HISTÓRIA

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O ouro de Leijmuden 17 Agosto 2010

Decorria o ano de 1770, Leijmuden, um veleiro (possivelmente uma fragata) construído quinze anos antes, ficou irremediavelmente encalhado num dos baixios no nordeste da Boavista. Aconteceu precisamente no dia 25 de Janeiro.

O ouro de Leijmuden

Com mais de trezentos ocupantes, entre tripulação e passageiros, ia no comando o capitão Jan Hermanus Kingsbergen que era coadjuvado pelo navegador Beren Wedelink. Esses, na sequência do naufrágio, foram acusados de negligência e não puderam voltar aos serviços da companhia proprietária da embarcação, a Câmara de Amsterdão.

Lejmuden tinha saído do porto de Texel no dia 29 de Dezembro e ia a caminho de Ceilão (actual Sri Lanka). Aproximou-se do arquipélago supostamente para reabastecimento em frescos (víveres e água) como habitualmente acontecia na época. Erro de navegação, desconhecimento das imediações da Boavista, avaria ou estado desfavorável do tempo? São desconhecidas a ou as razões que levaram o Leijmuden ao encalhe.

Não há certezas de vitimas mortais embora qualquer operação de resgate na área de Cabeça de Rifona seja complicada e arriscada tanto à noite como no mar encrespado, o que é uma constante. Trezentos e dezassete ocupantes do Leijmuden acabaram por chegar à Praia num bergantim inglês que passava pela Boavista. Entre eles constavam cinco mulheres e possivelmente algumas crianças.

Governava Cabo Verde Joaquim Salema de Saldanha, que tinha a responsabilidade de informar a corte da ocorrência. Esta súbita importância do naufrágio do Leijmuden deve-se ao facto de transportar uma quantidade razoável de ouro. Trinta e sete lingotes distribuídos por três cofres, dezassete dos quais chegaram a Praia com os sobreviventes. A confusão à volta dos destroços do Leijmuden era enorme, os habitantes apoderam-se de tudo que desse à costa ou estivesse à volta dos recifes, começaram a circular e a ser vendidas porções de ouro na vila de Sal-Rei. A ser verdade fica a dúvida de quantos lingotes teriam sido realmente recuperados na totalidade, quantos foram entregues às alfândegas e finalmente quantos ficaram no fundo do mar.

Apesar das incursões clandestinas perpetradas por caçadores de tesouro sul-africanos e possivelmente de outros países também, nunca mais se ouviu falar do ouro de Leijmuden até há cerca de dez anos atrás. Em 1993 uma empresa sul-africana obteve do governo autorização para explorar alguns destroços de barcos na costa da Boavista, entre os quais do Leijmuden. Em 94 encontraram um único lingote de aproximadamente cinco quilos de peso.

Segundo o contrato o estado de Cabo Verde seria dono de 50% do achado, direito que acabou por passar à Holanda que se mostrava interessada por não ter nenhuma peça idêntica pertencente à companhia holandesa da Índia. Entre 1997 e 99 a transacção entre os sul-africanos e os holandeses é finalmente concluída e a barra entregue aos responsáveis da cultura que a expôs num museu. Poucas semanas depois desaparece misteriosamente… pelos vistos até à data de hoje não se sabe do seu paradeiro ou destino.

Emanuel C. D’Oliveira

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