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Cabo Verde precisa redescobrir o valor do legado material e imaterial que herdamos de Amílcar Cabral - Líder do PAICV no parlamento 25 Janeiro 2023

O líder do PAICV destacou hoje, em declaração política no parlamento, que Cabo Verde precisa redescobrir o valor do legado material e imaterial que herdamos de Amílcar Cabral e transformá-lo num recurso estratégico para a promoção e o desenvolvimento destas ilhas. Rui Semedo reforçou ainda que temos tanto para aprender com os trabalhos de Amílcar Cabral e que seria um desperdício enorme não aprofundar os nossos conhecimentos sobre o seu legado teórico e prático.

Cabo Verde precisa redescobrir o valor do legado material e imaterial que herdamos de Amílcar Cabral - Líder do PAICV no parlamento

Conforme destacou o deputado e líder do maior partido da oposição na sessão parlamentar deste mês que arrancou hoje e termina no dia 27 de janeiro, Amílcar Cabral já era, como o é hoje, a força das suas ideias, a grandeza dos seus propósitos e a dimensão das causas por que lutara.

Só a grandeza e a projeção das suas ideias podem justificar a continuação, bem-sucedida, da luta para a libertação dos dois países com que sempre sonhou ver livre de todas as amarras e independente de todas as forças”, pontuou.

Semedo realçou que só assim também se compreende a atenção que a sua produção teórica vem merecendo no plano externo, com trabalhos produzidos por mais de uma centena de renomados investigadores de prestigiadas universidades em praticamente todos os continentes.

“Universidades e Investigadores dos Estados Unidos da América, de vários países da Europa, designadamente, Itália e Alemanha, da África, da Ásia como o Japão, ou mesmo no Líbano ou no Israel, já se dedica, com profundidade, ao estudo do acervo de materiais produzidos por Amílcar Cabral”, apontou.

A mesma fonte faz questão de realçar que pode dizer-se até que estamos perante uma espécie de contradição quando Cabral é mais estudado lá fora de que nos próprios países (Guiné Bissau e Cabo Verde) para o qual lutou e empenhou a sua própria vida.

“Pode se compreender pelo facto desses países terem uma tradição académica e de investigação muito mais enraizada e consolidada, mas não deixa de nos interpelar e alertar para a existência de uma grande lacuna, que ainda, entretanto, estamos a tempo de colmatar”, justificou.

Rui Semedo reforçou que no assinalar do cinquentenário do desaparecimento de Cabral vários eventos tiveram lugar para lembrar este vulto da história da libertação e este génio que nos deixou trabalhos profundos que os investigadores estrangeiros consideram matérias relevantes para serem estudadas e divulgadas.

Destacou que nessa ocasião a Assembleia da República de Portugal acolheu um Colóquio aberto pelo Presidente da Assembleia da República e tendo como organizadores, dinâmicos e prestigiados centros de investigação e História Contemporânea em Portugal como o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e o Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa.

Este colóquio, que decorreu sob o signo ’Amílcar Cabral e a História do Futuro’, contou com a presença do Presidente Pedro Pires e teve também a participação de académicos, que se dedicam ao estudo de Cabral, dos Estados Unidos da América, da Itália, da Guiné-Bissau e de Cabo Verde”.

Para o líder do PAICV, estas iniciativas que acontecem, um pouco por todo o mundo, dão uma contribuição extraordinária para o reconhecimento da estatura política e intelectual de Amílcar Cabral, para a valorização do património que é o seu pensamento partilhado e para a projeção da imagem de Cabo Verde.

Cabral como um grande património de Cabo Verde

Temos entre mão uma riqueza incomensurável que não podemos deixar de cuidar, de divulgar e de passar para as novas gerações que têm o direito de conhecer a grandeza deste património”, frisou.

Temos tanto para aprender com os trabalhos de Amílcar Cabral, que seria um desperdício enorme não dar aprofundar os nossos conhecimentos sobre o seu legado”, completou.

Segundo disse, nestes momentos conturbados, de desafios e de incerteza, nestes momentos da crise das instituições, seria de grande interesse revisitar Cabral e aprofundar a sua dimensão ética e moral, o seu profundo humanismo, a sua abordagem sobre o sentido da justiça, o papel que ele próprio reserva ao povo, a relação dinâmica que estabelece entre a teoria e a prática e o profundo sentido de servir.

Afirmou ainda que revisitar Cabral é também ver a sua abordagem sobre o papel da cultura, a importância da educação e o papel reservado da participação na busca de compromissos para as melhores respostas sobre os nossos problemas.

Vem aí o centenário do seu nascimento. Aprendamos, pois, com o que foi feito agora, em todo o mundo, para envolvermos todas as instituições, o Parlamento, inclusive na organização e na realização desse próximo evento de vulto. Abramos as nossas mentes para sermos dignos desse grande património que nos enriquece, que nos engrandece e que nos valoriza enquanto país e enquanto Nação”, concluiu Rui Semedo em declaração política proferida durante a sessão de hoje da Assembleia Nacional de Cabo Verde.

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