantes exercidas, director da Rádio Voz de São Vicente/Estúdios do Mindelo da RNCV e Delegado da Comunicação Social em São Vicente (1980-1988), director/fundador da Agência Noticiosa (1988-1991), director-geral da Comunicação Social (1991-1995). Foi ainda membro fundador e 1º. Presidente da Assembleia Geral da AJOC, com 2 mandatos (1990-1992, 1992-1994). Estando evacuado em Portugal para tratamento, Jorge Guimarães critica, em carta dirigida à AJOC, que nunca foi homenageado nem condecorado pelas entidades públicas. «Neste contexto, manifesto, para o registo da AJOC, o meu desconforto pelo ’esquecimento’ a que fui votado, quando das homenagens/condecorações aos jornalistas e técnicos, que estão ou passaram pela Comunicação Social, realizadas, respectivamente, em 2013 ou 2014 e em 2015, esta por ocasião dos 40 anos da independência de Cabo Verde, pelo ex-Presidente da República Pedro Pires e pelo ex-Primeiro Ministro José Maria Neves», fundamenta na carta, que publicamos a seguir.

Carta de protesto às autoridades remetida à AJOC: Jornalista Jorge Guimarães manifesta-se desconforto pelo esquecimento a que foi votado

Caro Colega Alírio, Director do ASemana.

Para constar, encaminho-lhe o texto email que enviei há poucos dias ao Presidente da AJOC, Carlos Santos:

"Estando, por razões de saúde, evacuado, em Portugal, tenho, dentro do tempo disponível, vindo a reflectir o meu percurso de vida, em particular, associado à Comunicação Social!

Neste contexto, manifesto, para o registo da AJOC, o meu desconforto pelo "esquecimento" a que fui votado, quando das homenagens/condecorações aos jornalistas e técnicos, que estão ou passaram pela Comunicação Social, realizadas, respectivamente, em 2013 ou 2014 e em 2015, esta por ocasião dos 40 anos da independência de Cabo Verde, pelo ex-Presidente da República e pelo ex-Primeiro Ministro.

Pela minha longa caminhada ao serviço de Cabo Verde e da Comunicação Social, estranhei muito, na altura, não ter, como os demais colegas, sido contemplado por este gesto oficial de reconhecimento. Alguns colegas manifestaram também essa estranheza. Não reagi, na altura, por não adequar ao meu perfil de discrição e para não me considerar de oportunista.

Fá-lo, agora, nesta fase da minha vida e em processo de aposentação.

Fui o primeiro, senão um dos primeiros quadros de Cabo Verde, com formação superior em Jornalismo datada do já distante ano de 1980.

Passei, sucessivamente, por locutor e produtor da Rádio Barlavento (1973-1974), Rádio Voz de São Vicente (1974-1977 e, depois da licenciatura em jornalismo, jornalista e director da Rádio Voz de São Vicente/Estúdios do Mindelo da RNCV e Delegado da Comunicação Social em São Vicente (1980-1988), director/fundador da Agência Noticiosa (1988-1991), director-geral da Comunicação Social (1991-1995). Membro fundador e 1º. Presidente da Assembleia Geral da AJOC, com 2 mandatos (1990-1992, 1992-1994). Participei, ainda, activamente, em todo o processo de implantação das primeiras acções de legalização dos suportes básicos da Comunicação Social, nomeadamente, estatutos dos órgãos de comunicação, definição de carreiras, estatuto do jornalista, regulamentos.

Passei, depois, a partir de 1995, até agora, a exercer funções mais amplas de comunicação direccionadas para o desenvolvimento das comunidades rurais cabo-verdianas, como especialista em Comunicação para o Desenvolvimento, através de projectos financiados por organizações das Nações Unidas.

Em face disso, a minha profunda decepção por não ser "nem tido nem achado" nesses actos de reconhecimento, creio, por ausência de informação e de assessoria, pelas altas entidades do Estado de Cabo Verde.

A razão do exposto vem no sentido de partilhar, com a nossa organização profissional de jornalistas, o presente manifesto de profundo desagrado e desapontamento, ao não reconhecer, contrariamente aos demais colegas, a minha humilde contribuição à Comunicação Social e que tenho vindo a dar, na área da Comunicação para o Desenvolvimento, por Cabo Verde.

Desconheço a participação da AJOC nesse processo."

A razão do texto não tem absolutamente nada a ver com pretensos interesses apelativos a futuras homenagens, mas apenas um "desabafo" escrito e fundamentado pelo não reconhecimento do Estado, contrariamente a outros colegas da área, ao nosso contributo, na fase imediatamente antes e com a Independência Nacional, à Comunicação Social e para o Desenvolvimento de Cabo Verde!»

Atentamente,

Jorge Guimarães
Membro Fundador da AJOC

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