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Argentina : Toma posse presidente Fernández com VPR Kirchner — Brasil de Bolsonaro a contragosto manda VPR Mourão 11 Dezembro 2019

A cerimónia solene que deu posse esta terça-feira à dupla Alberto Fernández, presidente, e Cristina Kirchner, vice-presidente foi precedida no Brasil de uma série de reviravoltas: Bolsonaro sem surpresa começou por indicar que não iria mandar à Argentina ninguém do primeiro escalão à tomada de posse presidencial na terça-feira. Primeiro foi indicado o ministro da Cidadania, Osmar Terra, e depois Bolsonaro disse que, afinal, a representação ficaria a cargo do embaixador brasileiro em Buenos Aires, Sérgio Danese. Mas na noite de segunda-feira deu mais uma reviravolta e disse que ia mandar mesmo o 1º escalão: o vice-presidente. Horas depois, o general Hamilton Mourão estava em Buenos Aires na cerimónia da investidura de Fernández e Kirchner.

Argentina : Toma posse presidente Fernández com VPR Kirchner — Brasil de Bolsonaro a contragosto manda VPR Mourão

A Argentina está à esquerda enquanto o Brasil está mais do que à direita. A cerimónia solene que deu posse esta terça-feira à dupla Alberto Fernández, presidente eleito, e Cristina Kirchner, vice-presidente eleita a 27 de outubro, logo à primeira-volta, tem na base a promessa de "construir a Argentina igualitária e solidária com que sonhámos!".

Alberto Fernández repetiu a promessa no seu primeiro discurso de vitória, tendo a seu lado a vice-presidente eleita, Cristina Fernández de Kirchner (presidente em dois mandatos sucessivos, de 2007 a 2015).

A candidatura socialista de oposição ao conservador Macri venceu a aposta, como ficou claro quando estavam contados 97 por cento dos votos. Os resultados definitivos na segunda-feira, 28, dão-lhes 48 por cento — mais três por cento do que precisavam para serem eleitos logo à primeira-volta.

Mauricio Macri chegou em 2015 ao poder com a promessa de reduzir a pobreza, mas quatro anos depois aumentou o número de argentinos que vivem abaixo do limiar da pobreza.

O país viu agravar no último ano os indicadores económico-sociais: 35% da população vivem na extrema pobreza, o desemprego atingiu os níveis mais altos, desde 2006, e a inflação explode.

Crise económica e social

"É o péssimo desempenho económico do governo Macri que explica esta vitória", indicou à AFP o politólogo Miguel de Luca, professor na Universidade de Buenos Aires.

"Mauricio Macri, que, ao chegar ao poder em 2015, prometeu reduzir a pobreza e a inflação falhou redondamente", como mostram os indicadores acima referidos.

A reformada Antonieta Cavalieri, de 73 anos, afina pelo mesmo diapasão como a mesma expressou ao repórter da televisão pública: "Perdi muito poder de compra nestes últimos anos. Votei em Alberto Fernandez porque quero ver as coisas a mudar".

Ela e "largas dezenas de milhares de argentinos", segundo a imprensa, que como ela festejavam em frente à sede de campanha da dupla Fernández-Kirchner: "Estamos de volta!".


A volta do Peronismo

A ideologia peronista está associada ao socialismo argentino do Movimento Justicialista, criado e liderado a partir do pensamento de Juan Perón, militar e estadista argentino, presidente eleito em 1946, 1951 e 1973. O movimento transformou-se, mais tarde em Partido Justicialista, que é a força política maioritária na Argentina.

O Peronismo tem sido tachado de autoritário pelos seus opositores, em parte baseados no facto de ter havido transmissão do cargo presidencial entre marido e mulher. Foi assim com Isabel Perón, vice-presidente do marido e que com a morte de Juan Perón em 11974 ascendeu à presidência. Também Cristina Kirchner foi primeira-dama da Argentina de 2003 a 2007 e depois ascendeu à presidência de 2007 a 2015.

Mas os candidatos peronistas só chegam ao poder na Argentina através da via eleitoral e democrática. Ao contrário de Adolfo Rodríguez Saá, eleito pelo congresso argentino após a renúncia do presidente Fernando de la Rúa em dezembro de 2001, seguido, um mês depois, de Eduardo Duhalde também eleito desta mesma forma após a renúncia do próprio Rodríguez Saá.

Além de Perón em 1946, 1952 e em outubro de 1973, Héctor Cámpora em maio de 1973, Carlos Menem em 1989 e em 1995, Néstor Kirchner em 2003 e Cristina Kirchner em 2007 e em 2011, foram eleitos diretamente pelo povo.

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Fontes: Agência Brasil/Estadão/ Relacionado: Argentina: Fernández e Kirchner obtêm maioria na 1ª volta da presidencial — Regressa o peronismo, 30.out.019. Fotos (Wikipedia). Cristina Kirchner, de 66 anos, e Alberto Fernández, de 60 anos.

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