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Vasco Martins “Estou de novo pronto para o contacto com o público” 28 Janeiro 2012

Vasco Martins tem novo álbum – Azuris. São 10 temas que na alegria do ritmo celebram a vida e o azul. Tem pinceladas de san-jon, batuque, african beat, bolero, valsa, improvisação jazzística, este ponto de viragem, ‘turning point’, de uma carreira com mais de 20 álbuns gravados. Após anos de dedicação à música sinfónica, Vasco Martins quer regressar aos concertos e ao gesto ‘em tempo real’ da música. E nada melhor do que este Azuris “jubiloso, espiritual, dinâmico e que pressupõe a alegria de tocar”, diz o compositor, para marcar esta mudança de atitude.

Vasco Martins “Estou de novo pronto para o contacto com o público”

– Kriolidadi - “Azuris”, porquê este título? O que significa?

– O título do álbum tem a ver essencialmente com duas coisas: a música em si, que considero melódica, rítmica e que possui uma espécie de alegria, celebrando a vida e o azul. O azul do céu, o azul do mar. O azul celeste, o azul ultramarino. Andei em busca de uma única palavra que pudesse transmitir essas ideias e sentimentos, até que encontrei Azuris, que vem do latim e significa azul celeste ou azul céu luminoso. Nas línguas antigas ainda se pode encontrar palavras de dimensão poética com um significado intenso e verdadeiro. Na minha opinião, Azuris em Cabo Verde é mais intenso em Abril e Novembro.

– Neste disco não está a solo, mas em trio com Zé Paris (baixo) e Micau Chantre (percussão/bateria). Porquê estes dois músicos?

– Há já algum tempo que pretendo gravar um álbum em trio, isto é, piano, baixo e percussão/bateria. Tendo composto e arranjado os temas, faltava escolher os músicos aqui em S.Vicente, devido a imperativos da produção, a editora Harmonia. O Micau Chantre, que já gravou comigo dois álbuns e fizemos muitos concertos, inclusive um belíssimo concerto com a Nácia Gomi no Festival da Gamboa, é um percussionista imaginativo e subtil. O Zé Paris, com larga experiência de estúdio, e músico que muito aprecio devido ao seu ‘balanço’, aceitou o meu convite com entusiasmo. Assim embarcamos os três em Azuris.

– Afirmou, antes desta entrevista, que este álbum “é uma pedra basilar no ‘turning point’”. O que quer dizer com isto?

– Turning point, do inglês, é a ideia de mudança a partir de um ponto da vida onde estamos e o qual temos que ter consciência, é uma expansão para outros espaços. Talvez mais mentais ou espirituais do que propriamente físicos, embora ambos estejam intimamente ligados. Todo o homem ou todo o artista tem, no percurso da vida vários ‘turning points’. Considero Azuris um símbolo, um sinal decisivo para essa expansão.

– Disse-me também que está “deveras interessado em concertos e no gesto ‘em tempo real’ da música”. Quer isto dizer que a partir de agora vai dar mais concertos?

– Isso quer dizer que pretendo ou gostaria de dar mais concertos. Passei os últimos anos a escrever sinfonias e música instrumental para orquestras. Mas agora estou de novo pronto e preparado para o contacto com o público através de concertos, da chamada oferta musical. Mas com isso entenda-se que o que gostaríamos de fazer na maior parte das vezes é ou está exterior a nós. Temos que aceitar as coisas com resignação lúcida e digna. O mundo da música está bastante difícil, pejado de obstáculos. O que vier será bem-vindo, depois de peneirado.

– Quer estar mais perto do público cabo-verdiano?

– Sem dúvida. Se houver apelos. Sempre aqui estive, eis-me aqui. Ofereço o que tenho a transmitir: a música. O famoso filósofo taoista Tchoung Tseu, já considerava, 4 séculos a.C., que a música permite ao homem de estar puro e sincero e com isso encontrar a sua entidade primordial.

– Quando será o primeiro concerto de lançamento de “Azuris”? Tem outros concertos agendados? Para que lugares e quando?

– Não tenho nada agendado. Considero que a música que faço necessita de uma abordagem que não se baseia na rotina, que não seja ligeira ou comercial. Assim não é fácil arranjar agentes para a música instrumental. Deixo aberto este assunto. É preferível agir assim, estando em Cabo Verde, país ilhéu e afastado dos grandes centros de maior efervescência cultural.

– Como classifica o disco “Azuris”? É uma mescla de géneros tradicionais com estilos contemporâneos?

– Azuris é um álbum que tem algo a ver com o Jazz (na improvisação), com alguma rítmica da música de Cabo Verde, com algum beat do continente africano, com o bolero e habanera (que me perseguem há anos e não sei porquê). É vital, exuberante, íntimo também. Pianístico, ‘trio envolvente’, aberto ao mundo.

– Com este disco está a fazer uma pausa nas sinfonias? Ou em breve, editará mais?

– Sim as sinfonias… caminho feliz, singular, algo grandioso. Diz bem: é necessário uma pausa, depois de tantos anos a compor e a orquestrar. Mas penso gravar a Sinfonia 9 ‘Atlântico’ uma sinfonia épica em 4 andamentos, pela Moravian Philharmonic Orchestra, dirigida pelo conhecido Maestro Vit Micka. Aliás, orquestra que gravou já o primeiro andamento (ao qual se pode ter acesso ao youtube ou no meu site para audição e visualização). Gravação todavia que depende de financiamentos, é claro. Mas por agora Azuris! Que deve ser lançado no mês de Março ou Abril. Azul-Abril…

Teresa Sofia Fortes

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