Caso Monte Tchota

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Caso Monte Txota: Todos os olhos estão voltados para a justiça militar 10 Maio 2016

A investigação do “Massacre do Monte Txota” e o julgamento do presumível autor, o soldado Manuel António Ribeiro Silva, mais conhecido por “Anthony”, que se encontra preso na Praia, está sob a alçada da justiça castrense, sendo, pelo que se sabe, o caso mais grave de crime de sangue cometido por um militar em Cabo Verde.

Caso Monte Txota: Todos os olhos estão voltados para a justiça militar

O alegado “mass-murder” encontra-se detido, a título preventivo, nas instalações prisionais militares, na Praia, e já foi ouvido pela juíza Ana Reis, que na qualidade de magistrada judicial preside ao Tribunal Militar encarregado de julgar aquele que é, até agora e até provas em contrário, o único suspeito.

De acordo com uma fonte versada em leis e altamente colocada na hierarquia do Sistema Nacional de Segurança, o suspeito, depois dessa audição, já terá sido remetido à alçada do promotor militar, que por sua vez irá “deduzir a acusação”, aproveitando os dados obtidos com a investigação até agora feita pela Polícia Judiciária.

“A PJ não ouviu o suspeito em interrogatório e teve uma intervenção bastante restrita neste caso, porque se trata de justiça militar, mas ainda assim desenvolveu parte da investigação enquanto polícia científica, e as informações recolhidas poderão ser legalmente utilizadas pela Promotoria Militar”, adianta a nossa fonte.

O que é de esperar, perspectiva o nosso interlocutor, é que os dados materiais recolhidos venham corroborar as informações retiradas do interrogatório do próprio suspeito, que já terá confessado o crime e alegou razões de ordem pessoal para o ter cometido.

De qualquer forma, as investigações sobre o “Massacre de Monte Txota” não devem excluir qualquer pista nem possibilidade, mantendo-se, por isso de pé outras hipóteses, como a alegada ligação ao narcotráfico, “ainda que, com os dados já recolhidos, as motivações pessoais avançadas desde o início pelo ministro da Administração Interna, sejam as que se afiguram mais credíveis”, considerou a nossa fonte.

Na qualidade de especialista em matéria legal e de segurança, o nosso interlocutor analisou, na base dos dados já conhecidos, a aludida ocorrência, considerando que muita coisa falhou e que muitas mais encontram-se ainda por explicar, embora as “motivações pessoais” já apontadas pelo Governo como estando na base do massacre, sejam, por enquanto as mais credíveis.

“Não é possível descartar, antes da conclusão do competente inquérito, qualquer possibilidade, nem mesmo a pista do narcotráfico, mas a evolução das investigações e os dados já recolhidos fazem-nos crer que essas tais motivações pessoais sejam de facto, e de momento, as de maior relevância”, indicou, adiantando ser aconselhável ater-se às evidências que vão sendo confirmadas em vez de se privilegiarem pistas que podem não se concretizar.

O que mais salta à vista neste caso, no entender da nossa fonte, são as falhas relacionadas com a disciplina, o respeito pela hierarquia e a observância das mais elementares regras de segurança numa guarnição que guarda uma infraestrutura crítica e de extrema importância, como é o Centro de Telecomunicações de Monte Txota.

“Quando, naquelas circunstâncias e num cenário de isolamento, em que há soldados acantonados e um arsenal disponível, são feitas ameaças de morte, como aquelas que parecem ter sido proferidas pelo suspeito, elas devem ser levadas a sério e quem os proferiu deve ser imediatamente preso”, defendeu o nosso interlocutor, para quem não há dúvida de que a segurança vinha sendo relaxada “há muito tempo” em Monte Txota.

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