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70 Milhões de crianças com menos de 5 anos podem morrer até 2030 06 Julho 2016

Quase 70 milhões de crianças vão morrer antes dos cinco anos até 2030, e outras 167 milhões viverão em pobreza extrema nesse ano, se a comunidade internacional não investir brevemente nas mais crianças pobres e vulneráveis, alerta a UNICEF.

Intitulado “Uma oportunidade para todas as crianças”, o relatório anual do Fundo das Nações Unidas para a Infância – UNICEF, divulgado esta segunda-feira, 04, revela que, embora o mundo tenha registado progressos na infância, essas melhorias não foram uniformes e as desigualdades marcam a vida de milhões de crianças.

“Quando olhamos para o mundo de hoje, somos confrontados com uma verdade desconfortável, mas inegável: As vidas de milhões de crianças são arruinadas pelo simples facto de terem nascido num determinado país, comunidade, género ou circunstância”, escreve o director-geral da organização, Anthony Lake, no prefácio do relatório.

Para este responsável, “agora é o momento de agir” porque, se o mundo não acelerar o ritmo de progresso, 69 milhões de crianças morrerão, maioritariamente de causas evitáveis, antes de completarem cinco anos, até 2030 - ano em que terminam os OBS (Objectivos de Desenvolvimento Sustentáveis), definidos no ano passado.

"Nesse mesmo ano, as crianças da África subsaariana terão 10 vezes mais probabilidade de morrer antes dos cinco anos do que as dos países ricos e nove em cada dez viverão em pobreza extrema naquela sub-região. Se nada for feito, mais de 60 milhões de crianças em idade escolar estarão fora da escola e cerca de 750 milhões de mulheres terão sido casadas na infância”, alertou Anthony Lake.

O director-geral da UNICEF sublinha que o futuro não tem de ser tão sombrio e lembra que muitos dos constrangimentos que impedem o mundo de ajudar estas crianças não são técnicos. “São uma questão de compromisso político. São uma questão de recursos. E são uma questão de vontade colectiva”, atestou.

O relatório revela ainda, que investir nas crianças mais vulneráveis pode produzir benefícios imediatos e a longo prazo, tanto para esta camada como para toda a sociedade.

Segundo o documento, cada ano adicional de escolaridade que uma criança frequenta traduz-se por um aumento de cerca de 10% dos rendimentos que aufere na idade adulta e por cada ano adicional de escolaridade que os jovens de um país completam, as taxas de pobreza diminuem cerca de 9%. “Mais do que nunca, devemos reconhecer que o desenvolvimento só é sustentável se puder ser continuado – sustentado – pelas gerações futuras”, escreveu Anthony Lake.

“Quando ajudamos um menino a ter acesso aos medicamentos e nutrição de que precisa para crescer saudável e forte, não só aumentamos as suas hipóteses na vida, como reduzimos os custos sociais e económicos associados à doença e à fraca produtividade”, exemplifica.

Fonte: Lusa

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