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Cabo Verde regista queda estrondosa de 12 lugares no índice de liberdade de imprensa 13 Fevereiro 2015

Cabo Verde caiu 12 lugares no ranking da liberdade de imprensa e ocupa agora a 36ª posição, diz o relatório da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) publicado esta sexta-feira, 13. Se no ano de 2002 o nosso país ocupava a 9ª posição, 10 anos depois tinha despencado para o lugar 25 no ranking - posição que no ano seguinte melhoraria apenas um ponto - 24º lugar. Agora a imprensa cabo-verdiana regista um outro tombo forte, perde 6.37 pontos e cai para o lugar 36 do ranking. E como se servisse de consolo, Cabo Verde continua a ser o segundo país lusófono melhor colocado e terceiro em África, não tendo registado nenhum caso de abuso contra a imprensa.

Esta derrapagem, segundo analistas, deve-se às condições que condicionam o trabalho dos média em Cabo Verde. É que nestes últimos anos muitas empresas de Comunicação Social no país têm-se debatido com a falta de recursos, num ambiente de quase desresponsabilização do Estado face aos órgãos privados, prejudicando o pluralismo da informação que é o único garante de uma imprensa livre e democrática. Ou seja, falta uma política da Comunicação Social, a começar pela falta de investimentos em termos de formação para os profissionais da área. Outra fonte justifica esta fraca qualificação com a cada vez mais acentuada "estatização" dos média, levada a cabo por todos os órgãos do sistema político: Parlamento - deputados e partidos a tentarem impor as suas regras nos órgãos públicos -, Presidência da República e Governo. O caso mais paradigmático acontece no poder local, cujos autarcas chegam ao ponto de só considerar comunicação social a televisão e a rádio públicas.

Não será então de admirar este registo em Cabo Verde: uma queda estrondosa – tombou 12 lugares e 6.37 pontos e está na 36ª posição. Se em 2002 o nosso país ocupava a 9ª posição, dez anos mais tarde passou para o 25º posto. E o único ponto que conseguiu recuperar no ano passado (24º lugar), não o conseguiu manter por forma a suster o que é uma vergonhosa derrapagem para quem já esteve nos lugares cimeiros do mundo, em termos de liberdade de Imprensa. Alguma coisa falhou. Ou muita coisa falhou.

A liberdade de imprensa sofreu um "declínio drástico" em todo o mundo no ano passado, em parte devido a grupos extremistas como o Estado Islâmico e o Boko Haram, afirmam os Repórteres Sem Fronteiras, depois de avaliaram 180 países. Segundo esta ONG, muitos Estados no mundo abusam de uma suposta necessidade da protecção da segurança nacional para impor restrições à liberdade de imprensa.

2ª melhor entre os países de Língua Portuguesa

Como se servisse de consolo, o documento da organização diz que a imprensa cabo-verdiana destaca-se no grupo dos países de Língua Portuguesa, em que se posiciona no segundo lugar, ultrapassado apenas por Portugal que está em 26º. A nível africano o nosso país é o terceiro classificado. À frente de Cabo Verde estão apenas a Namíbia (17ª) e o Gana (22ª).

A Guiné-Bissau está no 81º posto, Moçambique teve menos 0,72 pontos e caiu seis lugares, ocupando agora a 85ª posição, e um registo de 29.98 pontos de abusos contra a liberdade de imprensa. Brasil subiu 12 lugares, ocupando agora a 99ª posição, embora tenha uma alta taxa de abusos, 56.56. Timor Leste situa-se no 103º lugar.

Angola é o país lusófono pior colocado. Embora tenha subido um lugar, ocupando agora o 123º posto, perdeu 1.34 pontos e atingiu uma taxa de 37.84 de abusos. São Tomé e Príncipe não foi incluído no relatório.

Os primeiros lugares deste ranking foram ocupados pela Finlândia (1ª), Noruega (2ª), Dinamarca (3ª) e Holanda (4ª), muito por causa das condições materiais e de sustentabilidade que o Estado oferece ao meio mediático, mas também pelas regras liberais em matéria de acesso à informação governamental e à protecção das fontes jornalísticas.

Turquemenistão (178º), Coreia do Norte (179º) e Eritreia (180º) são os piores países. Em suma o relatório dos Repórteres Sem Fronteiras refere que em 2014 se registaram 3.719 violações à liberdade de informação em 180 países - mais 8% que no ano anterior.

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