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A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

A: Quarenta e cinco anos! Tanto e tão pouco — 05 Julho 2020

A: Se é estadista ou é como nós --- B: Tens razão, tenho de concordar contigo que falta muito ainda para cumprir o sentido do sonho do Estado independente—

A: Quarenta e cinco anos! Tanto e tão pouco —

A: Quarenta e cinco anos! Tanto e tão pouco —

B: Parece que foi hoje o primeiro dia. Lembras-te? —

A: Se lembro! A memória da cachupa/katxupa de domingo nesse sábado, a vir da cozinha, ainda antes de a vermos, rescendia... e tu reclamavas!—

B: O rádio a transmitir o que iríamos ver no telejornal da noite —

A: E ler sobre a troca das bandeiras, na pena do enviado-especial que depois soubemos era cunhado do nosso conterrâneo da Ponta do Sol —

B: Sempre essa tua tendência de virar o histórico para o tornar quotidiano —

A: Hás de concordar comigo que faz falta às vezes —

B: Escrevia acho que no Diário de Lisboa

A: E, com a distância do analista, escrevia o prefácio de Distância

B: Independência flor! Mas o polícia amigo do pai que acabara de desembarcar, vindo do Sal, agourava o sucesso da empreitada —

A: Levou-me a ver o meu primeiro Benfica, mas era um descrente, para ele ia tornar-se realidade o projetado cenário de hecatombe —

B: Repetido doravante até à exaustão, em relação a todas as colónias perdidas, em vergonhosos títulos bombásticos, no jornal da Vera Lagoa —

A: Continuados na habitual estratégia desde os anos ’80 do jornal mais lido em Portugal, porque usa muito da hecatombe, do escatológico —

B: Mas chega de falar no argueiro no olho do outro —

A: Lembras-te da Mãe emocionada, a antever na hora presente de Cabo Verde o futuro dos filhos —

B: Ela dizia: A independência é como a Mãe a ver os filhos a sair de casa —

A: Enfim gravaste mas eu não. Se fosse hoje, teria argumentos para dizer que nós nunca fomos filhos —

B: Sei: que Portugal nunca foi mãe, que a morabeza é um logro... Mas tu continuas por lá

A: Que remédio! Não quero ficar a dever a quem nos deve tanto

B: Citação! —

A: Tens razão sobre a trave no nosso olho! A tirada de quarentena sem ter resultados foi até onde sabemos irresponsável —

B: Eu ainda pensei que havia uma estratégia por trás. Mas não! —

A: Nem plano A nem plano B —

B: Só cedência à ignorância, à irresponsabilidade ---

A: Quiçá ao desespero —

B: Mas é nessas horas que cada indivíduo se revela —

A: Se é estadista ou é como nós ---

B: Tens razão, tenho de concordar contigo que falta muito ainda para cumprir o sentido do sonho do Estado independente—

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