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KJF e a vitaminada crioulização: De pé e mexe-te! 16 Abril 2017

Kriol Jazz Festival é o centro por dois dias, neste país do meio do mundo onde vêm dar todos os caminhos. País de encontros, onde casamos sem paradoxo a tradição com a atualidade.

Por: A. Teresa Pires Paulo

KJF e a vitaminada crioulização: De pé e mexe-te!

1

Lugar de aguada, ponto de encontros que tornaram urgente a nova língua. Língua que é matéria, é instrumento, é tema e rema, é espírito e letra de música, que tal como ela, língua, expressa amor e dor, alegria e tristeza, despedida e esperança no reencontro: cantos de amor, epopeias de trabalho, cantigas de mar e terra.

Cantigas na rotxa e na morada. Vozes na catedral encantando desde a era de Seiscentos os visitantes, como o mais erudito deles escreve ao futuro rei Teodósio. A língua que dá forma à música nova, filha destes encontros.

2

A música nova filha de encontros,  vislumbramo-la neste lugar, no palco que se encosta à Universidade Pública – parece-me que é a primeira vez que tal sucede – neste Eutopos que esta noite é a Praça dita da Escola Grande, mesmo se nos registos homenageia o vate que esteve por aqui junto de um seco e estéril monte.

Então um dia a música sempre.

Vocalizações de Jowee, do saxofone e trompete ao tenor, e soprano, gravíssimo e agudíssimo. Mas é também entertainer, um menino à procura de aplausos e para os ouvir de perto salta para junto do público, uma e mais vezes.

3

Benditos ouvidos meus, porta de entrada para este universo que nos enche o corpo de vibrações e nos vitamina a alma. Acordes de jazz que são vibrações novas, vitaminas de renovação que fazem reverdecer sons substantivos, tons adjetivos, vibrações de tensão temporal.

Acordes que evocam a primeira manhã da vida, o mergulho na cachoeira de água fresca, a revolta e troadora ribeira, rebera-sima-mar, em dias de azágua brabu.

Acordes são a cachoeira de água fresca, em dias de Acordes que são ideias criando mundos novos, transformando a matéria murcha  em algo vivo que atrai pelos sentidos e dá fruição espiritual. Acordes que são afinal o mesmo mundo original, no dia inaugural da criação.

4

KJF neste dia é Dino d’Santiago, assim com apóstrofe, para ligar o nome que fez seu e o lugar das raízes. A busca de Nos Tradison, Nôs Tradiçon, empreendida pela segunda-geração. Traz consigo uma convidada que confessa que não o é, reivindica sim que é da casa da crioulidade. Esta foi sua ama-musa, esteve a seu lado a amparar-lhe os primeiros passos e quer agora  mostrar-lhe o quanto cresceu graças aos seus cuidados, desta ama-musa crioula. Entendi assim o que disse a cantora Fábia Rebordão.

KJF neste dia é o guitarrista e vocalista Richard Bona, que fechou o dia e foi para muitos o melhor em palco.  Sobre ele nada direi: googlando,  fica-se a saber muito e mais do que eu aqui diria (talvez por ser fim da noite, epílogo de árdua semana tive de me render ao sono da vida, como dizem as Mamãs, em Santo Antão). Acredito pois que essa search for bona decerto vai, mais do que eu, apoiar as muitas vozes que o consideram o melhor.

KJF neste dia inaugural é o saxofonista Jowee Omicil (que na página oficial alguém apresentou como Ibrahim Maalouf, mas um e outro destes artistas do sopro fazem cada um o seu mundo). Artista versátil, para muitos o melhor em palco, sem dúvida o showman desta noite, o saxofonista Jowee Omicil é mais que jazzista e tocador de altosaxo, trompete e demais sopros. Haitiano criado na América, Jowee Omicil é um grande comunicador, é ainda o performer que ousa trazer as suas influências clássicas, o seu gosto de clássicos (um Mozart?) a um palco de jazz.

Então um dia a música sempre.

Praia, 14-7/4/15

Pós-escrito: KJF ilustra-se com esta foto, que a organização proibia fazê-la - assim rezava o bilhete.

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