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Associações de Proteção das tartarugas em Cabo Verde preparam-se para época de desova nas praias 24 Maio 2019

As associações de proteção das tartarugas em Cabo Verde já têm tudo preparado para a proteção das tartaruga a partir de 01 de Junho próximo. É que a espécie “Caretta caretta" – a população que temos em Cabo Verde - é uma das mais ameaçadas do mundo. Nos últimos anos, os voluntários contabilizaram centenas de carcaças dessa espécie marinha encontradas nas praias do país durante a época da desova, que ocorre nos períodos mais quentes do ano (Junho e Setembro).

Associações de Proteção das tartarugas em Cabo Verde preparam-se para época de desova nas praias

Na Boavista, ilha onde cerca de 80% dos ninhos de tartarugas comuns depositam os seus ovos, a “Associação Cabo Verde Natura 2000” já tem montado os seus acampamentos nas duas praias que vai vigiar: Ervatão e Porto Ferreira.

Em declarações à Agência Lusa, a Vice-presidente da Associação, Maria Medina, indicou que já estão inscritos 48 voluntários, sendo 12 nacionais e 36 estrangeiros, que vão vigiar as praias até 30 de Novembro, data em que normalmente termina a época de desova.

Deve-se salientar que no ano passado, o país registou cerca de 124 mil ninhos de tartaruga, um número recorde e três vezes maior do que o do ano anterior, situação para a qual até agora ninguém encontra uma explicação.

Por isso, a responsável da “Cabo Verde Natura 2000” é cautelosa na hora de fazer uma previsão para este ano, esclarecendo que a tartaruga é uma espécie em que não se pode determinar como será a sua época de nidificação.

Para Maria Medina, no período de campanha, o maior constrangimento que as organizações não-governamentais encontram para as suas atividades é o financiamento, bem como mobilizar voluntários para a causa ambiental. Contudo, salientou melhorias no que diz respeito à caça furtiva, graças à nova lei, que entrou em vigor no ano passado, e que criminaliza o abate intencional, aquisição, comercialização, transporte ou desembarque, exportação e consumo de tartarugas marinhas.

Outra associação que já tem a sua tenda montada é a “Bios.CV”, mas na praia de João da Rosa, dentro da reserva natural da ilha das dunas, numa extensão de cinco quilómetros.

Para vigiar toda a praia, Carolina Oujo, secretária-geral, disse que a Bios.CV, fundada em 2012, perspetiva ter entre 45 a 50 voluntários internacionais e 16 cabo-verdianos.

A responsável desta ONG, uma das três que trabalham na conservação das tartarugas marinhas na ilha da Boavista, adiantou que também não espera os números tão elevados de nidificação registados no ano passado, considerando que esses valores romperam com qualquer tradição científica.

"Estamos a preparar-nos para uma temporada menor que no ano anterior, mas ainda com números consideráveis", previu, referindo que a tradição é que a seguir a um ano forte é expetável pelo menos dois anos mais fracos.

Outra ilha onde a desova de tartarugas é considerável é São Vicente, onde a Associação Ponta Pon é a única que desde 2007 possui licença para vigiar as praias, numa extensão de cerca de 30 quilómetros.

Conforme escreve a Lusa, o Presidente, Albertino Gonçalves, afirmou que em anos anteriores a associação teve dificuldades em vigiar todas as praias, entretanto, este ano espera dar cobertura em todos os pontos onde poderá ocorrer a desova, com os cerca de 60 voluntários. “Estamos a contar com um aumento significativo de saída das tartarugas fêmeas para nidificação e a nossa grande aposta será aproveitar o período de desova para promover o ecoturismo e o turismo local”, revela.

Refere-se que as associações contam com apoio e colaboração de instituições como o Ministério da Agricultura e Ambiente, da Polícia Marítima, das Forças Armadas, Direcção-geral do Ambiente, Instituto Nacional de Desenvolvimento das Pescas e câmaras municipais.

Outra praia que não fica de fora é a de São Francisco, na Praia, ilha de Santiago, onde a vigilância é feita pela Associação Fauna e Flora de São Francisco que, na última época, registou uma nidificação quatro vezes maior do que o normal. A presidente da associação, Ilse Drescher, também não consegue explicar o recorde do ano passado, justificando, por isso, que fica ainda mais difícil fazer conjeturas para este ano, não obstante dizer que "provavelmente" poderá ser igual.

“Em São Francisco, normalmente as primeiras tartarugas começam a chegar à praia em finais de Junho, pelo que ainda estamos a organizar para a vigilância, que deverá ser feita por alunos/voluntários da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV)”, informa Ilse Drescher, à Lusa.

De acordo com estudos científicos, as praias de areia das ilhas cabo-verdianas são o segundo local no Atlântico Norte para as posturas da tartaruga comum, e um dos mais importantes a nível mundial. Por isso, Cabo Verde tem uma tarefa muito especial para cumprir, no sentido de assegurar a sobrevivência desta espécie de tartarugas marinhas, tanto nas suas águas costeiras, como nas praias de areia. “Se o conseguir, cumpre um dos seus deveres mais importantes no domínio da Biodiversidade do Planeta”.

Recorde-se que a população de tartarugas marinhas “Caretta caretta” de Cabo Verde, é a terceira maior do mundo, sendo apenas ultrapassada pelas populações na Florida (Estados Unidos) e em Omã (Golfo Pérsico).

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