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25 mil expulsos da Argélia, grande maioria atravessa deserto a pé até Níger 11 Janeiro 2019

Os 166 nigerinos e outros oeste-africanos expulsos da Argélia em fins do ano transato que chegam de camião (foto), no dia 26 de dezembro, ao centro da OIM em Arlit, Níger, podem considerar-se sortudos. É que a maior parte dos expulsos da Argélia — 25 mil só em 2018 — regressa ao Níger a pé e há quem não resista aos rigores da travessia (literal) do deserto do Saara.

 25 mil expulsos da Argélia, grande maioria atravessa deserto a pé até Níger

A tragédia da travessia do deserto do Saara dos migrantes vindos do sul conhece sempre novos episódios. O mais recente, neste início do novo ano, é o número de expulsos da Argélia, 25 mil segundo o balanço feito por organizações internacionais como a OIM.

São na grande maioria sul-saarianos: do Mali, Senegal, Guiné-Conacri, Benim, Togo e mais de metade da Nigéria. Mas as notícias deste início de janeiro focam os "120 sírios, iemenitas e palestinos retidos na fronteira entre a Argélia e o Níger".

Os media internacionais repercutem a ’grande preocupação’ por estes, como tinha expressado na mensagem de ano novo, há uma semana, na quinta-feira, 3, o Alto-Comissariado das Nações para os Refugiados (ACNUR).

Os media internacionais fizeram eco da "preocupação com a segurança dos 120 sírios, iemenitas e palestinos retidos na fronteira entre a Argélia e o Níger" desde 26 de dezembro.

A insegurança é contudo uma constante para a grande maioria dos migrantes que atravessa o deserto do Saara, entre Níger e Argélia, ao longo de milhares de quilómetros.

Regressam ao Níger a pé os que foram trazidos à Argélia de camião. Mas há quem não regresse como aconteceu em fins de 2013: foram encontrados no deserto cadáveres de noventa e duas pessoas, 55 das quais crianças. Tinham partido do norte do Níger em dois camiões, um deles avariou-se e o outro foi buscar ajuda — que nunca veio para os 92 passageiros apeados que morreram a sonhar com Tamanrasset, povoado do seu destino no sul da Argélia.

Denúncias de escravatura "pior que na Líbia" ainda por confirmar

Dezenas de migrantes africanos denunciaram ter sido vendidos para trabalhar, a maior parte na Europa, e que na Argélia se viram enredados numa situação de escravatura "pior que na Líbia".

Organizações humanitárias, segundo a OIM, temem que seja uma tendência crescente o fenómeno de abusos contra aqueles que buscam uma nova vida na Europa.

Fontes: Le Monde/ Reuters/Europe Press

Foto (Le Monde): Nigerinos e outros oeste-africanos expulsos da Argélia chegam ao centro da OIM em Arlit, Níger. Estas 166 pessoas foram recentemente trazidas de camião, mas a maior parte dos expulsos da Argélia chegam ao Níger a pé e há quem não resista aos rigores da travessia (literal) do deserto.

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