25º aniversário do A Semana

A SEMANA : Primeiro di?rio caboverdiano em linha

Presidente da República Jorge Carlos Fonseca: “O ASemana quando noticia presume-se que é uma informação séria” 26 Abril 2016

No dia em que A Semana completa o seu 25º aniversário, retomamos a reportagem publicada na sua última edição, em que o presidente da República Jorge Carlos Fonseca afirma que este semanário está próximo de um jornal, que quando noticia um facto, o leitor presume que é uma informação séria. No entender do Mais Alto Magistrado da Nação, o jornal construiu um pilar de credibilidade e hoje está mais maduro, mais estável e dá mais segurança aos leitores. Entretanto, apesar de destacar os cadernos Lance e Kriolidadi e a coluna de opinião, Fonseca gostaria que o A Semana desse mais atenção a informações sobre o Estado e a sociedade, e sobretudo ter informação mais plural. Janira Hopffer Almada, líder do PAICV, enaltece o espaço e o prestígio que o jornal ocupa no cenário político nacional e junto da opinião pública. Mas critica a falta de formação especializada específica dos seus profissionais, que segundo diz, acaba por contribuir para condicionar a plenitude da liberdade de imprensa. Já António Monteiro, presidente da UCID, entende que o A Semana tem dado um contributo importante para a formação e informação dos cabo-verdianos. Pede mais atenção às notícias de cariz social e económica, do dia-a-dia do país e das pessoas e mais jornalismo de investigação.

Presidente da República Jorge Carlos Fonseca: “O ASemana quando noticia presume-se que é uma informação séria”

Jorge Carlos Fonseca lembra que a idade do jornal ASemana coincide com a da democracia cabo-verdiana – ambos celebram as bodas de prata, 25 anos. Falando como conhecedor do seu percurso, o presidente da República diz que o jornal ASemana tem vindo a crescer ao longo dos tempos, diversificou os seus leitores, o que confere ao semanário um bom estatuto, sobretudo porque se tornou o jornal mais diversificado, mais aberto, mais plural e maduro. “Conheci o jornal desde o seu início, era director o Jorge Soares. Depois passou por outras mãos, Filomena Silva, e agora tem o novo director, o Alírio Dias de Pina. ASemana é hoje um jornal mais maduro, quer dizer que ganhou em diversidade, cresceu. Qualquer tipo de leitor pode encontrar algo que lhe suscite o seu interesse e a sua atenção, isto é, provavelmente nem toda a gente lê todas as páginas de um jornal, mas, quando o periódico ganha alguma consistência, cada um procura aquilo que mais lhe interessa”, analisa o PR, para quem as notícias editadas pelo ASemana oferecem um grau elevado de correspondência com a realidade.

“Eu creio que o ASemana amadureceu neste sentido. Privilegia hoje menos o sensacionalismo e a notícia bombástica. Oferece ao leitor a informação, dossiês e opiniões mais estáveis. Acho que tem páginas muito interessantes e positivas sobre o desporto, tem uma produção razoável do ponto de vista da informação cultural e artística, uma boa e relativa informação económica e também tem opinião. É na parte de notícia, sobretudo ali, que eu vejo uma evolução muito positiva. É um jornal mais maduro, estável e dá mais segurança ao leitor”, analisa.

Mas apesar disso, Jorge Carlos Fonseca entende que o ASemana deveria esforçar-se para ter uma informação mais plural e diversificada, isto tendo em conta os desígnios de impulsionar o pluralismo de opinião e a liberdade de expressão e de pensamento, a liberdade da imprensa e o reforço da democracia. “Penso que deve ter mais informação sobre o que é o Estado e sobre a sociedade. Não quero dizer que não tenha, mas é importante divulgar a vida das organizações, das ONGs, de uma forma mais profunda, ter mais informação sobre a cultura, a arte e a literatura, e sobretudo que essa informação seja mais plural e diversificada, que fale dos agentes sociais, culturais, desportivos, literários, e não apenas privilegiar actividades políticas do Governo, dos presidente dos municípios”, sugere.

Especialização e notícias do país real

A líder do PAICV, Janira Hopffer Almada, advoga na mesma linha de análise do anterior depoimento, que o ASemana – fundado na mesma altura da consolidação do Estado de Direito Democrático, em 1991 – surgiu em boa hora, para dar impulso ao pluralismo de opinião, já que a conjuntura política da altura se encontrava pervertida por lógicas no fundo contrárias ao real sentido da democracia e do exercício da cidadania. Lembra, porém, que foi uma altura em que a democracia pluralista, emergente, caminhava entre inibições e contradições, dando lugar a posições extremas e que o jornal ASemana foi vítima dessa sua ousadia.

Mas, conforme a presidente tambarina, ao longo do tempo da sua existência, o jornal “vem ocupando um espaço e prestígio notáveis no cenário político nacional e junto da opinião pública, em geral, pelo bom atributo em isenção, objectividade e conteúdo dos serviços que vêm prestando os seus jornalistas, com informações sobre vários ramos do conhecimento, entrevistas e comentários, com elevado profissionalismo, contribuindo, deste modo, para o crescente desenvolvimento da capacidade crítica e, assim, para um bom exercício da cidadania”.

