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Autora de "Redes do Kremlin em França" no banco dos réus por difamação 15 Mar�o 2019

Seis retratados como elos em França da intervenção da Rússia de Putin processaram, ’por difamação’, Cécile Vaissié, professora de estudos russos, soviéticos e pós-soviéticos na Universidade Rennes 2. O julgamento começou esta quinta-feira, 14, em Paris.

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O livro de 2016 teve um grande destaque como "radiografia da formidável máquina montada pelos ideólogos do Kremlin", que sedia o poder russo. Nele a investigadora universitária mostrou que personalidades de diversos quadrantes da sociedade francesa — homens de negócios e da intelectualidade, militares e políticos (como Marine Le Pen, na foto) — tinham conexões com a Rússia de Putin.

A universitária esteve, por isso, em quase todos os comentários dos media sobre a eleição presidencial de 2017.

O advogado da ré todavia destaca que se trata de "um processo organizado contra uma autora que não está habituada a estas batalhas mediáticas".

Os queixosos são seis dos retratados como pró-Kremlin: Djordje Kuzmanovic, figura do partido LFI-La France insoumise, da esquerda radical, e a esposa, Véra Nikolski, alto quadro do Estado francês, os bloggers Olivier Berruyer, Hélène Richard-Favre e Pierre Lamblé, e Gueorgui Chepelev, um leitor de russo.

"Sem provas"

"Estas pessoas têm perfis muito diferentes", afirma o advogado de cinco dos queixosos. "A autora não mostra nenhuma prova, nenhum facto que permita falar duma "rede" organizada, o livro é uma sucessão de afirmações difamatórias com a única intenção de desacreditar publicamente as pessoas que exprimem publicamente escolhas políticas que não agradam", segundo o advogado Jérémie Assous.

Entre esses que contestam o apodo de "linha pró-Kremlin", está o blogger Olivier Berruyer, cujo site internet é retratado como "extremamente pró-Kremlin". Segundo o seu advogado, Berruyer é um "apolítico", que "denuncia a propensão dos Estados para a mentira, sejam eles quais forem".

Outro, que contesta ser um "agente da influência russa em França" é o professor Gueorgui Chepelev, que preside a uma "organização de russos em França financiada pela embaixada". Segundo este também leitor de russo num instituto de Ciências Políticas, a associação "não depende diretamente da embaixada da Rússia", que "é só uma entre outras entidades parceiras".

’O Príncipe’ e sovietes em interação de ordem psicológica

O livro, na linha de outros autores que pintaram Putin como ’o último czar’, descreve o modo como "as gentes do Kremlin reabsorvem os seus velhos complexos ao conviverem com os "aristocratas" — entenda-se, os membros remanescentes do Império Russo, muitos deles nos exílios dourados da Côte d’Azur, Riviera, Mónaco — enquanto que estes disfrutam do prazer de serem chamados ’Príncipe’.

A puerilidade deste tipo de comportamento fica bem evidenciada quer na descrição dum encontro num salão europeu, quer no blog da "princesa" que publica uma lista de bens de milionários russos exilados que deveria reverter para o Estado sediado no Kremlin.
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Fontes: Le Monde/RT/CNN/Sputnik/ Recensões online. Foto: Março de 2017, encontro entre Putin e Le Pen, adversária de Macron na segunda-volta da presidencial 2017.

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