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Cabo Verde com maior nível de cobertura de TDT na África Ocidental 06 Maio 2021

A televisão digital já chegou a mais de 95% da população cabo-verdiana, a maior cobertura populacional da África Ocidental, disse hoje o presidente da empresa estatal responsável pela implementação, que está a desligar todo o serviço analógico.

Cabo Verde com maior nível de cobertura de TDT na África Ocidental

“Alguns países já estão também numa fase bastante avançada, outros provavelmente já têm tudo concluído, mas Cabo Verde é provavelmente o país com maior nível de cobertura populacional com a tecnologia DVB-T (da televisão digital terrestre)”, disse à agência Lusa o presidente da Cabo Verde Broadcast (CVB), Luís Ramos.

Segundo o dirigente empresarial, conforme escreve Lusa, outros países tentaram fazer a cobertura total da população, mas com outras tecnologias complementares. “Nós apenas com o digital terrestre vamos perfeitamente ainda este ano ultrapassar 98% da população”.

Para Luís Ramos, tudo isso é um motivo de orgulho para Cabo Verde, que é o país mais difícil na região, por ser um arquipélago com cerca de 550 mil habitantes, insular, com muitos vales e montanhas que dificultam o processo.

“Somos obrigados a ter muito mais emissores, muito mais centros de transmissão e retransmissão [50 em todo o arquipélago] do que os países que são muito maiores em termos de território, mas são relativamente planos, por vezes é muito mais fácil a cobertura”, explicou.

Cabo Verde é um dos cinco países da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) que estão mais avançados em termos de implementação da TDT, conforme determinou a União Internacional de Telecomunicações (UIT), cita Lusa.

Há cinco anos que a televisão analógica e a digital funcionam em simultâneo em Cabo Verde, mas desde finais de abril que o serviço analógico começou a ser desligado completamente, para dar lugar ao sinal exclusivamente digital.

O desligamento da televisão analógica começou em 23 de abril, nas ilhas do Maio de Santiago e Achada Furna, na ilha do Fogo, prosseguindo cinco dias depois em São Vicente, Sal e São Nicolau e na sexta-feira foi na Boa Vista, na Brava e em no resto da ilha do Fogo.

O “apagão” analógico vai terminar em 25 de maio próximo na ilha de Santo Antão, conhecida como a “ilha das montanhas” e que, devido à orografia do terreno, enfrenta mais dificuldades na captação do sinal.

Segundo a mesma fonte, o presidente da CVB disse que o calendário do desligamento do sinal analógico foi feito à medida que foi instalado o sinal digital, e Santo Antão foi a última ilha onde isso aconteceu, fazendo com que seja a única onde os dois serviços estão ainda em simultâneo.

Com uma percentagem de cobertura atualmente de mais de 95% da população, Luís Ramos disse que uma ou outra pessoa ainda não fez a transição, por estar a usar outro tipo de serviço, como o pago.

Em vários pontos do país os clientes ainda enfrentam alguma dificuldade em captar o sinal digital, o que tem gerado várias reclamações, mas o presidente da CVB explicou que isso tem a ver com alguns problemas, como instalações antigas nas casas, desalinhamento e não fixação das antenas ou cabo em más condições.

A CVB colocou no mercado cerca de 36.000 descodificadores (box), para facilitar a transição da rede analógica, e o líder máximo da instituição cabo-verdiana disse que muitas famílias mais carenciadas já foram contempladas, o que permitiu o sinal chegar a zonas que onde nunca as pessoas tinham visto televisão, funcionando como “fator de inclusão”, refere a notícia avançada pela Lusa.

Depois do “apagão” analógico por completo no próximo mês, o presidente previu para “os próximos meses” a televisão digital estará a funcionar em pleno em todos os pontos do país.

A rede TDT de Cabo Verde tem oito canais de televisão e seis rádios à disposição, tendo sido acrescentando recentemente o canal TV Educativa, gerido pelo Ministério da Educação como plataforma de apoio ao ensino à distância, devido aos condicionalismos da pandemia de covid-19 no funcionamento das escolas e na manutenção das aulas presenciais.

A implementação da TDT em Cabo Verde começou há sete anos e segundo disse em abril de 2019 o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente, o país já tinha investido 14,5 milhões de euros no processo.

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