OPINIÃO

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

A comunicação política 03 Maio 2018

Infelizmente, se não houver mudanças contrárias a este estado de arrogância política, o partido que suporta o Governo acabará por destruir ainda mais o país. A comunicação politica, em Cabo Verde, continua funcionando como instrumento de controlo e mecanismo de legitimação ilegal do sistema politico e da ordem social que lhe é subjacente, e isto pode causar a queda deste Governo, nas urnas.

Por: Carlos Fortes Lopes, M.A.

( A Voz do Povo Sofredor)

A comunicação política

A politica é um fenómeno com uma componente comunicacional exigente, e a comunicação política em Cabo Verde está um desastre total.

A arte de governar não se pode concretizar sem respeito para com o eleitorado e desprovida de uma comunicação assertiva e coerente. Escutar os eleitores, formular ideologias ou doutrinas, transmiti-las, construir crenças etc., etc., são tudo acções que dependem da capacidade de comunicação dos governantes/políticos.

Os governantes bem sabem, ou deviam saber, que a comunicação política não se restringe à propaganda político-partidária. Os assuntos de interesse nacional e de carís público são para todos e devem ser DEBATIDOS com o eleitorado, respeitando as opiniões deste último.

A influência partidária e ou a arrogância política não coaduna com a legitimação das acções governamentais e, actualmente estão causando muito descontentamento popular, o que poderá vir a trazer dissabores inimagináveis para os atuais governantes.

A coerente e aberta comunicação política, com o eleitorado, é a ferramenta necessária para manter no poder e ou aumentar a credibilidade dos governantes. A coerência na comunicação é a chave do sucesso de qualquer governo num regime democrático.

Com comunicações autoritários, com toques de arrogância, a informação deixa de ser atraente e acaba por alimentar a desconfiança e aumentar o espírito de revolta no eleitorado.

A falta de coerência nas comunicações deste Governo estão dando sinais claros de falta de coordenação interna e ou arrogância exagerada de alguns dos elementos que o constituem. Sem uma comunicação acertada nunca haverá um debate coerente.

A comunicação é e sempre será o principal instrumento de controlo, em regimes onde o conteúdo da constituição da República deve e tem que ser respeitado. A arrogância e abuso do poder acabam por tornar a cúpula governamental em instituição ou instituições sem legitimidade democrática.

Com base nesses dados, torna-se fulcral estudar as tendências que traçam a comunicação política na nossa democracia, para compreendermos o seu impacto popular.

No mundo moderno e evoluído, a comunicação política bem praticada pode servir de via para atrair simpatias populares.

O estilo de comunicação política que recorre às imagens e emoções é hoje cada vez mais comum, mas no nosso país tudo é decidido com atitudes arrogantes, e em algumas ocasiões exibindo os músculos do poder político/partidário.

Em Cabo Verde, a comunicação política tem sido fruto da apropriação de uma cultura mediática, mal construída ao longo dessas mais de quatro décadas de país independente.

A maioria dos políticos continuam a ignorar o setor popular que tem vindo a consolidar-se como uma sociedade mais competitiva, sempre em busca de informações corretas e descartando as mensagens com tiques propagandistas.
Vivemos hoje numa sociedade altamente mediatizada e, a política como todos os campos da acção humana, estão sob um constante escrutínio dos mais atentos, que aproveitam da “liberdade de expressão” para, na ausência de uma comunicação social totalmente livre e independente, comunicar as ilegalidades e as frustrações para com o setor da governação do país. Os políticos não podem continuar a fingir não saberem que foram eleitos para trabalhar para o bem-estar da nação e seu povo, e, são funcionários das populações deste arquipélago. Por conseguinte os políticos devem pautar pelo respeito, com humildade, respeitando e acatando as palavras de ordem do eleitorado nacional.

Enquanto não se se verificar alguma reação positiva dos políticos, as populações só terão um caminho a percorrer. O caminho da revolta e demonstração do seu descontentamento com a forma de governar este país de todos os cabo-verdianos. O impacto do estilo hegemónico de comunicação nesta nossa deficiente experiência democrática pode estar a atrair essas atitudes e, caso essas atitudes não forem controladas e ou eliminadas a tempo e hora, o pior pode acontecer a qualquer momento.

As nossas pesquisas levam-nos a concluir que alguns dos políticos vêem as suas formas de comunicar ou interagir com alguma franja das populações como formas de criar alguma simpatia popular mas estão muito aquém do desejado. Os atuais governantes não podem esquecer que as promessas de campanha foram muitas e as mais importantes (emprego, saúde e transporte) estão longe de alcançar o nível prometido. São essas as razões do desinteresse geral dos cidadãos pela política. E, como é óbvio, a oposição política sempre acaba por tentar tirar o devido proveito da situação, fomentando ainda mais a apatia generalizada.

Infelizmente, se não houver mudanças contrárias a este estado de arrogância política, o partido que suporta o Governo acabará por destruir ainda mais o país. A comunicação política, em Cabo Verde, continua funcionando como instrumento de controlo e, mecanismo de legitimação ilegal do sistema político e da ordem social que lhe é subjacente, e isto pode causar a queda deste Governo, nas urnas.

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