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Cabo Verde promete ser “mais interventivo” na CEDEAO com embaixada na Nigéria 21 Janeiro 2021

Conforme infrmações da Lusa, o Governo cabo-verdiano oficializou a criação de uma Embaixada na Nigéria, justificada com a importância daquele país e para ser “mais interventivo” nas decisões da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que Cabo Verde integra desde 1976.

Cabo Verde promete ser “mais interventivo” na CEDEAO com embaixada na Nigéria

A criação daquela embaixada foi oficializada pelo decreto-lei 6/2021, de 15 de janeiro, promulgado pelo Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, no qual o Governo cabo-verdiano justifica a medida com a “necessidade de se garantir uma melhor cobertura diplomática na sub-região oeste africana” e assim “assegurar uma mais eficaz proteção dos interesses nacionais”.

Destaca ainda que a República Federal da Nigéria é “estratégica para qualquer país da África ocidental”, face “ao seu peso político e económico” na sub-região e por ser o Estado-sede da CEDEAO.

“Tornando-se, por isso, indispensável uma presença permanente e ao mais alto nível de Cabo Verde”, para “incrementar relações bilaterais entre os dois países e acompanhar sistemática e ativamente a evolução do processo de integração regional, assegurando melhor inserção do país na sub-região”, lê-se ainda.

Além disso, o Governo de Ulisses Correia e Silva também diz estar “ciente de que o país deve ser mais interventivo no processo de formação das decisões da CEDEAO”.

A CEDEAO é composta por 15 países situados na região da África ocidental – Cabo Verde, enquanto arquipélago, é o único sem fronteira terrestre com os restantes – e que partilham simultaneamente laços culturais e geopolíticos, mas também interesses económicos comuns.

Além de Cabo Verde, integram a CEDEAO o Benim, Burquina Faso, Costa do Marfim, Gâmbia, Gana, Guiné, Guiné-Bissau, Libéria, Mali, Níger, Nigéria, Senegal, Serra Leoa e Togo.

Antes da criação formal da Embaixada, o antigo presidente da Câmara Municipal de Santa Catarina, ilha de Santiago, Francisco Tavares, foi nomeado embaixador de Cabo Verde na Nigéria em julho de 2020, mas o nome foi criticado no país por ser um “embaixador político”.

Já este mês, o Governo anunciou a sua substituição, justificada com a mudança de estratégia política para a integração do país na CEDEAO e na Zona de Comércio Livre Africana já em vigor. Outra razão que levou o Governo a fazer esse reajuste tem a ver com a necessidade de “defender melhor” a condição de Cabo Verde ser um pequeno país arquipelágico, insular e com um mercado muito reduzido.

“Temos de ter muito cuidado nas negociações e a prudência recomenda uma mudança de estratégia para defendermos melhor os nossos interesses”, afirmou em 06 de janeiro o então ministro dos Negócios Estrangeiros e Comunidades, Luís Filipe Tavares - que pediu a demissão alguns dias depois, devido à polémica nomeação de um cônsul nos Estados Unidos associado à extrema-direita em Portugal -, mas sem indicar quem será o novo embaixador na Nigéria.

O acordo de livre comércio em África cria um mercado único de 1,3 mil milhões de pessoas com um Produto Interno Bruto de 3,4 mil milhões de dólares, o equivalente a cerca de 2,7 mil milhões de euros, e abrange a grande maioria dos países africanos.

De acordo com o Centro de Política Comercial Africana na Comissão Económica das Nações Unidas para África (UNECA), essa zona comercial vai duplicar o volume de trocas no continente em 20 anos, de 15 para 30%, dos bens transacionados no continente até 2040.

A nível dos países lusófonos do continente, o acordo já foi ratificado por Angola, Cabo Verde, Guiné Equatorial e São Tomé e Príncipe, mas Guiné-Bissau e Moçambique ainda não o fizeram.

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