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A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

A CULTURA DO SUOR (I) 21 Mar�o 2019

Fiquemos com a herança dos nossos maiores. E vamos valorá-la e sintamos orgulho em ter um dos climas mais fascinantes e desafiantes do mundo. Sejamos dignos da Herança-Património recebida dos nossos maiores. Sob a cultura do suor.

Por:Jaime Ben Hare Soifer Schofield

A CULTURA DO SUOR (I)

AS TRÊS ESTAÇÕES ( Continuação - Segunda e última parte)

7. A TRÍPLICE ALIANÇA

7.1. AS MULHERES E OS HOMENS DA ESCRITA

Numa época de mentiras universais, dizer a verdade é um acto revolucionário – George Orwell.

E vieram os aliados das duas estações património-herança vividas e proclamadas pelas Filhas-das-Ilhas e pelos Filhos-do-Mar-Azul e transmitidas à Posteridade para preservar e valorar. E vieram os que tratavam a palavra com sensibilidade e magia e verdade.

Eugénio Tavares com a beleza do mar e a melodia encantatória da morna; B. Leza, com os dramas do mar d’canal e melodias do seu bronze; Vera Duarte a poetisa-profeta da Candidata e ‘O que existe/È a busca constante/do pão que abundante virá’; Jorge Monteiro com ‘Es dez grãozinho di Terra, qui Deus spaiá na meio di mar’; Dina Salústio, o génio da rebeldia e a magia de mornas são as noites ‘Éramos tu e eu/dentro de mim/centenas de fantasmas/compunham o espectáculo/E o medo/ todo o medo do mundo em Câmara lenta nos meus olhos’ e Jorge Barbosa queda-se ante as filhas das ilhas e do pescador buscador de vida ‘Ó Cabo-Verdiano humilde/anónimo – meu irmão!; e Luís Romano publica o romance de denúncia sobre a tragédia do povo ante a fome de quarenta;, Fátima Bettencourt lança um certo olhar perspicaz e irrequieto para a vida que nos cerca, ‘E tudo é uma parcela do diverso cristal dessa memória, o universo’; Gabriel Mariano publica o épico Capitão Ambrósio ‘Chora/Ressuscita e luta povo’; e Arménio Vieira ‘Talvez um dia/onde é seco o vale/e as árvores dispersas/haja rios e florestas/surjam cidades de aço/e os pilões se tornem moinhos’; e o poeta-profeta António Nunes: ‘ sonho que, um dia, essas leiras de terra/filhas do nosso esforço/frutos do nosso suor/serão nossas’; e Antero Simas conta e canta o Hino a Cabo-Verde em Doce Guerra, ‘nha vida nascê/dum desafio di bô clima ingrato’; e o trovador Manuel d’Novas ‘bem disfrutá morabeza/Nô cá tem or nô ca tem diamante/Ma nô tem esse clima sabe qui Deus done; e Amílcar Cabral: ‘Mamãe Velha, venha ouvir comigo/O bater da chuva no seu portão/É um bater de amigo’ e Corsino Fortes: ‘Não há chuva que não lamba o osso de tal homem’; e Sergio Frusoni ‘ otr’ora nha terra que tá percê-me grande moda um munde/e mas tarde moda um continente/ca é mas agora/do que esse cantim/perdido nesse mar profund’; e Oswaldo Osorio: ‘Ouso o nosso pão e posso/ainda molecular a ideia/para dedos de haver; e Dante Mariano: é cá lua/é cá strela/é cá perla di mar/é ca fettiço/’e madrugada na bòs odjos’ e José Luís Hopffer Almada: às portas abertas do amanhã conquistado/para o renascimento do homem na sua terra /aglutinante crescente diluvial/na alvorada de Cabo Verde...’

Jamais houve um casamento tão harmonioso. As Filhas das Ilhas e os Filhos do Mar Azul e os que cantaram a Terra e o Mar, as madrugadas nos olhos d’nôs Krêtxeu, proclamam a verdadeira aliança.

7.2. OS PIONEIROS DO TURISMO

A sabedoria não nos é dada. É preciso descobri-la por nós mesmos, depois de uma longa viagem que ninguém nos pode poupar ou fazer por nós – Marcel Proust

Afinal o clima «maldito», «ingrato», «agreste», «seco», «ventoso», é considerado um ‘trunfo’, uma dimensão diferenciadora, um factor de excelência, no contexto dos paraísos do planeta.

O vento? Sim, mas é uma das dimensões do turismo de desportos náuticos. É a força motriz que atrai os amantes do desporto limpo.

A poeira? Sim, mas é o factor primordial na recarga das nossas praias e dunas de areia branca por entre o basalto negro das nossas rochas e planaltos.

O Hermattan? Sim, mas é graças ao vento saheliano, portador da areia do Saará, que temos as mais belas praias de areia branca do mundo.

O turismo em Cabo-Verde, enquanto indústria geradora de rendimentos, começa na Ilha do Sal.

O casal belga Gaspard Vynckier e Marguerite Massart, atraídos pelo clima e por razões de saúde, decidiram, em 1963.constriruir uma casa de férias.

E então vieram o Georges e Geneviève, E ela viu que Santa Maria era o paraíso por eles procurado. E, pelo exemplo e tenacidade, mostrou que a indústria do turismo em Cabo-Verde, era uma realidade, E fundaram e desenvolveram o complexo MORABEZA. O marido da Madamme Vynckier, Georges, fica ligado a Cabo-Verde, pela implementação do sistema pioneiro de energias renováveis, pelo sistema de osmose, operando com a água do mar, assegurado com competência do Técnico Belga-Cabo-Verdiano. Bauduin Baert.

