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Bispo exorcista quis expargir água-benta de helicóptero para expulsar demónios da cidade mais violenta da Colômbia — Porque esperança é preciso 16 Julho 2019

No sábado, 13, a cidade de Buenaventura esteve nos noticiários internacionais como a primeira terra onde ia ocorrer um exorcismo aéreo. O bispo local e exorcista treinado pelo Vaticano organizou uma cerimónia que incluía ele subir aos céus de helicóptero para expargir água-benta sobre a cidade flagelada pela violência, crime e corrupção. Uma avaria impediu o exorcismo aéreo e a solução B foi aplicada: longas procissões percorreram os bairros mais problemáticos com água benzida e orações.

Bispo exorcista quis expargir água-benta de helicóptero para expulsar demónios da cidade mais violenta da Colômbia — Porque esperança é preciso

A cidade de Buenaventura a mais de trezentos quilómetros da capital, Bogotá, festeja o seu quadricentésimo septuagésimo-nono aniversário com um banho de água-benta " para que "nas ruas onde correu o sangue corra agora a água benta", como disse à rádio nacional (rcn.co, online) o bispo Rubén Dario Jaramillo Montoya, da primeira geração de padres-exorcistas formados em 2014.

Buenaventura, de 400 mil habitantes e que alberga o maior porto da América no Oceano Pacífico, é, na descrição do bispo, "uma cidade de pobreza endémica", onde grassam "o narcotráfico, a delinquência, a corrupção", pelo que "a igreja tem de levar uma mensagem de esperança à população" para contrapor à "ação dos que querem destruir a comunidade", ouve-se na referida rádio online.

A atividade organizada para festejar a cidade fundada em 1540 teve de ser alterada no que toca ao exorcismo aéreo. "Uma avaria no helicóptero que o Exército nos disponibilizou impede-nos de fazer a bênção a partir do céu da cidade", explicou o bispo na véspera da comemoração do dia dedicado ao patrono San Buenaventura.

Um perçalco que não tirou o brilho à procissão (foto, El País). O bispo percorreu a pé a cidade acompanhado de crentes das diversas paróquias, com orações a acompanhar o banho de água-benta levado aos bairros. Os mais problemáticos, onde já morreram este ano 59 pessoas, sob o pano de fundo do tráfico de cocaína que flagela a cidade-portuária.

“Que bom é poder voltar a entrar nos bairros sem medo do que nos espera. A iniciativa é muito positiva”, disse à RNC Ómar Arboleda, dirigente da associação de taxistas da cidade, cuja atividade se ressentiu muito do facto de que "há bairros onde não entramos por causa da violência".

Papa Francisco: O Diabo escolhe os que sucumbem ao desespero e negativismo

O atual papa ousou formar o que a imprensa anglófona, como o The Independent, o Telegraph, o N Y Post, denominou de “Exército de Exorcistas”. Isto foi no segundo ano do pontificado iniciado em 2013 com medidas polémicas, desde a escolha de trajes e objetos de uso marcados pela simplicidade em contraste com o luxo exibido pelo antecessor.

Era a resposta a um aumento da demanda de “pessoas ameaçadas por maus espíritos”. Estas que, em desespero e sem orientação da autoridade espiritual que é a ICAR-Igreja Católica Apostólica Romana, recorrem a soluções oferecidas na internet, com todos os perigos que isso acarreta o lidar com “as artes do Obscuro”, justificou o Sumo Pontífice.

Por isso o novo pontificado voltou a pôr em prática o que há séculos o catecismo da ICAR estatui: “Quando a Igreja diz em público e com a autoridade de Jesus Cristo que uma pessoa ou objeto têm de ser protegidos contra o poder do Maligno e que este deve sair libertando-os, isso é exorcismo”.

Há dois meses, o Vaticano organizou uma conferência internacional sobre o exorcismo. Os tempos atuais, disse o papa Francisco, citado pelo Vatican News, são propícios a que “as pessoas percam a esperança se tornem o terreno perfeito para o Diabo semear”.

Dois mil anos a comunicar para combater o desespero

A igreja usa meios que se tomados à letra podem ser associados ao obscurantismo próprio do que se convencionou chamar a Idade Média. Uma análise mais profunda mostra que a ICAR comunica para chegar aos crentes, pessoas simples para quem a linguagem com imagens mágicas é mais acessível.

Diante de flagelos como as altas taxas de homicídio, o narcotráfico, a delinquência, a corrupção, que afeta os mais pobres, a Igreja no pontificado de Francisco expressa que a sua missão é levar aos que mais sofrem uma mensagem de esperança.

A esperança é uma imagem omnipresente no discurso da Igreja, está no centro das ações que visam dar remédio a fenómenos aparentemente inexplicáveis que geram sofrimento.

A igreja como instituição espiritual" tem procurado administrar o remédio eficaz" que se traduz em palavras e imagens simples para fazer compreender os fenómenos para os quais a ciência tem vindo a dar resposta, mas sem conseguir erradicar as diversas formas do Mal. Até quando? Fontes: Referidas. LS

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