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Brasil: PGR pede à STF para suspender inquérito de ’fake news’ que visa bolsonaristas — "Ordens absurdas não se cumprem", diz presidente 28 Maio 2020

O presidente brasileiro pronunciou-se hoje (5ªfª, 28) contra a investigação que ontem levou a polícia federal às casas de vinte e nove políticos, empresários e blogueiros arrolados no inquérito criminal de "notícias fraudulentas", ofensas e ameaças que "atingem a honorabilidade e a segurança" do STF, através dos seus membros e familiares.

Brasil: PGR pede à STF para suspender inquérito de ’fake news’ que visa bolsonaristas —

A operação policial que nesta quarta-feira fez buscas e apreensões em casa dos investigados foi ordenada pelo relator da investigação, o ’ministro’ Alexandre de Moraes do STF-Supremo Tribunal Federal.

"As provas colhidas e os laudos técnicos apresentados no inquérito apontaram para a existência de uma associação criminosa dedicada à disseminação de notícias falsas, ataques ofensivos a diversas pessoas, às autoridades e às instituições, dentre elas o Supremo Tribunal Federal, com flagrante conteúdo de ódio, subversão da ordem e incentivo à quebra da normalidade institucional e democrática", escreveu o relator Moraes no despacho.

Este passo — pelo qual a PF cumpriu 29 mandados de busca e apreensão — surge mais de um ano depois do arranque do inquérito em março de 2019 com prazo até janeiro de 2020, mas prorrogado por mais seis meses.

As ordens absurdas" referidas pelo chefe de Estado são mais uma das críticas ao inquérito, contra o qual já se pronunciaram, entre outros, a procuradora-geral da República em 2019, Raquel Dodge, e o seu sucessor Augusto Aras — que em outubro era favorável e que agora como PGR é contra..

O atual PGR, segundo a Globo, ontem pediu ao STF para suspender o inquérito das fake news. Em outubro do ano passado, no entanto, Aras avaliara que a investigação cumpria em termos de legalidade.

Alvos investigados

A imprensa brasileira divulgou a lista dos investigados alvo de mandados ontem: Luciano Hang (SC): empresário, dono da Havan. Roberto Jefferson (RJ): ex-deputado federal preso no ’Mensalão’. O seu partido, o PTB, declarou apoio a Bolsonaro em 2018. Nas redes, tem defendido o presidente e criticado o STF, cujos "ministros o presidente Bolsonaro deve aposentar compulsoriamente".

Allan dos Santos (DF): blogueiro eco-fundador do site Terça Livre. Sara Winter (DF): blogueira, autodefine-se "ativista pró-vida e pró-família, analista política e conferencista internacional". Winston Lima (DF): blogueiro, dono do canal no YouTube "Cafezinho com Pimenta", onde transmite diariamente as falas de Bolsonaro na saída do Palácio do Alvorada. Promove manifestações de apoio ao presidente.

Edgard Corona (SP): empresário, dono das redes de academia SmartFit e BioRitmo.
Edson Pires Salomão (SP): assessor parlamentar do deputado estadual Douglas Garcia (PSL-SP). Enzo Leonardo Suzi (SP): youtuber no canal no YouTube "Enzuh" dedicado a apoiar o governo Bolsonaro.

Marcos Bellizia (SP): um dos líderes do movimento Nas Ruas, que foi fundado em 2011 por Carla Zambelli, hoje deputada federal. O grupo organizava manifestações populares, em geral contra a corrupção.

Otavio Fakhoury (SP): investidor do setor imobiliário, um dos fundadores do partido Bolsonarista em formação, Aliança para o Brasil, e colaborador do site conservador Crítica Nacional.

Rafael Moreno (SP): blogueiro, ativista do Movimento Brasil Monarquista e membro da Confederação Monárquica do Brasil
Rodrigo Barbosa Ribeiro (SP): assessor parlamentar do deputado Douglas Garcia (PSL) e líder do Movimento Conservador em Araraquara (SP).

Paulo Gonçalves Bezerra (RJ): empresário. Reynaldo Bianchi Júnior (RJ): humorista, músico e palestrante. Bernardo Kuster (PR): diretor de opinião do jornal "Brasil Sem Medo", cujo presidente do conselho editorial é Olavo de Carvalho, ideólogo muito admirado por Bolsonaro. Eduardo Fabris Portella (PR). Marcelo Stachin (MT): nas redes sociais, é defensor de Bolsonaro e ataca com frequência o STF.

Deputados

Segundo determinação do relator, oito deputados deverão ser ouvidos no inquérito, num prazo de dez dias. Eles não foram alvos de mandados em 27 de maio.

Seis deputados federais: Bia Kicis (PSL-DF) e Carla Zambelli (PSL-SP). Daniel Silveira (PSL-RJ). Filipe Barros (PSL-PR). Junio Amaral (PSL-MG). Luiz Phillipe de Orleans e Bragança (PSL-SP). É o primeiro membro da família imperial brasileira a ocupar um cargo político relevante desde a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889.
Deputados estaduais: Douglas Garcia (PSL-SP) e Gil Diniz (PSL-SP).

Fontes: Globo/Agência Brasil/ Fotos (da presidência.br). Bolsonaro; (à esqª) Alexandre de Moraes, do STF; (à d.ta) Dias Toffoli, presidente do STF, e PGR Augusto Aras.

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