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Perfil de “Anthony” Silva 12 Maio 2016

Por norma, todos os indivíduos deveriam nascer no seio de uma família, partilhando valores, culturas, amor e responsabilidades. Depois começamos a ganhar a nossa individualidade aos poucos indo para a escola, igrejas, actividades de lazer, etc. Enfim, começamos a criar laços sociais: crescendo, arranjando amigos, pertencendo a vários grupos sociais, casando-nos, formando a nossa própria família e a vida vai dando as suas voltas, com sabores e dissabores.

Perfil de “Anthony” Silva

No caso de “Anthony” Silva, será que ele teve oportunidade ou chance de cumprir todas estas etapas da vida? Vejamos:

Segundo informações que temos até este momento, estamos perante um indivíduo cuja mãe emigrou era ele ainda criança e nunca mais voltou; o Pai suicidou-se com um tiro na cabeça à sua frente, quando ainda era criança; cresceu com um padrasto em relação ao qual desenvolveu um sentimento de ódio profundo, por motivo até ainda desconhecido; teve uma namorada que ficou grávida, teve um filho que nasceu prematuro e veio a falecer sem que tivesse a oportunidade de o conhecer. Ou seja, estamos perante um indivíduo com laços (ou vínculos) sociofamiliares bastante frágeis, o que pode diminuir e muito o seu nível de comprometimento social (o que até agora consta, ele preocupava-se apenas com a sua irmã, com a qual morava no bairro do Palmarejo). Estamos perante um homem aparentemente com um alto grau de conflitos intrapsíquico e consequentemente com um elevado nível de recalcamento, uma vez que é caracterizado como um individuo introspectivo, de pouco convívio social, não pertencente a nenhum grupo social (como por exemplo: grupos desportivos, recreativos, comunitários, etc.). Enfim, um indivíduo que nunca conseguiu estabelecer um laço ou vínculo social duradoiro com ninguém, o que a nível sociofamiliar pode levar-nos a considera-lo alguém despojado desde sempre de amor, carinho, afecto, cumplicidade, etc., sentimentos necessários para que todos nós nos possamos sentir humanos e comprometidos com o nosso bem-estar e o dos outros.

Relativamente ao seu perfil, continuo a insistir que, não obstante alguns traços de personalidade descritos por terceiros, só depois de lhe ser aplicado um diagnóstico e teste psicológico poderemos traçar o seu perfil com segurança científica. A sociopatia e a psicopatia podem estar presentes, como também não, por isso, torna–se imperativo, na minha opinião, a aplicação dos testes psicológicos. O crime foi cometido e teremos que saber quem o cometeu: foi um doente mental ou foi um homem em plena posse das suas capacidades mentais?

Jacob Vicente

Psicólogo

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