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Uma Sociedade Civil Crítica 28 Fevereiro 2017

É muito comum ouvirmos críticas de que a nossa sociedade está de mal ao pior, as pessoas não se colaboram, apontam dedo a este ou aquele pelos tantos erros que cometeram e até sugerem como trabalhar para melhorar o relacionamento.

Por: Alberto Lopes Sanches

Uma Sociedade Civil Crítica

Nos tempos passados a gente aprendia desde a tenra idade a ser séria e a não falhar com o seu carácter em nenhuma circunstância, pois “o homem não se mede por palmos mas sim por palavras”. É exactamente isso que faz-nos ser homens de grande valor, de respeito e de consideração, mas acima de tudo a quem nós podemos depositar a nossa inteira confiança.

Nos dias que correm esses valores fenomenais tendem a decair-se. Quase que não se nota a aplicação prática desses valores morais, certamente por falta de passagem de testemunhos e por conta da nossa abertura a fortes influências de fora. Já não há mais hipóteses de confiar em indivíduos.

Todavia, encontramos indivíduos que promovam iniciativas, granjeiam pessoas apenas para dar-se nas vistas e passar-se por “gentes do bem” quando lá no fundo têm o firme propósito de passar rasteiras.É muito comum ouvirmos críticas de que a nossa sociedade está de mal ao pior, as pessoas não se colaboram, apontam dedo a este ou aquele pelos tantos erros que cometeram e até sugerem como trabalhar para melhorar o relacionamento .

Naturalmente que qualquer ser humano está sujeito a falhas. O pior de tudo é não ter o bom censo e a humildade suficiente para se rever nos seus erros. Estamos perante cidadãos excessivamente críticos em relação a qualquer serviço, medidas e iniciativas levadas a cabo, quer de carácter pessoal ou público mas que em contrapartida não se despertam para as suas próprias lacunas, esquecendo-se que a realidade é sempre criticável e as intenções são sempre as melhores. Geralmente são essas mesmas gentes que reclamam bastamente da nossa postura que estão a decepcionar tudo e todos. São pessoas que estão em pé de guerra com as outras, precisamente por falharem os compromissos, por burla ou por falta de sigilo.

Enfim, desta forma acabamos por pôr em causa o grande valor da amizade. Um sentimento de atracção, de simpatia recíproca e de afeição entre dois ou vários indivíduos, acompanhado de apoio mútuo, de interdependência voluntária. Pressupõe ou requer, uma certa igualdade entre as pessoas amigas. A amizade é uma qualidade ou virtude de carácter social e que desempenha um papel importante na vida social. Predomina-se um défice claro de espírito de equipa e de camaradagem.

É desnecessário estarmos a efectuar um esforço titânico para fazer passar uma imagem de “bonzinhos” quando se sabe que a honestidade ou falta dela pode vir ao de cima ou destacada mais cedo ou mais tarde. Até porque já dizia o outro que “quem não está interessado vê maldade até nas melhores intenções”.

Uma prática que ao nosso ver não faz muito sentido, uma vez que hoje mais do que nunca estamos melhor informados e ninguém é mais esperto de que ninguém. A falcatrua cometida hoje pode, mais cedo ou mais tarde, ser descoberta e beliscar a imagem da pessoa em questão. É necessário treinar a nossa sensibilidade e saber controlar perante determinados actos e manter a nossa consciência em paz. Já pensamos que tipo de influências é que estamos a passar para os nossos filhos? Estes não estão imunes a essas situações.

Estamos perante uma crise de princípios e de referências sem medida e que contribui para afundar essa humanidade. Todos conhecemos o termo “da spidienti” que em muitos casos significa ludibriar. Só pela via da educação é que se consegue construir uma sociedade civil forte que coordena as suas próprias acções. Felizmente que ainda temos indivíduos honestos no nosso seio e que mantêm-se muito apegados a esses valores morais que aprenderam e assim se afirmam como figuras ímpares no campo comportamental da nossa sociedade.

Temos que ser mais humanos, fazer coisas boas e evitar coisas más. Devemos sempre marcar a diferença, mas pela positiva. Só assim estaremos a dar exemplo de dignidade e por conseguinte a contribuir para que tenhamos uma humanidade mais unida e mais exemplar.

Fevereiro, 2017

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