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Auditoria à FIFA revela profundezas dos privilégios dos Srs. do futebol 19 Fevereiro 2020

Mãos-largas e laxismo indiciador dum quadro moral deletério, conclui o relatório de auditoria à FIFA publicado esta terça-feira, 18, pelo diário francês Le Monde. A auditoria aos 18 anos da chefia de Blatter procurou corresponder ao retumbante "Vamos restaurar a imagem da FIFA", proferido por Gianni Infantino, o presidente do órgão máximo do futebol mundial, ao ser empossado no cargo em 2016.

Auditoria à FIFA revela profundezas dos privilégios dos Srs. do futebol

Em 2016, o ítalo-suíço Gianni Infantino incumbiu a uma empresa de auditoria o inventário da presidência do suíço Joseph ’Sepp’ Blatter (1998-2015) afastado por corrupção. A imprensa especializada entendeu que o novo presidente procurava demarcar-se da imagem de corrupção que manchara o final de mandato de Blatter.

Terminado em 2017, o relatório ficou todo este tempo confidencial. É revelado agora, prestes a completar, no dia 26, os cinco anos sobre a data, em que o ítalo-suíço Infantino foi empossado presidente da FIFA.

Salários, bónus, quotas para sistemas de aposentação, pagamentos e reembolsos de despesas sem aprovação prévia …, a lista de irregularidades cobre quase duas décadas.

Os antigos comissários executivos da FIFA são acusados de "contornar" o sistema de "aprovação" vigente no que respeita aos pagamentos processados. Com essa manobra, dirigentes efetuaram depósitos bancários aos beneficiários — num total de c. de 62 milhões de francos suíços (c.6 milhões de contos) — sem que todos os descritivos estivessem preenchidos. A auditoria insiste sobretudo sobre a falta de confirmação de que as despesas pagas/reembolsadas correspondiam de facto a despesas efetuadas.

O francês Valcke, o camaronês Issa Hayatou, o tailandês Worawi Makudi, o taitiano Reynald Temarii. Nome a nome, as práticas irregulares senão fraudulentas foram cometidas por comissários com remunerações que atingiam os 300 000 dólares anuais.

O número dois da FIFA, Jérôme Valcke, que foi até setembro de 2015 secretário-geral, beneficiou antes do Mundial de 2014 de um apartamento no Rio, com renda de 232 800 dólares. A auditoria não compreende "se houve uma razão comercial válida para esse arrendamento, de maio a dezembro de 2013".

Ao mesmo Jérôme Valcke, a FIFA reembolsou o montante de 31 396 dólares em "flores, champanhe, vestuário", sob a verba " presentes" e "compras em boutiques de luxo".

Contactado, o antigo número dois da FIFA justificou que "as despesas eram profissionais e, como tal, validadas pelo departamento financeiro da FIFA".

A FIFA pagou 217 322 dólares de "despesas médicas" de Hayatou, ex-presidente da CAF-Confederação Africana de Futebol e ex-presidente interino da FIFA (2015-2016). Makudi recebeu 309 868 dólares de 2009 a 2015, por faturas em nome da Federação da Tailândia.

A FIFA pagou 22 827 dólares por "despesas privadas" de Reynald Temarii — anteriores à sua demissão, em novembro de 2010, do cargo de vice-presidente após uma denúncia do jornal Sunday Times, segundo a qual Temarii admitira ter votado na escolha das sedes das Copas de 2018 e 2022 (Rússia e Qatar) em troca da construção de uma escola de futebol no Taiti.
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Fontes: Referidas. Foto (AFP): O presidente da FIFA, Gianni Infantino, num encontro da AIPS-Association of Sports Press/Associação Internacional da Imprensa Desportiva, em 3 deste mês, em Budapeste.

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