AMBIENTE

A SEMANA : Primeiro di?rio caboverdiano em linha

Apanha desenfreada de areia nas praias do Tarrafal de S. Nicolau: Moradores acusam autoridades de “descaso” 20 Fevereiro 2014

A areia está a desaparecer das praias do município do Tarrafal de São Nicolau. De Barril a Praia Grande e Bròke, as praias hoje quase não têm areia devido à apanha desenfreada desse inerte, denuncia o deputado nacional Leão Lopes, que assistiu perplexo a uma investida contra a pouca areia que ainda sobra, na “barba-cara” das autoridades e em plena luz do dia. Mas é sobretudo à noite que camiões e outras viaturas de caixa aberta invadem as praias para apanhar areia, acusam os moradores. O Capitão dos Portos de Barlavento, António Monteiro, que tomou conhecimento do caso através do A Semana, promete inteirar-se dos factos e dar o devido tratamento ao problema.

Apanha desenfreada de areia nas praias do Tarrafal de S. Nicolau: Moradores acusam autoridades de “descaso”

A extracção de areia nas praias de Barril, Praia Grande e Bròke está a ganhar contornos preocupantes, dizem várias testemunhas. Ao A Semana, Jack de Mana faz um relato dramático das cenas a que assiste diariamente da porta da casa de veraneio que possui na praia de Barril. “Estão a apanhar grandes quantidades de areia. Os camiões e viaturas ´Dyna´ chegam de noite e levam toneladas de areia. E ninguém diz nada”, lamenta.

Inconformado, este cidadão procurou as autoridades marítimas para denunciar o caso. “Vieram comigo e fizeram fotos. Disseram que enviariam as informações recolhidas no terreno para São Vicente, pedindo às autoridades patrulhas mais frequentes na praia de Barril. Há dias fui lá para saber se já tinham uma resposta. Disseram que continuam à espera”, relata à nossa reportagem.

Profundo conhecedor do local, Jack de Mana explica que os “apanhadores” tentam disfarçar a sua actividade ilegal, é crime, enchendo o buraco deixado pela extracção de areia com terra retirada da ribeira. Mas isso acaba por dar nas vistas. O mais grave, continua esta nossa fonte, é que agora resolveram atacar a praia de “Altim das Flores”, cuja areia, dizem os antigos, tem poderes medicinais.

“A praia de Altim das Flores recebe pessoas de toda a ilha de São Nicolau e até de fora, que vão lá mergulhar na areia que dizem ter poderes terapêuticos. Mas a ganância está a levar os apanhadores de areia para lá também”, relata Jack de Mana, revoltado com este delito e também com a aparente apatia das autoridades.

Praias protegidas

Cenário idêntico se verifica na Praia Grande, revela outra fonte. O local foi devastado na década de 90, quando foi construído o sistema de adução de água para as então vidas da Ribeira Brava e do Tarrafal. Foi da Praia Grande que se retirou toda a areia utilizada para construir as valas que receberam a tubulação que transporta a água. “Recentemente, as tartarugas começaram a nidificar ali. É com tristeza que vejo esta praia a desaparecer”, lamenta.

Outra praia que, segundo a nossa fonte, está também a ser violada é “Bròke”, uma das poucas de São Nicolau onde as tartarugas desovam. Insensíveis a este facto, os apanhadores de areia continuam a escavar, não fazendo casa da catalogação oficial de zona protegida.“Eu próprio levei a Polícia Nacional e o Instituto Marítimo e Portuário ao local, mas não resultou em nada. Estamos a destruir este berçário de peixe e de nidificação de tartaruga. É uma lástima”.

O deputado nacional Leão Lopes também está revoltado com a situação. De passagem pela ilha de Chiquinho, Leão Lopes conta que assistiu a uma apanha desenfreada de areia na Praia Grande.”Vi máquinas a retirar grandes quantidades de areia às claras, mas não consegui vislumbrar nenhuma autoridade no local. Fiquei indignado”, afirma. A apanha desenfreada de areia, defende este eleito nacional, pode causar sérios problemas ambientais na baía e na cidade de Tarrafal.

“O mais caricato é que não sei onde estão a utilizar tanta areia porque não vi obras de vulto no município”, constata Leão Lopes, prometendo levar o assunto à próxima sessão da Assembleia Nacional.

Confrontados com estas denúncias, o IMP e a Capitania dos Portos de Barlavento mostram surpresa e prometem resolver o problema.

Em conversa com A Semana, um ambientalista aconselha Cabo Verde a encontrar soluções mais ecológicas para a construção civil, por exemplo tijolos de terra. “As alternativas existem e são económicas, mas as autoridades têm de mostrar abertura e desafiar os técnicos a fazer projectos que dispensam o uso de areia”.

Constânça de Pina

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