Editorial

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Ano agrícola: Atraso na queda das chuvas e ausência de medidas do Governo para eventualidade de mais um ano de seca 26 Agosto 2019

Cabo Verde está na iminência de conhecer mais um ano de seca – o terceiro consecutivo, caso até princípios de Setembro não caiam chuvas gerais abundantes em todo o arquipélago. Mesmo com esse atraso, entre os camponeses reina alguma esperança de que nem tudo está ainda perdido se aconteça queda de precipitações nos próximos dias. Os mais atentos criticam, no entanto, que o governo já devia ter anunciado um plano de emergência para fazer face a mais um eventual mau ano agrícola, ao invés de ficar a anunciar (ver este jornal) que está preparado para todos os cenários possíveis.

Ano agrícola: Atraso na queda das chuvas e ausência de medidas do Governo para eventualidade de mais um ano de seca

Mesmo com esse atraso, entre os camponeses reina alguma esperança de que nem tudo está ainda perdido se aconteça queda de precipitações até a primeira semana de Setembro. Segundo lembram, já houve ano em que a chuva caiu nesse mês e desfrutou-se de boa às-agua.

Diante da grave situação que se vive no meio rural devido aos dois anos consecutivos de seca, muitos camponeses dizem, no entanto, que estão a «rezar para que caiam chuvas abundantes no país», isto para que se possa resolver a falta de pastos para animais e água para a agricultura. Conforme eles, muitos animais foram já abatidos, vendidos ao desbarato ou morreram de fome por falta de pastos.

Para os mais críticos, o governo de Ulisses Correia e Silva devia ter já anunciado um plano de emergência para fazer face a mais um eventual mau ano agrícola, ao invés de ficar a anunciar (ver este jornal) que está preparado para todos os cenários possíveis – boa às-agua ou mais um ano de seca.

Aliás, foi de forma muita lacónica que o actual executivo, através do ministro da Agricultura e Ambiente, se pronunciou, perante a insistência da imprensa, sobre a eventualidade de um bom ou mau ano agrícola em Cabo Verde. Gilberto Silva, que falava sábado,24, aos jornalistas, em São Domingos, interior de Santiago, afirmou que ainda não há que dizer que se vai haver um mau ano agrícola, mas que, mesmo assim, o Governo trabalha para todas as alternativas e cenários. “Num cenário em que as coisas não corram bem, o governo entrará com medidas adicionais de mitigação. Nós temos trabalhado muito fortemente nas medidas de resiliência e que têm haver essencialmente com a mobilização da água”, garantiu o governante, anunciando que vai arrancar com os trabalhos de dessalinização da água salobra e da água do mar para serem utilizadas na agricultura.

Oxalá que venha a caía chuva para a tranquilidade dos homens do campo e do país – há dinheiro que não acaba, mas o desemprego é elevado na camada jovem e há gente que passa fome em zonas áridas do Porto Novo de Santo Antão. É que, segundo alertam alguns agricultores e criadores de gado, «com esse ministro arrogante nenhuma medida governamental contra a um eventual ano de seca vai ter impacto positivo no meio rural», como aconteceram com os falhados planos de mitigação de seca apresentados nos dois últimos anos pelo governo de Ulisses Correia e Silva. Vamos esperar para ver!

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