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Bairro do Castelão: Em casa das crianças desaparecidas há um ano paira ainda o sentimento de dor e esperança 05 Fevereiro 2019

Completou este domingo, 03, um ano sobre a data do desaparecimento dos dois irmãos Nina e Filú, no bairro do Castelão, nos arredores da Cidade da Praia e, apesar do desespero que ainda o atormenta, a avô, Marcelina Lopes, tem esperança de os ver de volta à casa.

Bairro do Castelão: Em casa das crianças desaparecidas há um ano paira ainda o sentimento de dor e esperança

Clarisse Mendes (Nina) e Sandro Mendes (Filú), ambos hoje com 10 e 12 anos, respectivamente, se encontram ainda desaparecidos e o país não sabe do paradeiro destes menores.

Em Castelão, um dos bairros de assentamentos informais da Cidade da Praia, a Inforpress foi encontrar Marcelina Lopes que afirma estar “totalmente destroçada” com o desaparecimento dos dois netos que saíram de Achada Limpa para ir comprar açúcar em Água Funda e até hoje não voltaram a ser vistos.

Conforme disse à reportagem da Inforpress, durante este domingo (03 de Fevereiro) a casa dela esteve sempre cheia de pessoas amigas que lhe foram levar mensagem de “consolo e esperança”.

“Os meus dois netos eram a minha mão direita” lamenta, por entre lágrimas, Marcelina Lopes, conhecida no bairro por Bianina.

Tem mais nove netos, mas garante que jamais se esquecerá da Nina e do Filú, porque os dois saíram para comprarem o açúcar para o “habitual lanche da tarde” e até hoje não voltaram.

“Antes de partirmos para Achada Limpa, mandei o Filú comprar açúcar num mini-mercado, mas em vez de açúcar, apanhou o sal de que só demos conta no momento do lanche” conta Marcelina, acrescentando que diante desta situação o neto se disponibilizou para ir comprar este produto na vizinha localidade de Água Funda, na companhia da Nina que se prontificou para o acompanhar.

Nesse dia, prossegue, que considera o “dia mais negro” da sua vida, acompanhou à distancia, a deslocação dos seus dois netos que foram a correrem em direcção a Água Funda para comprarem o açúcar que se destinava ao lanche.

“Vi os meus meninos a correrem até me perderem de vista, enquanto eu ia em direcção ao aeroporto à procura de ferros velhos para vender”, desabafa Marcelina Lopes que de regresso ficou à espera dos netos, mas, inicialmente, sem quaisquer preocupações, uma vez que costumavam parar em casa de uma filha em Água Funda para verem alguns programas de televisão.

Entretanto, como já começava a anoitecer sem que, no entanto, Nina e Filú tivessem regressado, a avó começou a preocupar-se e, por isso, decidiu ir perguntar por eles em Água Funda. O desespero começou a tomar conta dela quando foi informada que os netos não se encontravam ali.

“Em casa da minha filha, ela disse-me que os meninos não tinham estado lá e até hoje não chegaram, mas tenho fé e esperança que um dia aparecerão vivos”, enfatizou.

Segundo Marcelina Lopes, em casa, os irmãos mais novos não se cansam de perguntar pela Nina e Filú.

“Tenho um neto de quatro anos que quando vai à rua pergunta se alguém não lhe vai pegar”, conta, para depois adiantar que isto demonstra o medo que paira no seio dos irmãos mais novos que não param de perguntar “onde estão a Nina e o Filú”.

“Na rua, quando me cruzo com os colegas de escola dos meus netos desaparecidos, os meninos começam logo a perguntar-me pelo Filú e Nina” comenta a avó, que não conseguia conter lágrimas durante a entrevista.

Em Achada Grande Frente (Praia), onde morava a jovem Edine Jandira Robalo Lopes Soares, o sentimento é também de angustia e esperança que a mãe e o bebé Maurício ainda estão vivos e podem regressar à casa a qualquer momento.

Edine Jandira saiu de casa, alegando que ia levar o bebé de onze dias para o controlo no PMI (Programa Materno-Infantil), na Fazenda, Cidade da Praia. Mãe e filho nunca mais foram vistos.

Quer em Castelão quer em Achada Grande Frente, os familiares queixam-se pelo facto de “há muito tempo” que deixaram de ter informações por parte das autoridades nacionais sobre o processo dos seus familiares desaparecidos.

Contactada pela Inforpress, a assessoria de comunicação da Polícia Judiciária (PJ) garantiu que os processos estão a decorrer os “seus trâmites normais” e que, quando tiverem dados concretos, os familiares serão contactados.

O desaparecimento misterioso de pessoas levou à realização de várias manifestações de rua, sobretudo na capital do país e altas entidades têm expressado inquietude em relação a esta problemática.

O Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, exprimiu a sua inquietude em relação a estes casos, tendo afirmado que a situação “exige resposta por parte das autoridades” e que, caso fosse necessário, o país devia solicitar apoio a nível exterior.

O Cardeal Dom Arlindo Furtado também considerou que a situação é “muito preocupante, grave e chocante” e, segundo ele, há “qualquer coisa que está a acontecer que não dá para entender”. A Semana/Inforpress

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