OPINIÃO

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Até quando vamos estar com estes “salamalequices” de Senhor Doutor, Senhor Engº? Porque não usar simplesmente “Senhor Presidente”, Senhor Fulano de tal? 24 Setembro 2020

Há bem pouco tempo li, parece-me que foi no Facebook, se não estou em erro, um pai a desejar os votos de feliz aniversário ao filho, apelidando-o de Dr. Percebe-se que antigamente quando era meia dúzia de pessoas que conseguiam entrar nas Universidades e Institutos e ao saírem com os canudos as pessoas as tratavam com deferência, colocando antes dos seus nomes próprios os Dr., Engº, etc. Porém, penso, que já é altura de deixarmos destes salamaleques desnecessários.

Por: José Júlio Soares

Até quando vamos estar com estes “salamalequices” de Senhor Doutor, Senhor Engº? Porque não usar simplesmente “Senhor Presidente”, Senhor Fulano de tal?

Por: José Julio Soares

Até quando vamos estar com estes “salamalequices” de Senhor Doutor, Senhor Engº? Porque não usar simplesmente “Senhor Presidente”, Senhor Fulano de tal?

Vamos alavancar CV, disse o Senhor Dr., o PM, José Manuel…..
Vamos alavancar e desenvolver a nossa Ilha, disse a Sra. Deputada., Dra. Ana..
Yes, you can, (sim, nós podemos), Barack Hussein Obama II

É triste vermos como os “usos e costumes” de Portugal?, embora estão tentando contorná-los, ainda nos condicionam.

Como é bom e bonito, estar na Suécia, Holanda, Rússia, aliás, na Europa, EUA (Estados Unidos da América), Canada , etc. e vermos Professores Doutores, Reitores, Mestres e demais chamados pelos seus nomes próprios, como nós dizemos em Cabo Verde, enquanto que cá na nossa terra, chamada de Cabo Verde(CV), quando um indivíduo termina um curso, não interessa se bacharel ou licenciatura e é logo “apelidado” de Dr. (doutor), Engº (engenheiro), etc. Aliás, há dias, ouvi um indivíduo durante uma entrevista a chamar o entrevistador de Dr. Jornalista, pois, o outro o tratava, deferentemente, de Dr.

Mais. Há bem pouco tempo li, parece-me que foi no Facebook, se não estou em erro, um pai a desejar os votos de feliz aniversário ao filho, apelidando-o de Dr.
Percebe-se que antigamente quando era meia dúzia de pessoas que conseguiam entrar nas Universidades e Institutos e ao saírem com os canudos as pessoas as tratavam com deferência, colocando antes dos seus nomes próprios os Dr., Engº, etc. Porém, penso, que já é altura de deixarmos destes salamaleques desnecessários.

Há quem diga que já nos acostumamos com esse tipo de tratamento, ou seja, são usos e costumes, assim sendo, difíceis de “evitar”.

Praticamente, quem utiliza isso no dia a dia, somos nós os de CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) e um ou país em vias de desenvolvimento.
Alguns portugueses, assim como nós cabo-verdianos, também justificam que é costume, está enraizado, etc, a utilização dos termos Dr., Engº, etc, no tratamento das pessoas.

Os brasileiros chamam todos os endinheirados de doutor (Dr.)
Porém, eu pergunto, porquê que quando o Senhor José Manuel Durão Barroso era Presidente da Comissão Europeia, como era tratado na Europa por Durão Barroso, toda a gente, em particular todos os jornalistas, em Portugal, também, o chamavam de Durão Barroso. Contudo, logo que punha os pés em solo português era logo apelido de Dr. Durão Barroso?

Se é uma questão de usos e costumes não interessa se está na Europa, EUA, Canada, Federação Russa, China, ou Japão, o tratamento devia ser sempre igual, ou não acham?

Por cá, ou seja, CV, durante as campanhas toda a gente prescinde dos títulos de doutor, engenheiro, digníssimos, etc (assim como deixam de usar camisas de mangas compridas abotoadas ao punho e calças de fazenda e passam a usar calças de ongry e camisolas e bonés) e passam a usar, quase exigem, de ser tratados pelos “nominhos”/”nicknames” pelo que eram chamados pelos familiares e amigos quando eram crianças, tais como (simplesmente como exemplo): Djidjê, Zeca, Zona, Calú, Tony, Nany, Tcheca, Toy, Tchapa, Mikey, Gust, Ped, Gui, Jenny, Filó, Mena, Bia, Djey, Piduca, Mindoca, Djodje, Naise, etc.

Aliás, em todas as apresentações dos candidatos o mais importante é referir (e vem em letras gordas) que é conhecido ou chamado “carinhosamente” e vem o tal nominho.

Logo após a votação, o carinhosamente chamado passa a ser o “Senhor Doutor ou Engenheiro” fulano de tal acabou de votar. Que Deus nos perdoe!
Gosto de ouvir as sessões parlamentares do nosso parlamento onde os nossos deputados se esmeram no tratamento, mesmo quando chamam uns aos outros de mentirosos, ladrões, “faltadores” à verdade, trambiqueiros, etc:
O Senhor Doutor, o Primeiro Ministro, José Manuel, disse que vamos alavancar….
A Senhora Deputada, Doutora Joana Antónia……, etc.

Enquanto o ex-Presidente dos EUA (Estados Unidos da América), Barack Hussein Obama II, é, simplesmente, chamado, tratado de Obama, e o Mundo não acaba. (Obama, é graduado em ciência política pela Universidade Columbia e em direito pela Universidade de Harvard, onde foi presidente da Harvard Law Review. In Google).

Por cá, a nossa preocupação é informar que o Doutor(a) fulano(a) de tal fez tal coisa ao invés de informar que o Senhor ou Senhora fulano (a) de tal fez, executou, tal coisa, tal obra. O importante é o Título e não a PESSOA em si.

Até quando continuaremos com isso?

Vamos aproveitar esta época de campanha para as autárquicas e esquecermos, de uma vez por todas, as “salamalequices” de estarmos a conversar entre nós e a tratarmo-nos uns aos outros de Dr. ou com outro título qualquer.

Será que logo no registo de nascimento andam a esquecer de colocar os títulos logo aí? Nunca vi nenhum registo de nascimento dizendo: “Hoje, dia…, na freguesia de…, nasceu um mancebo, filho de…, a quem foi posto/dado o nome de Doutor, Engenheiro ou Arquiteto António João Sebastião”.
Até quando?

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