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Canadá em campanha choca-se com foto “blackface” do primeiro-ministro ... que já pediu desculpa 20 Setembro 2019

O primeiro-ministro Justin Trudeau, cognominado o ‘anti-Trump’ pela sua política liberal, progressista que se destaca na ‘era Trump,’ sofreu um revés na campanha para a reeleição em 21 de outubro. A revista Time estampou na quarta-feira, 18, uma foto de 2001, durante uma festa com o tema ’Mil e Uma Noites’, em que Trudeau aparece com o rosto e mãos pintados de negro retomando a americana ’Blackface’ considerada racista. Na contramão do seu programa eleitoral multicultural e pró-imigrantes.

Canadá em campanha choca-se com foto “blackface” do primeiro-ministro ... que já pediu desculpa

A “blackface” — com que Trudeau se apresentou na festa anual da escola privada em que era professor no ano letivo 2000-2001 — é nos Estados Unidos do 3º milénio rejeitada enquanto "a mais retrógada prática racial dos Estados Unidos" iniciada no século XIX, "para ridicularizar os negros".

Trudeau, que tinha 29 anos na foto a preto e branco, pediu desculpa em conferência de imprensa no mesmo dia da publicação: “Eu não devia tê-lo feito. Devia ter tido mais discernimento e não tive, lamento dizê-lo”.

À pergunta do jornalista se achava a foto racista respondeu: “Sim, foi. Não a considerei racista naquela altura, mas agora sabemos que sim”. O coletivo ‘nós’ entender-se-á como global, já que foram muito mediatizados os sucessivos pedidos de desculpas de figuras públicas em flagrante delito de “blackface”.

“Ai se o ridículo matasse!”

Exemplos recentes de figuras públicas em flagrante delito de “blackface”: o governador democrata da Virgínia, Ralph Northam, a sua homóloga do Alabama, Kay Ivey.

Northam, em fevereiro do corrente, pediu desculpas por surgir de “blackface” no livro de curso da sua Faculdade de Medicina em 1984.

A governadora republicana do Alabama, o estado mais marcado pelas lutas dos direitos civis nos anos de 1960, Kay Ivey, também este ano, pediu desculpas por ter estado de “blackface” em 1967 numa representação na sua universidade, como uma entrevista radiofónica recuperada em 29 de agosto mostra.

Fora dos EUA, a tendência é para reagir com um “Ai se o ridículo matasse!” perante o show mediático que parece feito à medida para desviar a atenção dos problemas concretos dos eleitores.

Legislativas de outubro

A foto surge num momento em que o Partido Liberal está em baixa de popularidade e o candidato Justin Trudeau vê a sua primatura ameaçada.

As sondagens têm mostrado que está taco a taco com o Partido Conservador, do novel líder Andrew Scheer. O liberal Trudeau que em 2015 destronou um primeiro-ministro conservador corre o risco de ser derrubado por um conservador mais jovem.

Como a foto foi parar à Time 18 anos depois

A revista anglófona (amplamente distribuída no também francófono Canadá) explica que a foto lhe foi enviada por um empresário de Vancôver, Michael Adamson.

“Então membro da comunidade de ‘West Point Grey Academy’, Adamson não esteve na festa para o corpo docente, o conselho diretivo e os pais”, explica a publicação. Mais adiante, a Time elabora sobre o facto de que Trudeau ao utilizar a sua docência numa escola pública como bandeira de campanha em 2015 omitiu o seu currículo de docente “numa escola privada, que é a mais cara/ selecta do país”.

Adamson “contou-nos que a primeira vez que viu a foto foi há dois meses, em julho, e sentiu-se no dever de a trazer a público”, remata a Time.

Fontes: As referidas/AFP/CBC.ca/BBC/Le Monde

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