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Vitória “histórica” do MpD no Fogo 27 Março 2016

O MpD conquistou uma vitória “histórica” sobre o PAICV no Fogo com uma diferença de 41 votos. É a primeira vez que o Movimento para a Democracia venceu o PAICV na ilha, desde as primeiras eleições multipartidárias de 1991. O partido “ventoinha” elegeu três deputados e o PAICV dois. De acordo com resultados parciais, 49% (7.609 votos) dos mais de 15 mil votantes optaram pelo MpD e 48,8% (7.568) pelos tambarinas. Já a UCID vem logo a seguir com 0,8 % (123 votos) e o Partido Popular obteve 80 votos (0,5 %). A abstenção quedou-se nos 32,8%.

Vitória “histórica” do MpD no Fogo

É sob a liderança de Ulisses Correia e Silva que o MpD consegue agora registar, face aos 5.706 votos de 2011, um crescimento de cerca de dois mil votantes. Com este aumento do seu score eleitoral, o MpD passou a ser a força mais votada no Fogo.

Segundo observadores locais, muito contribuiu para este resultado o descontentamento da população, perante a forma como o Governo não conseguiu resolver as situações emergindo da erupção do Vulcão de 2014-2015. Fazendo fé nos dados provisórios, o MpD conseguiu uma vantagem de 35 votos na mesa da assembleia eleitoral de Chã das Caldeiras, que funcionou na localidade de Achada Furna, município de Santa Catarina.

Conforme os resultados eleitorais, as regiões de Santa Catarina e São Filipe mostraram-se mais favoráveis ao MpD. No concelho da cidade dos sobrados, o MpD teve 1132 votos, o PAICV ficou com 1123 e a UCID obteve 13 votos. Já o Partido Popular só conseguiu arrecadar nove votos. Os resultados parciais para os Mosteiros apontam para uma diferença de cerca de 340 votos, estes a favor do PAICV.

No cômputo geral, foi em S. Filipe que o partido ventoinha conseguiu uma vitória mais expressiva. O resultado foi de 4.624 votos para o MpD contra os 4.268 conseguidos pelo PAICV. A UCID ficou-se pela cifra de 78 votos e o estreante Partido Popular conseguiu 61 votos expressos.

Feitas as contas, o MpD elegeu três deputados na ilha: o cabeça de lista Jorge Nogueira, seguido pelo professor e psicólogo Filipe Gomes dos Santos, e Carlos Alberto Gonçalves Lopes (professor- psicólogo organizacional). O PAICV ficou nos dois mandatos - Eva Ortet, vice-presidente do PAICV, e Nuías Silva, mestre em sistemas de informação. A UCID e o PP ficaram muito aquém do objectivo pretendido que era o de eleger pelo menos um deputado.

MpD congratula-se com a vitória e PAICV aceita o veredicto

“É um resultado de que não estávamos à espera, mas o povo é soberano e temos que aceitar o veredicto das urnas. Na democracia o papel da oposição é importante”, considera Eva Ortet ouvida por este jornal.

Para a recém-reeleita deputada, o partido vai fazer, nos próximos dias, uma análise dos dados para “ver o que não funcionou e tomar medidas para corrigir lá onde é preciso e tocar a bola para a frente”. Eva Ortet considera, porém, que o PAICV vai agora preparar-se para as eleições autárquicas que se avizinham. Felicitou a oposição pelos resultados obtidos e deixou aos foguenses a garantia de que os parlamentares eleitos pelo círculo do Fogo “farão uma oposição à altura do PAICV, exigindo o cumprimento das promessas eleitorais feitas e aplaudindo tudo de bom que for feito, tendo sempre presente o melhor para Cabo Verde”.

O deputado Carlos Lopes considera, por seu turno, que a vitória do MpD foi ‘extraordinária’. “É com muita satisfação e sentimento de dever cumprido que encaramos os resultados eleitorais na ilha, tido como baluarte do PAICV”, afirmou.

Para Lopes, “não se trata apenas de uma vitória eleitoral mas, sobretudo de uma vitória do Fogo que, infelizmente, esteve durante largos anos sob gestão danosa do PAICV. O MpD fará de tudo para que a ilha saia da cauda do desenvolvimento e ascender para os melhores patamares”.

O político explica que a vitória do MpD se deveu a vários factores. “Apresentámos uma melhor candidatura e um melhor programa eleitoral.

Fizemos também uma melhor campanha. O PAICV usou, como sempre, uma política enganosa no seio do nosso eleitorado e o povo decidiu não permitir tal atitude”. Ainda, sublinhou, houve também descontentamentos relativos quer à situação dos deslocados de Chã das Caldeiras, quer ao anel rodoviário que ficou pelo meio e às obras do porto e aeroporto nos Mosteiros.

Carlos Lopes promete que os três deputados “ventoinhas” vão trabalhar, em sintonia com o Governo, em prol do Fogo e do país em geral. Garante que a próxima meta do MpD é vencer os embates autárquicos e presidenciais deste ano no Fogo.

Nicolau Centeio

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