O exemplo foi seguido por quantos quiseram investir num pedaço do mundo com um clima tropical seco, com o Hermattan e praias de sonho e um povo que recebe os hóspedes com alegria na rosto e ao som da morna e ao ritmo do Funaná.

E assim Cabo-Verde se transformou num dos locais cada vez mais procurado para férias.

O turismo, enquanto indústria geradora de postos de trabalho e de rendimentos, começa na Ilha do Sal.

Integrada nas ilhas rasas, com as da Boa Vista e do Maio, caracterizadas pelas praias de areia branca e banhadas por um mar da cor de turquesa.

O Aeroporto Internacional do Sal desempenha um papel fulcral para o turismo.
Noje a Ilha do Sal é conhecida por ser a capital do turismo cabo-verdiano, sendo vista como a ilha das oportunidades e um modelo de desenvolvimento para as outras ilhas.

7.3. OS ALIADOS - O DESPORTO DAS ONDAS E DO VENTO

Citius, altius, fortius (mais rápido, mais alto, mais forte).

E veio o casal VÉRA e PATRICK HEINTZ.

São os pioneiros entre nós, do desporto das ondas e do vento, em Cabo-Verde Proprietários do emblemático restaurante Atlantis, em plena praia de Santa Maria e apaixonados pelas ondas e pelo vento, Santa Maria foi amor à primeira vista,

A importância do casal radica na sua capacidade de estabelecer escola dos desportos das ondas e do vento. A Ilha do Sal escreve a sua história com os campeões internacionais Johs Angulo, Mitu, Matchu Lopes, Airton, Djò e outros. E mais que isso, as praias de Santa Maria como Ponta Preta (salva dos festivais pela cidadania cívica), de Kite-Beech são procuradas, ao longo do ano, por desportistas das ondas e dos ventos. E as Ilhas-irmãs perfilam-se como vocacionadas para os desportos náuticos, onde se incluem mergulhos, pescas desportivas e viagens costeiras e para outras ilhas.

8. O IMPÉRIO DAS CÓPIAS

Era espectável.

Se alguém, algum dia, se der ao cuidado de coligir as acções formais de encontros, work-shops, conferências, fóruns, simpósios, ficaria admirado com a quantidade de papéis e de materiais das novas tecnologias de comunicação e informação, provenientes dessas acções..

E se se desse a algum trabalho constataria alguma repetição.

Cabo-Verde é, seguramente, o paraíso dos copiadores. Copia-se tudo. Conferèncias, formações, aperfeiçoamentos profissionais, fóruns disto e daquilo. Uma infinidade de matérias já ditas e reditas. E se se quiser, ainda restarão centenas de textos, quilómetros de temas apenas anunciados. E de uma simples análise teremos material interminável para ornamentar estantes e armários.

Copiar diplomas, códigos, procedimentos é um mal necessário? Claro que não. Todavia, enquanto imperar a preguiça e a insustentável leveza das facilidades, não dominaremos o saber e os conhecimentos de um tempo que não se compadece com a ligeireza. Impõe.se cultivar a tese do trabalho.

Mas copiar uma situação científica de um espaço para Cabo-Verde, não tem implicações?

As cópias têm lugar quando o agente escolhe o meio mais fácil e o que não implica um esforço. Entre a cultura do suor e a insustentável leveza da cópia, escolhe-se o mais fácil.

Mas convenhamos que entre copiar um texto e elaborar um documento de natureza científica, há uma grande distância. Esta de copiar as três estações do ano e não adoptar, conhecer, compreender e aplicar as duas estações desde sempre conhecidas e vividas pelos nossos maiores, não lembrava a ninguém de bom senso. Como ficou demonstrado, as duas estações cíclicas em Cabo-Verde, são reforçadas pela ciência, pela literatura e pelo turismo, enquanto actividade económica principal do País.
Então é de todo incompreensível qua a comunidade educativa, desde a cúpula do Ministério da Educação e Família, às demais subestruturas, máxime as escolas de todos níveis, apregoem ao longo do ano, programas de verão;

E a comunidade política não fica atrás. Tem programas de verão, máxime a universidade de verão, em setembro.

E a comunidade da comunicação social, além do papel de divulgar as actvidades de outros sectores, também difunde os programas específicos, a maior parte deles sob a designação de verão.

E as organizações da sociedade civil, também propagam, v.g., o carnaval de verão.
O facto da cópia se referir à Primavera, Inverno e Verão, não restam dúvidas que o Verão é dominante. Mas não reduz o erro.

Aliás, refira-se que o facto dos copiadores das três estações terem omitido o Outuno, significa que seria demasiado ridículo enquadrá-lo num clima tropical seco.
Mas esqueceram-se que copiar três das quatro estações da Zona Temperada do Norte não só é ridículo, como acientífico e vergonhoso e patético.

E, sobretudo, estamos a menosprezar um dos melhores activos no que diz respeito ao clima. É, sem qualquer sombra de dúvida, um factor de competição no quadro de outros paraísos turísticos que concorrem com Cabo-Verde.

Fiquemos com a herança dos nossos maiores. E vamos valorá-la e sintamos orgulho em ter um dos climas mais fascinantes e desafiantes do mundo.

Sejamos dignos da Herança-Património recebida dos nossos maiores. Sob a cultura do suor.

benhare@cvtelecom.cv

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