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Nhô Glolô, ‘comandante’ de Son Jon até morrer 23 Junho 2015

Em nenhuma outra época do ano, nha Daluzinha sente tantas saudades do falecido Nhô Glolô. Por altura de Son Jon, a imagem do amigo, tio e avô assalta a sua mente e fica difícil aguentar as lágrimas. Nho Glolô era uma figura incontornável da festa de São João Baptista, em toda a ilha de Santo Antão. Com o seu navio e a sua trupe percorria as ribeiras e zonas altas qual um missionário de São João anunciando o festejo tanto de Son Jon como de Santo António.

Nhô Glolô, ‘comandante’ de Son Jon até morrer

“Ele começou a levar-me para a festa quando ainda era bebé. Depois continuou a fazer isso com os meus filhos. Fizemos o trajecto Porto Novo- Ribeira das Patas e vice-versa uma série de vezes”, conta Nha Da Luz, “filha d’coração” do malogrado festeiro.

Segundo Daluzinha, Nhô Glolô tinha tanta reputação que a festa de Son Jon só começava mesmo quando ele pisasse o terreiro com o seu navizim “São João Baptista”. Assim que chegava, acompanhado da sua trupe de tocadores, o ambiente ganhava outra vida, com o repicar mais forte dos tambores e os cânticos das coladeiras.

Neste momento, o navio principal do Sr. Glolô está guardado no primeiro piso da Câmara Municipal do Porto Novo. Antes de falecer, vendeu essa relíquia à autarquia, que pretende expô-la como uma das peças do Museu das Romarias, a ser edificado na antiga fábrica de Pozolana. Para o seu sobrinho Elton, Nhô Glolô deixou um outro navizim na sua casa em Porto Novo para que dê continuidade à tradição. . Uma forma de se homenagear esse antigo “comandante” de Son Jon, na opinião de Daluzinha, é transformar a sua casa em museu. “Se ele fosse meu pai verdadeiro, era isso que teria feito, para poder perpetuar a sua memória. Parece-me que no dia em que esta casa deixar de existir, o nome dele desaparece. Mas não posso fazer isso porque esta casa pertence a herdeiros”, diz Nha Da Luz, que ainda guarda a chave da antiga residência de Nhô Glolô. Embora sem um pé, esse homem percorria zonas distantes da extensa ilha de Santo Antão para comemorar essa festa junina, acompanhado do seu estimado navizim e “tropa” de tocadores.

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