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Brasil: PGR acusa governador Witzel e mais 11 de organização criminosa 16 Setembro 2020

O governador Wilson Witzel, afastado do cargo por 180 dias desde o dia 28 último, é acusado pelo Ministério Público de "liderar uma organização criminosa para desviar recursos públicos". A acusação atinge mais 11 pessoas incluindo a primeira-dama do Estado, Helena Witzel (foto, à esqª), cujo escritório de advocacia seria utilizado para "intermediar o pagamento de propina" [subornos] ao governador.

Brasil: PGR acusa governador  Witzel e mais 11 de organização criminosa

Na segunda-feira, 14, o Ministério Público Federal pediu a condenação dos investigados e, em especial, Witzel — que "causou danos materiais e coletivos" pelos quais deve pagar a indemnização mínima de R$ 100 milhões — deve, segundo a subprocuradora-geral Lindôra Araújo, ser punido com a perda do cargo público de governador.

"Na área da saúde, o grupo instituiu um esquema de geração de uma espécie de caixinha para pagamentos de vantagens indevidas aos agentes públicos da organização criminosa, principalmente por meio do direcionamento de contratações de organizações sociais e na cobrança de um pedágio sobre a destinação de restos a pagar aos fornecedores", afirmou a magistrada Lindôra Araújo.


De aliado a inimigo figadal

Os Bolsonaros e Witzel "vestem a mesma camisola", declarou Witzel no período da campanha de 2018 com a onda bolsonarista em alta — e da qual o juiz federal tornado político beneficiou. Foi eleito governador, contra todas as sondagens que o davam em quarta posição na corrida cujo favorito era o ex-futebolista Romário.

A cumplicidade com os Bolsonaros manteve-se até que um ano depois da inauguração presidencial, Witzel, de 52 anos, anunciou, em janeiro, a sua intenção de se candidatar à Presidência da República em 2022.

Outro motivo de afastamento foi também o apoio que o governador Witzel deu ao deputado estadual André Luiz Ceciliano candidato ao cargo de presidente da ALERJ-Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Ceciliano, de 52 anos, filiado no PT-Partido dos Trabalhadores, venceu. Depois, veio a cisão no então partido presidencial, o PSL — do qual Jair Bolsonaro veio a desfiliar-se em fins de 2019 (Bolsonaro lança ’Aliança pelo Brasil’ partido ainda sem legalizar, 25.nov.019).

O governador Witzel tornou-se um crítico constante do presidente Jair Bolsonaro a tal ponto que Flávio Bolsonaro chegou a chamá-lo de ingrato, como a BBC-Brasil noticiou há um ano, em 26 de setembro passado. E há menos de quatro meses, em maio, Flávio antecipou: "O tsunami vem aí" para Witzel.

Em outubro passado, Jair Bolsonaro acusou Witzel de querer destruir a sua família ao envolver os Bolsonaros no assassinato da deputada Marielle Franco. O presidente acusou Witzel de procurar assim tirar vantagem para a disputa à Presidência em 2022 com o caso ao "vazar para a Globo informações sobre a investigação" ("Globo, canalhas e patifes querem acabar com o Brasil", reage Presidente à notícia de que suspeito da morte de Marielle esteve no condomínio de Bolsonaro no dia do crime, 31.out.019).

Em maio corrente, Witzel pediu desculpas por ter apoiado a eleição de Jair Bolsonaro: "Aproveito, neste primeiro de maio, para pedir desculpas ao povo. Porque eu errei. Errámos. Escolhemos um presidente que é irresponsável, que não entendeu a responsabilidade do cargo que ocupa. Ele, hoje, só pensa nas eleições de 2022 e não exerce aquilo que esperávamos que ele exercesse, que é governar, fazer as reformas necessárias que o Brasil precisa", disse Witzel num vídeo citado pelo UOL.

Crise na Saúde, delação premiada e "o tsunami" prometido por Flávio Bolsonaro

A delação premiada de Edmar Santos, ex-secretário de Saúde do RJ, preso no dia 10 de julho e libertado pelo STJ em 07 de agosto, foi determinante para o afastamento de Witzel do cargo de governador e a prisão do pastor Everaldo, que segundo Santos indicou, era tão influente nas tomadas de decisão no Palácio Guanabara que era ele o "comandante" da Saúde estadual.

Tudo começou com a abertura — ordenada, no início de abril, pela Secretaria Estadual de Saúde — de uma "sindicância para apurar a imposição de sigilo por parte da gestão Witzel em documentos sobre contratações emergenciais" para combater o novo coronavírus. Os documentos davam conta de, no mínimo, onze contratações sem licitação que somavam um bilião de reais (30 milhões de contos).

No dia 17 de maio, o secretário estadual de Saúde do Rio de Janeiro, Edmar Santos, foi exonerado do cargo por "falhas na gestão de infraestrutura dos hospitais de campanha para atender as vítimas da Covid-19".

Segundo o UOL, Edmar Santos já estava sob forte pressão desde o início duma "série de denúncias de fraudes na compra de respiradores" (ventiladores) durante a presente crise sanitária do coronavírus. Mas no dia seguinte à exoneração, o governador nomeou o mesmo Santos para outro cargo, o de secretário extraordinário de "Acompanhamento das Ações Governamentais Integradas da Covid-19".

Fontes: Referidas/TV Globo. Relacionado: Brasil: Suspeito de liderar esquema de corrupção, governador do Rio é afastado do cargo — Outros envolvidos presos, 29.ago.020. Fotos: Ao centro, Everaldo batiza Bolsonaro no rio Jordão. O então juiz Witzel (à esqª) foi eleito governador beneficiando da onda bolsonarista em 2018, já que o favorito para o cargo era o ex-futebolista Romário.

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