REGISTOS

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Arqueólogos descobrem capela quinhentista na Cidade Velha 04 Fevereiro 2019

Uma capela da primeira fase da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, na Cidade Velha, Ribeira Grande de Santiago, com paredes, chão e altar preservados, foi recentemente descoberta por um grupo de arqueólogos, no âmbito da terceira missão da UNESCO em Cabo Verde durante os trabalhos de reabilitação deste edifício, com mais de seis séculos.

Arqueólogos descobrem capela quinhentista na Cidade Velha

Esta investigação decorre no âmbito da terceira missão em Cabo Verde do Projeto Concha, da Cátedra Unesco – “O Património Cultural dos Oceanos”, a par dos trabalhos de reabilitação relaizada por uma equipa de arqueólogos, revelando que o achado será da primeira fase da própria igreja, datada de 1495.

Conforme as informações avançadas à Agência Lusa por André Teixeira, investigador da Universidade Nova de Lisboa e do Projeto Concha, este trabalho arqueológico surgiu da necessidade de conjugar a obra de conservação da estrutura, a cargo do Instituto do Património Cultural (IPC), com uma investigação à estrutura. “Os arqueólogos tinham ouvido rumores sobre a existência desta capela, que teria recebido restauros nos anos 60 do século XX, mas que se mantinha "ignorada sistematicamente", anuncia.

Sendo assim, ao derrubar a parede, a equipa deparou-se com toneladas de terra a pedras gigantescas, provenientes de uma encosta junto a um dos lados da igreja e que, de resto, há muito ameaça o edifício, indo ser objeto de intervenção. “Apesar da invisibilidade da capela, os investigadores foram identificando pequenos sinais: Primeiramente, na parede e depois no solo, havia coisas no sítio, estruturas antigas e ainda preservadas e foi por isso que iniciámos a investigação e a própria escavação arqueológica", mostra Teixeira, citado pela Lusa.

Ainda, de acordo com este investigador, na "grande configuração" que foi feita em finais do século XVI e XVII a capela foi integrada no espaço com origem na primitiva Igreja de Nossa senhora do Rosário", que posteriormente, sofreu adaptações até ser soterrada. “Entre essas adaptações, ocorreu a retirada de uma sepultura e do próprio enterramento que se encontravam à entrada da capela e que provavelmente seriam de quem patrocinou a construção da capela, o que era habitual", acrescenta.

Outros vestígios e sinais encontrados

Uma das razões para este episódio terá sido, adianta o investigador, a ameaça a que estaria exposta a capela, provavelmente dada a proximidade da encosta, cujas pedras e terra acabaram por soterrar a estrutura.

Já no século XX, nomeadamente durante a obra de reconstrução da Igreja pelo arquiteto português Luís Benavente, então diretor do Serviço de Monumentos Nacionais (Portugal), apesar de existir uma "vaga notícia da existência da capela", esta acabou por ser encerrada.

"Notámos que havia uma mistura muito grande, tanto de materiais contemporâneos, como de moedas dos anos 70, plásticos, objetos muito recentes, mas também objetos tardo-medievais (último período da Idade Média)", referiu.

Outra arqueóloga com vasta experiência é Joana Torres, que ressalva a necessidade de se realizarem mais estudos sobre esta estrutura, devido à pertinência desta descoberta. "O altar mostra claramente duas fases. Numa primeira fase é mais estreito e mais longo e depois toma uma forma mais retangular e mais imponente em que usa esses elementos mais antigos na sua própria estrutura. A mesma coisa com a plataforma em que está e que é sobre-elevada em relação ao piso de circulação, onde estaria a lápide sepulcral e que pode também eventualmente ter várias fases de construção", argumenta, realçando que resta agora analisar as próprias argamassas com que foram construídos os vários elementos do altar para perceber o que foi feito ao mesmo tempo ou não.

Entretanto, as surpresas durante esta missão do Projeto Concha não se cingiram apenas à descoberta desta capela. No decorrer da substituição das escadas de acesso à igreja, das quais faziam parte lápides dos séculos XVI e XVI reaproveitadas na escadaria, foram encontrados outros vestígios importantes para prosseguir os estudos, nomeadamente ossadas humanas (dois crânios), faltando por apurar a identificação da pessoa que foi alí sepultada na época. "Pensámos que os dois crânios não iam ser afetados com a nova escadaria, mas percebemos que será necessário prosseguir os estudos para a identificação de todas as ossadas encontradas”, sublinha a equipa.

De ressaltar que a Igreja de Nossa Senhora do Rosário está atualmente limitada a paredes e toneladas de pedras, que no final do ano, deverá estar restaurada e mais perto do que nunca do seu traçado original, segundo informações avançadas pelo arquiteto, representante do Instituto do Património Cultural (IPC) e coordenador do Projeto de reabilitação do edifício, Adalberto Tavares.

Recorde-se, que os trabalhos da investigação começaram com uma intervenção da encosta com a finalidade de impedir novas derrocadas de pedras, permitindo assim, melhor segurança física da igreja.

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade





Mediateca
Cap-vert

Uhau

Uhau

blogs

publicidade

Newsletter

Abonnement

Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project