Desta forma, segundo Janira Hopffer Almada, o ASemana tem prestado um contributo de primeiro plano para que Cabo Verde seja considerado um país onde a liberdade de imprensa prevalece, seja da parte das organizações de notação, seja da parte da classe de jornalistas nacionais. “É só nos darmos conta do papel que desempenha por ocasião dos pleitos eleitorais, situando-se nos limites da objectividade e isenção da informação, permitindo deste modo ao cidadão a reflexão e a análise sérias para a formação da sua opinião consciente”.

Apesar deste papel, destaca algum condicionamento à plenitude da liberdade de imprensa, o qual não deriva de constrangimentos políticos por parte dos poderes e partidos políticos, mas que tem a sua génese na limitação do exercício pelo próprio profissional, resultante de influências em termos qualitativos na comunidade educativa. Um handicap que, segundo diz, será extensivo a outros domínios do conhecimento e do exercício da democracia e da cidadania. “No que respeita ao jornal ASemana, como para outros meios de comunicação social, entre várias outras iniciativas, cremos que uma estreita cooperação com as universidades do país poderá encontrar modalidades de colmatar algum vazio, no sentido da especialização de jornalistas em domínios concretos, tais como a economia, o direito, a cultura, a história, a geografia, etc., o que poderá conduzir a um jornalismo de investigação científica mais em conformidade com o país real.”

Além disso, Janira acredita que há outros temas e assuntos que devem merecer atenção especial do ASemana, principalmente os que mostram a dimensão do nosso país em relação ao mundo. “Outro aspecto a dar importância prende-se com a necessidade de artigos de análise sobre a política nacional e internacional, que permitam ao leitor melhor situar a dimensão de Cabo Verde nos planos físico, geográfico, demográfico, económico e social, na sua relação com o mundo global com as suas disparidades, dinâmicas e desafios.”

Vida social e económica

A UCID também faz uma análise positiva dos 25 anos do ASemana, não obstante um ou outro momento menos bem conseguido. Assim, do ponto de vista do líder dos democratas-cristãos, o ASemana deu um contributo valioso, não só para o jornalismo escrito cabo-verdiano, mas acima de tudo um contributo muito importante para a formação e informação dos cabo-verdianos de uma forma geral, com ênfase nos leitores assíduos que semanalmente procuram este jornal. Mais do que isso, segundo António Monteiro, o jornal teve um papel muito importante no escrutínio daquilo que durante estes anos foi acontecendo no país.

“Entendemos que é um jornal que tem fontes que são credíveis. Apresentou determinadas matérias de interesse relevante para o país, em tempo oportuno, e isso ajudou, de uma certa forma, a que fossem encontrados caminhos e determinadas soluções. Ajudou também na governação do país. Por essas razões consideramos que estes 25 anos do jornal valeram a pena. O jornal tem prestado um bom serviço à Nação. Algumas denúncias e questões que vieram a lume, e que foram do conhecimento público, vieram precisamente através do jornal ASemana. Em democracia o jornalismo é o quarto poder que, quando bem exercido, ajuda na governação do país. A UCID considera que o jornal ASemana nesta matéria tem cumprido o seu papel”.

Mais. Para António Monteiro, apesar de a UCID não estar a 100% de acordo com aquilo que diz e escreve o jornal ASemana, o esforço feito pelos seus colaboradores é meritório. Ademais, sublinha, “não estamos num reino” em que tudo brilha e corre às mil maravilhas, por isso encara como normal determinadas situações ou alguns conflitos entre o jornal, os partidos e os políticos. Entretanto, defende que, nestes últimos 25 anos relativamente às questões políticas e sobre a cobertura das eleições, o jornal tem sido correcto, advoga.

“Com os recursos que o jornal dispõe e que nos é dado reconhecer, é nosso entendimento que o jornal tem respondido de forma satisfatória às necessidades em termos de informação para o público. Pese embora, nós a UCID, discordarmos desta ou daquela posição assumida pelo jornal e a informação divulgada. Mas as coisas são mesmo assim e não temos que estar 100% de acordo com aquilo que diz e escreve o jornal. Entendemos que o esforço feito é meritório neste aspecto”.

O presidente da UCID defende que o jornal deve trazer à baila questões mais de índole social e principalmente económica, porque o país tem algumas lacunas relativamente à falta de informação nessa área. Outro aspecto, sublinha Monteiro, é procurar tratar situações do dia-a-dia do país e das pessoas e que se dê atenção ao jornalismo de investigação. “Se conseguirem fazer isto, o jornal ganharia muito e poderia ter um maior número de leitores. Nós gostaríamos de ver um ASemana com maior acutilância no jornalismo de investigação. Parecendo que não, Cabo Verde é um país pequeno, mas há determinadas situações que mereciam ser investigadas. Isto ajudaria e muito a conceituar o nome do jornal e, acima de tudo, colocaria de sobreaviso aqueles que em determinadas funções do Estado e que no exercício das suas actividades não são passados a pente fino, ou seja, não mostram de forma muito clara o que vai passando nestas instituições”, sugere o líder da UCID, referindo que o jornalismo de investigação seria extremamente interessante para ajudar na governação deste país e contribuir para uma melhor informação dos cidadãos.

À semelhança dos líderes do PAICV e da UCID, tentamos trazer a análise do líder do MpD, Ulisses Correia e Silva, mas tal não foi possível. Foi-nos dito que o novo primeiro-ministro estava ocupado em reuniões relativamente à sua tomada de posse e dos demais membros do novo Governo.

Por: Carina David/Sanny Fonseca

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