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Suspeita de favorecimento na Boa Vista: Walter Évora denuncia relação perigosa entre Câmara e Construções Oásis de um vereador 08 Mar�o 2018

Surge mais uma suspeita de favorecimento a empresas depois do recente caso da Tecnicil que está entregue ao Ministério Público. O deputado da Nação eleito pelo círculo eleitoral da Boavista, Walter Évora, denuncia, através da sua página oficial no facebook, aquilo que considera ser a « relação perigosa» entre a Câmara Municipal do Edil José Luís Santos e a empresa Construções Oásis pretendente ao Vereador pela área do Urbanismo e Saneamento, Aristides Mosso. Em causa estão, segundo o politico, vários contratos que o executivo camarário assinou com a referida firma para a execução de projectos com concessão de terrenos municipais - um dos lotes pode custar mais de 120 mil contos.

Suspeita de favorecimento na Boa Vista: Walter Évora denuncia  relação perigosa entre Câmara e Construções  Oásis de um vereador

«Chamamos a atenção de toda a população da ilha da Boavista e de toda a nação cabo-verdiana pela situação muito grave que está a acontecer na Câmara Municipal da Boavista. Há muito que temos vindo a alertar pela relação perigosa que existe entre a Câmara Municipal da Boavista, Presidida por José Luís Santos, e a empresa Construções Oásis Lda pertencente ao seu Vereador pela área do Urbanismo e Saneamento, Aristides Mosso», fez questão de realçar o deputado do PAICV.

Para Walter Évora, por uma questão de ética e legalidade o vereador em causa devia se abster de envolver a sua empresa na execução das obras municipais.«Pelo facto de dirigir o sector do urbanismo e saneamento da Câmara Municipal, de ter informações privilegiadas sobres todas as obras que a Câmara pretende fazer como também pelo facto de ter de assumir, como é natural, um papel fiscalizador em todas as obras da Câmara, por uma questão de ética e legalidade, o senhor Vereador pela área do urbanismo e saneamento devia se abster de envolver a sua empresa na execução das obras municipais», escreve o deputado tambarina.

Segundo o mesmo post, Construções Óasis já executou várias obras de Câmara. «Em primeiro lugar, foram as obras do famoso “Calçadão”, que foram executadas pela empresa do Vereador, cuja implementação ultrapassou em muito os prazos anunciados como também, seguramente, o orçamento deve ter ficado muito mais gordo. Segundo fui informado, foi também a empresa do Vereador que “ganhou o concurso” para a vedação da lixeira municipal, quando havia propostas financeiramente mais atractivas».

A mesma fonte considerara mais grave o caso do grande lote de terreno concedido à Construções Oásis, cujo custo poderá ultrapassar os 120 mil contos. «Mas o mais grave é a informação que recebemos agora de que a Câmara Municipal entregou a empresa do seu Vereador do Urbanismo um terreno de cerca de 14 mil metros quadrados - mais precisamente 14.394,137 m2 - do grande terreno chamo de Alameda, que estava reservado para ser uma área verde, justificando que esse terreno foi entregue à empresa Construções Oásis como permuta por supostas dívidas que a Câmara tinha com essa empresa. Ora, um terreno dessa dimensão, com a localização que tem, custa, de acordo com os preços de mercado, mais de 120 mil contos», disse, informando ter apurado que a Construções Oásis já dividiu esse lote que recebeu da Câmara em várias fracções, tendo já vendido uma parte dela pelo valor, declarado no cartório, de 45 mil contos.

Dívidas e questionamentos

«Como é possível que Presidente da Câmara Municipal da Boavista, que diz que a Câmara não tem dinheiro nem pagar os salários dos funcionários e que até agora não consegui vender nenhum lote de terreno em Sal Rei porque, segundo ele, os terrenos foram desbaratados, ele entrega agora a empresa do seu Vereador um activo municipal tão valioso? Como é possível que o Presidente da Câmara Municipal da Boavista que diz ter encontrado uma Câmara endividada até ao pescoço, com dívidas superiores a 600 mil contos segundo ele, entrega a empresa do seu Vereador um terreno que estava destinado a ser uma área de utilidade pública com espaço verde, para essa empresa (Construções Oásis) lotear e vender esse mesmo terreno, tendo já facturado 45 mil contos?», questiona Wlater Évora na sua página oficial no facebook.

O parlamentar termina o seu post, perguntando até quando que a população da Boavista vai ficar a assistir pacificamente o sua terra a ser delapidada dessa forma - uns poucos fazem fortunas com ela e o resto do povo vive com todo o tipo de dificuldades.

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